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Desigualdades na divisão do trabalho familiar, sentimento de justiça e processos de comparação social

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os estudos sobre a organização familiar mostram que, apesar do ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, poucas mudanças ocorreram na divisão do trabalho familiar entre os cônjuges. Assim, as práticas familiares desiguais mantêm-se em sociedades baseadas numa ética igualitarista sem que, paradoxalmente, esse facto suscite um sentimento de injustiça. Esta constatação originou diversas tentativas de explicação, sendo uma delas que as comparações, selectivas, efectuadas pelas mulheres as levam a considerar a divisão desigual do trabalho familiar apropriada. O presente trabalho procura questionar esta explicação e mostrar que a maior parte das comparações entre homens e mulheres levam a avaliar comportamentos semelhantes de forma diferente, na medida em que esses comportamentos são ajustados aos papéis de género tradicionais e, logo, as suas avaliações assentam numa duplicidade de critérios. É proposto que a utilização de critérios idênticos para os julgamentos relativos às competências e aos papéis dos homens e das mulheres é uma condição indispensável para a justiça social.
Autores principais:Poeschl, Gabrielle
Assunto:Comparação social Justiça Organização familiar Papéis de género Poder Family organization Gender roles Justice Power Social comparison
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Os estudos sobre a organização familiar mostram que, apesar do ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, poucas mudanças ocorreram na divisão do trabalho familiar entre os cônjuges. Assim, as práticas familiares desiguais mantêm-se em sociedades baseadas numa ética igualitarista sem que, paradoxalmente, esse facto suscite um sentimento de injustiça. Esta constatação originou diversas tentativas de explicação, sendo uma delas que as comparações, selectivas, efectuadas pelas mulheres as levam a considerar a divisão desigual do trabalho familiar apropriada. O presente trabalho procura questionar esta explicação e mostrar que a maior parte das comparações entre homens e mulheres levam a avaliar comportamentos semelhantes de forma diferente, na medida em que esses comportamentos são ajustados aos papéis de género tradicionais e, logo, as suas avaliações assentam numa duplicidade de critérios. É proposto que a utilização de critérios idênticos para os julgamentos relativos às competências e aos papéis dos homens e das mulheres é uma condição indispensável para a justiça social.