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O seu problema é 3 vezes pior que os outros : é mulher, é preta e não nasceu em Portugal : Narrativas de integração e discriminação de mulheres migrantes num antigo país colonial

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A população estrangeira represente apenas 6,4% da população total residente em Portugal. Todavia, as pessoas com passado migratório excedem largamente a estatística de cidadãos estrangeiros devido à aquisição de nacionalidade. Os Censos 2021 mostram a importância dos migrantes para a economia e sustentabilidade do regime de proteção social de uma população envelhecida. Partindo da análise sistemática das narrativas de vinte mulheres (n=20) migrantes de primeira geração, oriundas de dez países, este estudo apresenta uma reflexão crítica das mulheres migrantes sobre os determinantes do seu processo de integração. Através de entrevistas online, identificou-se áreas críticas de integração de natureza estrutural (regularização, habitação, educação, trabalho) e sociocultural (suporte social, envolvimento na comunidade, adaptação cultural, saúde e bem-estar). O suporte social, a regularização, a participação associativa, a adaptação cultural e tolerância religiosa, foram considerados como fatores facilitadores. A dificuldade na aquisição de competências linguísticas e a discriminação no trabalho são áreas que devem merecer a atenção das políticas e práticas de integração. Salientou-se a sobre qualificação no trabalho, o preconceito e o estereótipo ligado à mulher brasileira e a discriminação mais severa relativamente às migrantes cujos países de origem tiveram ligações coloniais a Portugal. Verificou-se que a integração não é uniforme em todos os domínios de vida e que depende da interação de fatores situados em distintos níveis ecológicos. São examinados os processos de resiliência e empoderamento das mulheres migrantes face à discriminação e violência. Este trabalho demonstrou que as narrativas das mulheres migrantes são contribuições cruciais para informar políticas e práticas de acolhimento.
Autores principais:Conde, Maria João Pereira
Assunto:Migrantes Género integração Discriminação Narrativa Migrants Gender Integration Ddiscrimination Narrative
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A população estrangeira represente apenas 6,4% da população total residente em Portugal. Todavia, as pessoas com passado migratório excedem largamente a estatística de cidadãos estrangeiros devido à aquisição de nacionalidade. Os Censos 2021 mostram a importância dos migrantes para a economia e sustentabilidade do regime de proteção social de uma população envelhecida. Partindo da análise sistemática das narrativas de vinte mulheres (n=20) migrantes de primeira geração, oriundas de dez países, este estudo apresenta uma reflexão crítica das mulheres migrantes sobre os determinantes do seu processo de integração. Através de entrevistas online, identificou-se áreas críticas de integração de natureza estrutural (regularização, habitação, educação, trabalho) e sociocultural (suporte social, envolvimento na comunidade, adaptação cultural, saúde e bem-estar). O suporte social, a regularização, a participação associativa, a adaptação cultural e tolerância religiosa, foram considerados como fatores facilitadores. A dificuldade na aquisição de competências linguísticas e a discriminação no trabalho são áreas que devem merecer a atenção das políticas e práticas de integração. Salientou-se a sobre qualificação no trabalho, o preconceito e o estereótipo ligado à mulher brasileira e a discriminação mais severa relativamente às migrantes cujos países de origem tiveram ligações coloniais a Portugal. Verificou-se que a integração não é uniforme em todos os domínios de vida e que depende da interação de fatores situados em distintos níveis ecológicos. São examinados os processos de resiliência e empoderamento das mulheres migrantes face à discriminação e violência. Este trabalho demonstrou que as narrativas das mulheres migrantes são contribuições cruciais para informar políticas e práticas de acolhimento.