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Impacto da exposição direta e indireta a trauma em missões de salvamento de refugiados: Estudo qualitativo com Agentes da Polícia Marítima Portuguesa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Como resposta europeia à “crise migratória” de 2015, a Polícia Marítima Portuguesa (PMP) participou em missões de resgate marítimo e salvamento de pessoas em situação de refúgio, promovidas pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), na Grécia, Itália e em Espanha. Enquanto profissionais de intervenção primária, os agentes da PMP estiveram expostos a acontecimentos potencialmente traumáticos cumulativos, passíveis de criar sofrimento psicológico significativo. O presente estudo qualitativo explorou o impacto psicológico negativo e positivo dessa exposição em 48 agentes da PMP que participaram, em média, em 7 missões entre 2015 e 2021. Através da análise temática foi possível identificar quatro temas associados a: a) novas perspetivas de vida surgidas do confronto com populações em vulnerabilidade extrema; b) sentimentos de autossatisfação com a prestação de apoio e assistência; c) perceção de responsabilidade coletiva, enquanto cidadãos europeus, pelas condições adversas e sofrimento dos refugiados e; d) reforço do compromisso e vocação profissional que passa a definir um propósito e identidade para estes agentes da PMP. Os resultados sugerem que a participação nas missões levou os agentes a reavaliarem perspetivas e formas de estar na vida, influenciando positivamente a sua perceção de propósito, uma nova valorização da vida, bem como a importância atribuída às relações interpessoais. Embora as missões de resgate e salvamento apresentem desafios psicológicos significativos para os agentes da PMP, são, também, passíveis de gerar mudanças psicológicas positivas nestes profissionais.
Autores principais:Santos, Sofia Domingues Máximo dos
Assunto:Trauma Ajustamento psicológico Trauma vicariante Exposição indireta ao trauma Crescimento pós-traumático Psychological adjustment Vicarious trauma Indirect trauma exposure Post-traumatic growth
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Como resposta europeia à “crise migratória” de 2015, a Polícia Marítima Portuguesa (PMP) participou em missões de resgate marítimo e salvamento de pessoas em situação de refúgio, promovidas pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), na Grécia, Itália e em Espanha. Enquanto profissionais de intervenção primária, os agentes da PMP estiveram expostos a acontecimentos potencialmente traumáticos cumulativos, passíveis de criar sofrimento psicológico significativo. O presente estudo qualitativo explorou o impacto psicológico negativo e positivo dessa exposição em 48 agentes da PMP que participaram, em média, em 7 missões entre 2015 e 2021. Através da análise temática foi possível identificar quatro temas associados a: a) novas perspetivas de vida surgidas do confronto com populações em vulnerabilidade extrema; b) sentimentos de autossatisfação com a prestação de apoio e assistência; c) perceção de responsabilidade coletiva, enquanto cidadãos europeus, pelas condições adversas e sofrimento dos refugiados e; d) reforço do compromisso e vocação profissional que passa a definir um propósito e identidade para estes agentes da PMP. Os resultados sugerem que a participação nas missões levou os agentes a reavaliarem perspetivas e formas de estar na vida, influenciando positivamente a sua perceção de propósito, uma nova valorização da vida, bem como a importância atribuída às relações interpessoais. Embora as missões de resgate e salvamento apresentem desafios psicológicos significativos para os agentes da PMP, são, também, passíveis de gerar mudanças psicológicas positivas nestes profissionais.