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Atitudes e estigma relativamente ao luto: Estudo transcultural entre Portugal e Brasil.

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: O luto é uma experiência universal que é vivida de forma única por cada sujeito e pode ser influenciada por variáveis individuais, sociais, culturais e espirituais. O estigma, tende a agravar o sofrimento vivido durante o luto. Muitas vezes, normas sociais impõem restrições sobre a forma como a pessoa pode expressar as suas emoções ou procurar ajuda, o que pode dificultar o processo de adaptação à perda. Objetivo: Comparar as perceções e formas de vivência do luto entre as populações portuguesa e brasileira, analisando as atitudes, o bem-estar espiritual e os estigmas associados. Método: Trata-se de um estudo comparativo, de natureza descritiva, com um desenho transversal. A amostra é constituída por 120 adultos, sendo estes 82 sujeitos de nacionalidade portuguesa e 38 de nacionalidade brasileira. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online na plataforma Qualtrics, que esteve aberto entre fevereiro e maio de 2025. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes face à Morte (EAPAM), Questionário de Bem-Estar Espiritual e uma versão adaptada da subescala de estigma do Grief Experience Questionnaire. Resultados Verificaramse diferenças estatisticamente significativas na dimensão “medo” da Escala EAPAM entre as populações portuguesa e brasileira (t (120) = 2,883, p = 0,005). Verificou-se uma diferença significativa entre os grupos etários ao nível do estigma (F (120) = 4.467; p = 0.013), sendo os participantes mais jovens (<30 anos) aqueles que apresentaram uma maior estigmatização. Foi possível também observar uma correlação negativa entre a idade e o medo da morte, (r (120) = –.245, p = .007). Além disso, o bem-estar espiritual apresentou correlações positivas e significativas com a dimensão “aceitação” (r (120) = .405, p < .001) e a neutralidade (r (120) = .302, p < .001), e correlações negativas com o medo (r (120) = –.253, p = .005) e o evitamento (r (120) = –.216, p = .018). Conclusão: O presente estudo aumenta a compreensão do luto em diferentes culturas, sendo estas, portuguesa e brasileira, salientando a relevância de variáveis como a espiritualidade, a idade e o género. Reforça também a importância de considerar estes fatores na prática clínica com indivíduos em luto, de forma a respeitar as diferenças individuais e culturais.
Autores principais:Araújo, Bárbara Alexandra Abreu Melo de
Assunto:Luto Perceção Estigma Atitudes Crenças Espiritualidade Brasil Portugal Sociedade Transcultural. Bereavement Perception Stigma Attitudes Beliefs Spirituality Brazil Society Cross-cultural.
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Introdução: O luto é uma experiência universal que é vivida de forma única por cada sujeito e pode ser influenciada por variáveis individuais, sociais, culturais e espirituais. O estigma, tende a agravar o sofrimento vivido durante o luto. Muitas vezes, normas sociais impõem restrições sobre a forma como a pessoa pode expressar as suas emoções ou procurar ajuda, o que pode dificultar o processo de adaptação à perda. Objetivo: Comparar as perceções e formas de vivência do luto entre as populações portuguesa e brasileira, analisando as atitudes, o bem-estar espiritual e os estigmas associados. Método: Trata-se de um estudo comparativo, de natureza descritiva, com um desenho transversal. A amostra é constituída por 120 adultos, sendo estes 82 sujeitos de nacionalidade portuguesa e 38 de nacionalidade brasileira. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online na plataforma Qualtrics, que esteve aberto entre fevereiro e maio de 2025. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes face à Morte (EAPAM), Questionário de Bem-Estar Espiritual e uma versão adaptada da subescala de estigma do Grief Experience Questionnaire. Resultados Verificaramse diferenças estatisticamente significativas na dimensão “medo” da Escala EAPAM entre as populações portuguesa e brasileira (t (120) = 2,883, p = 0,005). Verificou-se uma diferença significativa entre os grupos etários ao nível do estigma (F (120) = 4.467; p = 0.013), sendo os participantes mais jovens (<30 anos) aqueles que apresentaram uma maior estigmatização. Foi possível também observar uma correlação negativa entre a idade e o medo da morte, (r (120) = –.245, p = .007). Além disso, o bem-estar espiritual apresentou correlações positivas e significativas com a dimensão “aceitação” (r (120) = .405, p < .001) e a neutralidade (r (120) = .302, p < .001), e correlações negativas com o medo (r (120) = –.253, p = .005) e o evitamento (r (120) = –.216, p = .018). Conclusão: O presente estudo aumenta a compreensão do luto em diferentes culturas, sendo estas, portuguesa e brasileira, salientando a relevância de variáveis como a espiritualidade, a idade e o género. Reforça também a importância de considerar estes fatores na prática clínica com indivíduos em luto, de forma a respeitar as diferenças individuais e culturais.