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Desenvolvimento do self no período pré-escolar : A importância das relações de vinculação e com os pares

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A investigação sobre o self e a sua influência em diversas esferas do funcionamento humano é muito profícua. Foi demonstrada a existência de uma relação positiva entre um self positivo e diversos resultados positivos. Também se constatou que, tendencialmente, uma vez formado e desenvolvido, o sentido de self é estável ao longo da vida. Inúmeros autores teorizaram o self como um constructo social, considerando que a qualidade e o tipo de interações sociais estabelecidas, especialmente com os cuidadores primários, possuem um papel preponderante no seu desenvolvimento. Recentemente deu-se importância a outras relações, como as relações com os pares. No entanto, dificuldades metodológicas conduziram a que a investigação sobre o self em crianças pequenas seja escassa e haja uma grande dispersão e discrepância dos resultados, sendo difícil a sua síntese e compreensão. Por conseguinte, ainda se compreende pouco a forma como o self se desenvolve em idades precoces e existe pouca evidência empírica da sua dimensão social. A presente investigação procurou contribuir para este assunto. No primeiro estudo sistematizámos os resultados da investigação sobre o self em crianças pré-escolares. Concluímos que o self de crianças pequenas é passível de ser medido através de metodologias de autorreporte, tanto de forma multidimensional, como global, e que estas metodologias são complementares. Encontrámos tendências de resultados para as variáveis idade, género, QI Verbal e relações de vinculação. No segundo estudo aprofundámos a investigação sobre os efeitos do género e sexo no autoconceito das crianças de idade pré-escolar, numa investigação longitudinal com 83 crianças. Encontrámos evidência da existência de um declínio diferenciado dos valores de alguns dos domínios do autoconceito já no fim do período pré-escolar e diferenças no autoconceito das crianças devidas ao sexo, favorecendo os rapazes. Numa segunda fase, explorámos a dimensão social do desenvolvimento do self. No terceiro estudo, com 70 crianças, analisámos a relação entre as representações globais do self das crianças e as suas representações de vinculação. Encontrámos uma relação positiva e significativa entre os constructos. Finalmente, no quarto e último estudo, analisámos a influência diferenciada da segurança de vinculação à mãe e ao pai aos dois anos de idade na autoestima das crianças aos 5 anos. Adicionalmente, estendemos a análise do self enquanto constructo social, à importância das relações sociais com os pares aos 5 anos. Num estudo com 45 crianças, detetámos associações positivas e significativas entre tanto as seguranças de vinculação como as relações com os pares e a autoestima das crianças. Apenas a segurança de vinculação ao pai e a aceitação pelos pares emergiram como preditores significativos da autoestima. Detetou-se também um efeito moderador da segurança de vinculação ao pai através da aceitação pelos pares. As limitações desta investigação são discutidas em cada estudo e na discussão geral. Contribuímos para o conhecimento acerca do desenvolvimento normativo do self em crianças pequenas e respondemos a algumas das suas questões e controvérsias principais. Originámos novas questões de investigação que fomentam a continuação da investigação sobre este assunto e realizámos considerações para as práticas e políticas educativas e familiares.
Autores principais:Pinto, Alexandra Maria Pereira Inácio Sequeira
Assunto:Self Autoconceito Autoestima Pré-Escolar Relações de vinculação Relações com os pares Self Self-concept Self-esteem Pre-school Attachment relationships Peer relationships
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A investigação sobre o self e a sua influência em diversas esferas do funcionamento humano é muito profícua. Foi demonstrada a existência de uma relação positiva entre um self positivo e diversos resultados positivos. Também se constatou que, tendencialmente, uma vez formado e desenvolvido, o sentido de self é estável ao longo da vida. Inúmeros autores teorizaram o self como um constructo social, considerando que a qualidade e o tipo de interações sociais estabelecidas, especialmente com os cuidadores primários, possuem um papel preponderante no seu desenvolvimento. Recentemente deu-se importância a outras relações, como as relações com os pares. No entanto, dificuldades metodológicas conduziram a que a investigação sobre o self em crianças pequenas seja escassa e haja uma grande dispersão e discrepância dos resultados, sendo difícil a sua síntese e compreensão. Por conseguinte, ainda se compreende pouco a forma como o self se desenvolve em idades precoces e existe pouca evidência empírica da sua dimensão social. A presente investigação procurou contribuir para este assunto. No primeiro estudo sistematizámos os resultados da investigação sobre o self em crianças pré-escolares. Concluímos que o self de crianças pequenas é passível de ser medido através de metodologias de autorreporte, tanto de forma multidimensional, como global, e que estas metodologias são complementares. Encontrámos tendências de resultados para as variáveis idade, género, QI Verbal e relações de vinculação. No segundo estudo aprofundámos a investigação sobre os efeitos do género e sexo no autoconceito das crianças de idade pré-escolar, numa investigação longitudinal com 83 crianças. Encontrámos evidência da existência de um declínio diferenciado dos valores de alguns dos domínios do autoconceito já no fim do período pré-escolar e diferenças no autoconceito das crianças devidas ao sexo, favorecendo os rapazes. Numa segunda fase, explorámos a dimensão social do desenvolvimento do self. No terceiro estudo, com 70 crianças, analisámos a relação entre as representações globais do self das crianças e as suas representações de vinculação. Encontrámos uma relação positiva e significativa entre os constructos. Finalmente, no quarto e último estudo, analisámos a influência diferenciada da segurança de vinculação à mãe e ao pai aos dois anos de idade na autoestima das crianças aos 5 anos. Adicionalmente, estendemos a análise do self enquanto constructo social, à importância das relações sociais com os pares aos 5 anos. Num estudo com 45 crianças, detetámos associações positivas e significativas entre tanto as seguranças de vinculação como as relações com os pares e a autoestima das crianças. Apenas a segurança de vinculação ao pai e a aceitação pelos pares emergiram como preditores significativos da autoestima. Detetou-se também um efeito moderador da segurança de vinculação ao pai através da aceitação pelos pares. As limitações desta investigação são discutidas em cada estudo e na discussão geral. Contribuímos para o conhecimento acerca do desenvolvimento normativo do self em crianças pequenas e respondemos a algumas das suas questões e controvérsias principais. Originámos novas questões de investigação que fomentam a continuação da investigação sobre este assunto e realizámos considerações para as práticas e políticas educativas e familiares.

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