Publicação

Louca, frágil, vítima, impulsiva, má. Um estudo sobre as atitudes da guarda prisional face a mulheres ofensoras

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Os Guardas Prisionais detêm extrema importância no processo de reclusão dos indivíduos que cometeram crimes, contribuindo para a sua ressocialização. Contudo, não são imunes a crenças e atitudes disseminadas socialmente acerca de diversos tópicos, como a criminalidade feminina, sendo que estas poderão enviesar o seu comportamento. O presente estudo teve como principais objetivos explorar as atitudes destes elementos face ao crime cometido por mulheres, além de as relacionar com outras variáveis de relevo, como o sexo e o posicionamento político. Para tal, recorremos a um questionário composto pelo instrumento “Atitudes sobre o Crime Feminino” (ACF), por uma medida breve de avaliação da personalidade – TIPI-P – e por questões de natureza sociodemográfica, aplicado a 132 Guardas Prisionais e em seis Estabelecimentos Prisionais. Primeiramente, aferimos a estrutura fatorial da escala ACF, tendo-se obtido quatro fatores distintos da versão original. Posteriormente, observámos uma tendência avaliativa predominantemente negativa, principalmente em participantes jovens e mulheres, que expressaram maior concordância com a visão patológica da mulher que comete crimes e, consequentemente, com a dupla punição. Contrapondo, os homens mais velhos tenderam a percecionar a mulher como vítima, além de possuírem mais conhecimentos técnicos adequados, mostrando-se mais tolerantes. Em suma, verifica-se uma atuação diferenciada face a mulheres que cometem crimes, assente na complexa relação entre género, papéis de género e criminalidade. Assim, ora é reforçada a visão da “mulher frágil”, ora é julgada a “mulher má”, levando-nos a crer que ‘serse mulher’ (ainda) não suscita respostas legais neutras por parte do Sistema de Justiça.
Autores principais:Knittel, Sofia Oliveira
Assunto:Criminalidade feminina Atitudes Guarda prisional Papéis de género Female criminality Attitudes Prison officer Gender roles
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Os Guardas Prisionais detêm extrema importância no processo de reclusão dos indivíduos que cometeram crimes, contribuindo para a sua ressocialização. Contudo, não são imunes a crenças e atitudes disseminadas socialmente acerca de diversos tópicos, como a criminalidade feminina, sendo que estas poderão enviesar o seu comportamento. O presente estudo teve como principais objetivos explorar as atitudes destes elementos face ao crime cometido por mulheres, além de as relacionar com outras variáveis de relevo, como o sexo e o posicionamento político. Para tal, recorremos a um questionário composto pelo instrumento “Atitudes sobre o Crime Feminino” (ACF), por uma medida breve de avaliação da personalidade – TIPI-P – e por questões de natureza sociodemográfica, aplicado a 132 Guardas Prisionais e em seis Estabelecimentos Prisionais. Primeiramente, aferimos a estrutura fatorial da escala ACF, tendo-se obtido quatro fatores distintos da versão original. Posteriormente, observámos uma tendência avaliativa predominantemente negativa, principalmente em participantes jovens e mulheres, que expressaram maior concordância com a visão patológica da mulher que comete crimes e, consequentemente, com a dupla punição. Contrapondo, os homens mais velhos tenderam a percecionar a mulher como vítima, além de possuírem mais conhecimentos técnicos adequados, mostrando-se mais tolerantes. Em suma, verifica-se uma atuação diferenciada face a mulheres que cometem crimes, assente na complexa relação entre género, papéis de género e criminalidade. Assim, ora é reforçada a visão da “mulher frágil”, ora é julgada a “mulher má”, levando-nos a crer que ‘serse mulher’ (ainda) não suscita respostas legais neutras por parte do Sistema de Justiça.