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A influência de ser estrangeiro no processo de individuação

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Resumo:A migração e o exílio constituem experiências de profunda rutura psíquica, que transcendem a sua dimensão factual para se tornarem eventos simbólicos de grande impacto. Com base na psicologia psicanalítica e analítica, esta dissertação investiga o efeito destes fenómenos no processo de individuação. O objetivo central é compreender as dinâmicas psíquicas e simbólicas inerentes à experiência migratória e o modo como influenciam a constituição do Si mesmo do sujeito migrante ou exilado. A análise interroga ainda o papel do estrangeiro enquanto projeção da Sombra coletiva e os desafios clínicos que emergem no encontro entre analista e paciente quando o “estranho” se manifesta na relação terapêutica. Adotando um método qualitativo, assente na análise psicodinâmica, simbólica e hermenêutica de obras mitológicas, literárias e cinematográficas, o estudo elege como paradigma a figura de Medeia — mulher, feiticeira e bárbara. A sua história questiona a possibilidade de transformar a migração numa oportunidade de integração das polaridades psíquicas. O fracasso de Medeia no seu percurso de individuação ilustra como a pressão das projeções coletivas e a ausência de ressonância interior constituem um limite à realização do Si Mesmo. A reflexão final sublinha que em cada um de nós habita um estrangeiro, cuja integração é essencial para que não seja projetado sobre o outro, transformando o encontro com a Alteridade numa via de autoconhecimento e não num motivo de discriminação.
Autores principais:Sandro, Irene De
Assunto:Individuação Migração Mitologia Medeia Interpretação simbólica Individuação Migração Mitologia Medeia Interpretação Simbólica.
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A migração e o exílio constituem experiências de profunda rutura psíquica, que transcendem a sua dimensão factual para se tornarem eventos simbólicos de grande impacto. Com base na psicologia psicanalítica e analítica, esta dissertação investiga o efeito destes fenómenos no processo de individuação. O objetivo central é compreender as dinâmicas psíquicas e simbólicas inerentes à experiência migratória e o modo como influenciam a constituição do Si mesmo do sujeito migrante ou exilado. A análise interroga ainda o papel do estrangeiro enquanto projeção da Sombra coletiva e os desafios clínicos que emergem no encontro entre analista e paciente quando o “estranho” se manifesta na relação terapêutica. Adotando um método qualitativo, assente na análise psicodinâmica, simbólica e hermenêutica de obras mitológicas, literárias e cinematográficas, o estudo elege como paradigma a figura de Medeia — mulher, feiticeira e bárbara. A sua história questiona a possibilidade de transformar a migração numa oportunidade de integração das polaridades psíquicas. O fracasso de Medeia no seu percurso de individuação ilustra como a pressão das projeções coletivas e a ausência de ressonância interior constituem um limite à realização do Si Mesmo. A reflexão final sublinha que em cada um de nós habita um estrangeiro, cuja integração é essencial para que não seja projetado sobre o outro, transformando o encontro com a Alteridade numa via de autoconhecimento e não num motivo de discriminação.