Publicação
A experiência de ser-amputado uma análise fenomenológica-existencial
| Resumo: | O objectivo deste estudo foi identificar as estruturas e os constituintes das experiências mais significativas relacionadas com a amputação de um ou mais membros, e compreender as suas dinâmicas. Por experiências entendemos o conjunto das vivências antepredicativas e predicativas. Entendemos a experiência tal como Husserl refere, constituídas pelas vivências explícitas e implícitas aos actos de consciência. Este trabalho foi iniciado com algumas inquietações acerca do papel da psicologia no estudo da experiência e acompanhado por preocupações epistemológicas. Na revisão de literatura foram abordados diferentes modelos teóricos sobre a experiência da amputação. Como procedimento metodológico foram realizadas entrevistas individuais, onde quatro participantes descreveram as suas experiências mais significativas relacionadas com a amputação sofrida. Estas descrições foram depois analisadas de acordo com o método fenomenológico-psicológico desenvolvido por Amedeo Giorgi. Nestes resultados pudemos identificar três estruturas gerais (ou tipos de experiências) e treze constituintes-chave inerentes à experiência de amputação, são eles: Ruptura ou perda irreversível; Mudança nas relações com outros; Confronto e impacto inicial; Suporte recebido em contexto hospitalar; Alterações da consciência; Vivência temporal; Antagonismo psicológico; Questionamento da identidade, Complicações de saúde cumulativas; Descontentamento, frustração e incapacidade para agir; Mudanças nos sentidos para a vida; Solidão existencial; e Incerteza e expectativa. Por fim, verificámos que existem correspondências entre os resultados deste estudo e as perspectivas fenomenológicas de Husserl e dos autores existencialistas abordados, por isso, pudemos apontar também para algumas implicações práticas do método fenomenológico ao contexto de investigação e da psicoterapia, nomeadamente no âmbito da ajuda na amputação, uma vez que nesta área foi evidente a reivindicação de uma abordagem reconciliadora que devolva congruência às experiências relacionadas com mudanças antagónicas, separações, ou rupturas. |
|---|---|
| Autores principais: | Rodrigues, Cláudia Dias |
| Assunto: | Experiência Vivências Estrutura Constituintes Psicologia Fenomenologia Existencialismo Experience Lived experiences Amputation Structure Constituents Dynamics Psychology Epistemology Phenomenology Existentialism |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | O objectivo deste estudo foi identificar as estruturas e os constituintes das experiências mais significativas relacionadas com a amputação de um ou mais membros, e compreender as suas dinâmicas. Por experiências entendemos o conjunto das vivências antepredicativas e predicativas. Entendemos a experiência tal como Husserl refere, constituídas pelas vivências explícitas e implícitas aos actos de consciência. Este trabalho foi iniciado com algumas inquietações acerca do papel da psicologia no estudo da experiência e acompanhado por preocupações epistemológicas. Na revisão de literatura foram abordados diferentes modelos teóricos sobre a experiência da amputação. Como procedimento metodológico foram realizadas entrevistas individuais, onde quatro participantes descreveram as suas experiências mais significativas relacionadas com a amputação sofrida. Estas descrições foram depois analisadas de acordo com o método fenomenológico-psicológico desenvolvido por Amedeo Giorgi. Nestes resultados pudemos identificar três estruturas gerais (ou tipos de experiências) e treze constituintes-chave inerentes à experiência de amputação, são eles: Ruptura ou perda irreversível; Mudança nas relações com outros; Confronto e impacto inicial; Suporte recebido em contexto hospitalar; Alterações da consciência; Vivência temporal; Antagonismo psicológico; Questionamento da identidade, Complicações de saúde cumulativas; Descontentamento, frustração e incapacidade para agir; Mudanças nos sentidos para a vida; Solidão existencial; e Incerteza e expectativa. Por fim, verificámos que existem correspondências entre os resultados deste estudo e as perspectivas fenomenológicas de Husserl e dos autores existencialistas abordados, por isso, pudemos apontar também para algumas implicações práticas do método fenomenológico ao contexto de investigação e da psicoterapia, nomeadamente no âmbito da ajuda na amputação, uma vez que nesta área foi evidente a reivindicação de uma abordagem reconciliadora que devolva congruência às experiências relacionadas com mudanças antagónicas, separações, ou rupturas. |
|---|