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Contribution to the portuguese validation of the Grief Pattern Inventory

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Resumo:Ter uma melhor compreensão da experiência do enlutado permite a realização de uma intervenção que melhor satisfaça as suas necessidades. O modelo teórico de Martin e Doka (2000) delimita três padrões principais de resposta à perda: intuitivo, instrumental e misto. O presente estudo tem como objetivo a tradução e adaptação do Grief Pattern Inventory (GPI) para a língua portuguesa e a avaliação das suas propriedades psicométricas (estrutura fatorial, validade, sensibilidade e fidelidade). De forma complementar, procura-se explorar diferenças em diversos construtos psicológicos (e.g. luto prolongado, evitamento do luto, flexibilidade psicológica), em função do padrão de luto. Este estudo, de natureza correlacional e transversal, incluiu duas amostras independentes de adultos enlutados, fluentes em português, com um total de 331 participantes. A primeira amostra (n=181) foi utilizada para a Análise Fatorial Exploratória (AFE) e a segunda (n=150) para a Análise Fatorial Confirmatória (AFC). Os resultados das análises fatoriais (AFE e AFC) suportam um modelo de dois fatores, com 12 itens, com ajustamento adequado. Este instrumento apresentou validade discriminante boa bem como valores de consistência interna aceitável para o fator instrumental (ω =.733) e boa para o fator intuitivo (ω=.803). No entanto, os itens do instrumento revelam maioritariamente cargas moderadas a elevadas de unicidade. Adicionalmente, análises ao conteúdo dos itens com cargas fatoriais mais elevadas, em junção com as análises de validade convergente, sugerem que o fator instrumental reflete, maioritariamente, a presença de supressão emocional. Esta interpretação é reforçada pelo padrão de correlações positivas moderadas observadas entre o luto instrumental com: evitamento do luto, somatização, depressão, ansiedade, disfuncionalidade do luto, e sintomas de trauma e luto prolongado. Por sua vez, a dimensão do luto intuitivo mostrou correlações significativas fracas, com maior ruminação e menor evitamento do luto. Paralelamente, os valores do AVE, sugerem validade convergente limitada, para os dois fatores. Para testar a validade de grupos conhecidos, os dados das duas amostras foram combinados para permitir a formação de quadrantes dos padrões de luto. Procedeu-se à estandardização das pontuações dos dois fatores do GPI e classificação dos enlutados em dois eixos: acima ou abaixo da média para cada um dos fatores. Os quadrantes identificados são: Intuitivo (n=98), Instrumental (n=101), Expressão de luto Elevada (n=77) e Misto (n=55). Os resultados das análises de quadrantes indicam que indivíduos do quadrante Instrumental e de Expressão de Luto Elevada apresentam sintomas mais intensos de trauma, luto prolongado e evitamento comparativamente ao grupo Intuitivo e Misto. Os níveis de flexibilidade psicológica não divergiram de forma significativa de acordo com o padrão de luto. O GPI, na sua versão atual, possui um modelo estatisticamente adequado, no entanto é possível identificar várias limitações à sua validade. A sua utilidade reside sobretudo como ferramenta de investigação para a identificação de perfis de luto, sendo que a dimensão instrumental parece capturar um padrão de supressão emocional moldado pela cultura, associado a indicadores de psicopatologia. Para permitir uma melhor representação do modelo teórico, recomenda-se o desenvolvimento de outros itens, nomeadamente para o padrão instrumental. Este estudo contribui para a evidência crescente sobre os padrões de luto, salientando desafios fundamentais no desenvolvimento de uma medida conceptualmente congruente com o modelo original.
Autores principais:Pacífico, Melani Lais Czekalski
Assunto:Luto instrumental Luto intuitivo Validação psicométrica Análise fatorial exploratória Analise fatorial confirmatória Instrumental grief Intuitive grief Psychometric validation Exploratory factor analysis Confirmatory factor analysis
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:Ter uma melhor compreensão da experiência do enlutado permite a realização de uma intervenção que melhor satisfaça as suas necessidades. O modelo teórico de Martin e Doka (2000) delimita três padrões principais de resposta à perda: intuitivo, instrumental e misto. O presente estudo tem como objetivo a tradução e adaptação do Grief Pattern Inventory (GPI) para a língua portuguesa e a avaliação das suas propriedades psicométricas (estrutura fatorial, validade, sensibilidade e fidelidade). De forma complementar, procura-se explorar diferenças em diversos construtos psicológicos (e.g. luto prolongado, evitamento do luto, flexibilidade psicológica), em função do padrão de luto. Este estudo, de natureza correlacional e transversal, incluiu duas amostras independentes de adultos enlutados, fluentes em português, com um total de 331 participantes. A primeira amostra (n=181) foi utilizada para a Análise Fatorial Exploratória (AFE) e a segunda (n=150) para a Análise Fatorial Confirmatória (AFC). Os resultados das análises fatoriais (AFE e AFC) suportam um modelo de dois fatores, com 12 itens, com ajustamento adequado. Este instrumento apresentou validade discriminante boa bem como valores de consistência interna aceitável para o fator instrumental (ω =.733) e boa para o fator intuitivo (ω=.803). No entanto, os itens do instrumento revelam maioritariamente cargas moderadas a elevadas de unicidade. Adicionalmente, análises ao conteúdo dos itens com cargas fatoriais mais elevadas, em junção com as análises de validade convergente, sugerem que o fator instrumental reflete, maioritariamente, a presença de supressão emocional. Esta interpretação é reforçada pelo padrão de correlações positivas moderadas observadas entre o luto instrumental com: evitamento do luto, somatização, depressão, ansiedade, disfuncionalidade do luto, e sintomas de trauma e luto prolongado. Por sua vez, a dimensão do luto intuitivo mostrou correlações significativas fracas, com maior ruminação e menor evitamento do luto. Paralelamente, os valores do AVE, sugerem validade convergente limitada, para os dois fatores. Para testar a validade de grupos conhecidos, os dados das duas amostras foram combinados para permitir a formação de quadrantes dos padrões de luto. Procedeu-se à estandardização das pontuações dos dois fatores do GPI e classificação dos enlutados em dois eixos: acima ou abaixo da média para cada um dos fatores. Os quadrantes identificados são: Intuitivo (n=98), Instrumental (n=101), Expressão de luto Elevada (n=77) e Misto (n=55). Os resultados das análises de quadrantes indicam que indivíduos do quadrante Instrumental e de Expressão de Luto Elevada apresentam sintomas mais intensos de trauma, luto prolongado e evitamento comparativamente ao grupo Intuitivo e Misto. Os níveis de flexibilidade psicológica não divergiram de forma significativa de acordo com o padrão de luto. O GPI, na sua versão atual, possui um modelo estatisticamente adequado, no entanto é possível identificar várias limitações à sua validade. A sua utilidade reside sobretudo como ferramenta de investigação para a identificação de perfis de luto, sendo que a dimensão instrumental parece capturar um padrão de supressão emocional moldado pela cultura, associado a indicadores de psicopatologia. Para permitir uma melhor representação do modelo teórico, recomenda-se o desenvolvimento de outros itens, nomeadamente para o padrão instrumental. Este estudo contribui para a evidência crescente sobre os padrões de luto, salientando desafios fundamentais no desenvolvimento de uma medida conceptualmente congruente com o modelo original.