Publicação
A função epistémica da escrita: Da revisão de textos à reflexão sobre a escrita por alunos do terceiro ano de escolaridade
| Resumo: | O presente estudo procura compreender como a escrita na escola, designadamente a revisão de textos realizada sistematicamente e em interacção, pode contribuir para a aprendizagem dos próprios processos de escrita pelas crianças, através da reflexão sobre a língua. Para isso foi realizado um estudo longitudinal de curta duração, num contexto escolar interactivo, em que a escrita, socialmente finalizada, era utilizada nas suas diversas funções. Numa amostra de doze crianças de uma turma do 3o ano de escolaridade, seis consideradas menos competentes na escrita e seis mais competentes, foi observada, ao longo do ano, a revisão de textos livres dos alunos, realizada individualmente por metade da amostra e em díades heterogéneas, em situação de co-elaboração, pela outra metade. Este processo iniciou-se com um pré-teste individual e terminou com um pós-teste realizado nas mesmas condições. Do pré para o pós teste foi analisada a evolução da consciência da tarefa de revisão, bem como os níveis textuais e linguísticos, os tipos de operações utilizados pelos alunos, comparando os resultados dos que trabalharam individualmente e a pares durante as revisões de textos ao longo do ano. Analisou-se ainda a interdiscursidade das díades para perceber os níveis de reflexão sobre a escrita desenvolvida pelos alunos. Verificou-se que as crianças da amostra evoluíram positivamente do início para o final do ano, no que se refere à consciência da tarefa, e registaram mais modificações de profundidade e semânticas. Comparando os dois grupos, verificaram-se, no final do ano, relativamente àqueles níveis textuais e linguisticos, valores significativamente superiores nas crianças que trabalharam a pares, designadamente nas menos competentes. Estes resultados apontam para a conclusão de que a instituição de rotinas de revisão de textos dos alunos, sobretudo em díades heterogéneas, inscritas em sistemas pedagógicos cooperativos, propicia níveis superiores de reflexão sobre a escrita, os quais concorrem para a apropriação de saberes e de competências no domínio da metatextualidade e da metalinguística, cumprindo, assim, a sua função epistémica. |
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| Autores principais: | Santana, Maria Inácia Vidigal |
| Assunto: | Psicologia educacional Aprendizagem Epistemologia Linguagem escrita Idade escolar Educational psychology Learning Epistemology Written language School-age children |
| Ano: | 2003 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | O presente estudo procura compreender como a escrita na escola, designadamente a revisão de textos realizada sistematicamente e em interacção, pode contribuir para a aprendizagem dos próprios processos de escrita pelas crianças, através da reflexão sobre a língua. Para isso foi realizado um estudo longitudinal de curta duração, num contexto escolar interactivo, em que a escrita, socialmente finalizada, era utilizada nas suas diversas funções. Numa amostra de doze crianças de uma turma do 3o ano de escolaridade, seis consideradas menos competentes na escrita e seis mais competentes, foi observada, ao longo do ano, a revisão de textos livres dos alunos, realizada individualmente por metade da amostra e em díades heterogéneas, em situação de co-elaboração, pela outra metade. Este processo iniciou-se com um pré-teste individual e terminou com um pós-teste realizado nas mesmas condições. Do pré para o pós teste foi analisada a evolução da consciência da tarefa de revisão, bem como os níveis textuais e linguísticos, os tipos de operações utilizados pelos alunos, comparando os resultados dos que trabalharam individualmente e a pares durante as revisões de textos ao longo do ano. Analisou-se ainda a interdiscursidade das díades para perceber os níveis de reflexão sobre a escrita desenvolvida pelos alunos. Verificou-se que as crianças da amostra evoluíram positivamente do início para o final do ano, no que se refere à consciência da tarefa, e registaram mais modificações de profundidade e semânticas. Comparando os dois grupos, verificaram-se, no final do ano, relativamente àqueles níveis textuais e linguisticos, valores significativamente superiores nas crianças que trabalharam a pares, designadamente nas menos competentes. Estes resultados apontam para a conclusão de que a instituição de rotinas de revisão de textos dos alunos, sobretudo em díades heterogéneas, inscritas em sistemas pedagógicos cooperativos, propicia níveis superiores de reflexão sobre a escrita, os quais concorrem para a apropriação de saberes e de competências no domínio da metatextualidade e da metalinguística, cumprindo, assim, a sua função epistémica. |
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