Publicação
Vai morrer o meu menino - Paralisado, doente, isolado, exclusivo, desejado e amado: Estudo de um processo de comunicação num universo simbiótico
| Resumo: | Tendo como objecto um caso severo de Paralisia Cerebral, é descrita a emergência e a qualidade de um processo de comunicação desenvolvido em isolamento familiar, em grande restrição e distante de qualquer intervenção técnica ao longo de trinta e cinco anos. Expõe-se neste estudo de caso, uma outra possibilidade de comunicação, com origem noutra esfera criativa, que se originou na pressão das necessidades diárias práticas e afectivas, e se constituiu eficaz no quotidiano do sujeito. A comunicação não verbal passa aqui a barreira da norma, conhecem-se outros níveis, outros instrumentos, meios mecânicos, objectos de uso doméstico que se converteram em auxiliares à comunicação e até outro código interpretativo para as expressões faciais que, neste paradigma, parecem ter outros significados. É também a entrada, e a viagem no interior de uma relação secreta, simbiótica, entre Júlio e sua mãe, Isabel, regulada pela culpa e pelo fenómeno do “Amor Exclusivo”, onde se desenvolveram grupos de sintomas, constelações, que se esperam melhor explicados nos territórios duma conceptualização dinâmica. Conheceu-se um mundo de intercorrências relacionais, um regime de autosuficiência, que resolveu no seu interior secreto, ao abrigo das suas próprias convenções, todos os afloramentos pulsionais. Na cápsula ciosamente defendida, mãe e filho, um só, não quiseram o mundo…e bastaram-se. Júlio morreria no decurso do nosso estudo, assistimos ao desmoronamento da união e à devastação afectiva lavrada por um luto fracturante, longo e doloroso que ajudámos a conter. Dá-se à luz aqui também, em jeito de homenagem, a história de uma mãe que teve no seu filho, o seu tudo. |
|---|---|
| Autores principais: | Duarte, José Manuel Fernandes |
| Assunto: | Paralisia cerebral Comunicação Relação simbiótica Amálgama Cerebral palsy Communication Symbiotic relationship Amalgam |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Tendo como objecto um caso severo de Paralisia Cerebral, é descrita a emergência e a qualidade de um processo de comunicação desenvolvido em isolamento familiar, em grande restrição e distante de qualquer intervenção técnica ao longo de trinta e cinco anos. Expõe-se neste estudo de caso, uma outra possibilidade de comunicação, com origem noutra esfera criativa, que se originou na pressão das necessidades diárias práticas e afectivas, e se constituiu eficaz no quotidiano do sujeito. A comunicação não verbal passa aqui a barreira da norma, conhecem-se outros níveis, outros instrumentos, meios mecânicos, objectos de uso doméstico que se converteram em auxiliares à comunicação e até outro código interpretativo para as expressões faciais que, neste paradigma, parecem ter outros significados. É também a entrada, e a viagem no interior de uma relação secreta, simbiótica, entre Júlio e sua mãe, Isabel, regulada pela culpa e pelo fenómeno do “Amor Exclusivo”, onde se desenvolveram grupos de sintomas, constelações, que se esperam melhor explicados nos territórios duma conceptualização dinâmica. Conheceu-se um mundo de intercorrências relacionais, um regime de autosuficiência, que resolveu no seu interior secreto, ao abrigo das suas próprias convenções, todos os afloramentos pulsionais. Na cápsula ciosamente defendida, mãe e filho, um só, não quiseram o mundo…e bastaram-se. Júlio morreria no decurso do nosso estudo, assistimos ao desmoronamento da união e à devastação afectiva lavrada por um luto fracturante, longo e doloroso que ajudámos a conter. Dá-se à luz aqui também, em jeito de homenagem, a história de uma mãe que teve no seu filho, o seu tudo. |
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