Publicação
Diferentes sistemas de cotação no ASCT são mais-valia ou fragilidade metodológica?
| Resumo: | Referência no estudo das representações de vinculação durante o período pré-escolar, o Attachment Story Completion Task (ASCT, Bretherton & Ridgeway, 1990), consiste numa metodologia semi-projectiva de completamento de histórias realizável a partir dos 3 anos. Um aspecto controverso da sua utilização, contudo, prende-se com o facto de o instrumento não obrigar ao uso exclusivo de um único método de análise, condição que tem limitado a realização de investigações comparativas e de meta-análises. Este estudo procura explorar pontos de convergência e de divergência entre dois sistemas de cotação distintos. O ASCT e a WPPSI-R (Wechsler, 1989) foram aplicados a 73 crianças (M = 64; DP = 8.75), tendo as narrativas sido analisadas, de forma independente, por duas equipas de investigadores, uma delas treinada no Sistema de cotação e classificação de Dusseldorf (ver Gloger-Tippelt, Gomille, Koenig, & Vetter, 2002) e a outra na Escala de Segurança (Heller, 2000; Maia, Veríssimo, Ferreira, Silva, Fernandes, 2009). As pontuações de segurança estimadas pelos dois sistemas não evidenciaram associações significativas com o Q.I. Verbal, nem com a idade dos participantes, nem ainda com nenhuma das outras variáveis sóciodemográficas consideradas. Apenas a Escala de Segurança pôs em evidência efeito de género, com o desempenh. global das raparigas na tarefa a receber valores significativamente mais elevados. Como hipotetizado, verificámos que crianças identificadas, pelo Sistema Dusseldorf, como tendo representações de vinculação seguras diferiram significativamente das crianças identificadas, pelo mesmo sistema, como tendo representações inseguras (quer ambivalentes quer evitantes), em termos da qualidade global das suas respostas, analisada através da Escala de Segurança. Todavia, a análise da associação das pontuações intersistemas, pôs em evidência que estas se encontram apenas moderadamente correlacionadas. Com base na análise de dois excertos de entrevistas, é discutida a possibilidade de as duas abordagens se debaterem com dimensões representacionais e comportamentais distintas. |
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| Autores principais: | Maia, Joana Branco |
| Outros Autores: | Veríssimo, Manuela |
| Assunto: | Representações de vinculação Metodologias narrativas Avaliação categorial e contínua da segurança da vinculação Attachment representations Narrative methodologies Dimensional and categorical models |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Referência no estudo das representações de vinculação durante o período pré-escolar, o Attachment Story Completion Task (ASCT, Bretherton & Ridgeway, 1990), consiste numa metodologia semi-projectiva de completamento de histórias realizável a partir dos 3 anos. Um aspecto controverso da sua utilização, contudo, prende-se com o facto de o instrumento não obrigar ao uso exclusivo de um único método de análise, condição que tem limitado a realização de investigações comparativas e de meta-análises. Este estudo procura explorar pontos de convergência e de divergência entre dois sistemas de cotação distintos. O ASCT e a WPPSI-R (Wechsler, 1989) foram aplicados a 73 crianças (M = 64; DP = 8.75), tendo as narrativas sido analisadas, de forma independente, por duas equipas de investigadores, uma delas treinada no Sistema de cotação e classificação de Dusseldorf (ver Gloger-Tippelt, Gomille, Koenig, & Vetter, 2002) e a outra na Escala de Segurança (Heller, 2000; Maia, Veríssimo, Ferreira, Silva, Fernandes, 2009). As pontuações de segurança estimadas pelos dois sistemas não evidenciaram associações significativas com o Q.I. Verbal, nem com a idade dos participantes, nem ainda com nenhuma das outras variáveis sóciodemográficas consideradas. Apenas a Escala de Segurança pôs em evidência efeito de género, com o desempenh. global das raparigas na tarefa a receber valores significativamente mais elevados. Como hipotetizado, verificámos que crianças identificadas, pelo Sistema Dusseldorf, como tendo representações de vinculação seguras diferiram significativamente das crianças identificadas, pelo mesmo sistema, como tendo representações inseguras (quer ambivalentes quer evitantes), em termos da qualidade global das suas respostas, analisada através da Escala de Segurança. Todavia, a análise da associação das pontuações intersistemas, pôs em evidência que estas se encontram apenas moderadamente correlacionadas. Com base na análise de dois excertos de entrevistas, é discutida a possibilidade de as duas abordagens se debaterem com dimensões representacionais e comportamentais distintas. |
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