Publicação

Genética e Toma de Estatinas na Progressão da Degenerescência Macular da Idade

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:INTRODUÇÃO: A degenerescência macular da idade (DMI) é uma doença multifactorial cuja fisiopatologia permanece inconclusiva. O metabolismo lipídico é um dos mecanismos identificados. Os drusen, característicos da doença, são ricos em lípidos. Adicionalmente, estão associados à doença genes da homeostase lipídica. As estatinas são fármacos estudados como alvo terapêutico, embora sem resultados conclusivos. O nosso objectivo é avaliar se as estatinas são protectoras da progressão da DMI, considerando o risco genético para a doença. MATERIAL E MÉTODOS: Seiscentos oitenta três participantes (1321 olhos): 112 progressores ao longo de 6,5 anos (168 olhos) e 561 não progresores (1153 olhos). Os progressores progrediram do nível 0, 1a ou 1b para os níveis 2,3 e 4 entre visitas do Coimbra Eye Study (Classificação de Roterdão). Foram apenas considerados os participantes que tomaram estatinas entre as visitas. O risco genético foi calculado com os 52 SNPs. Definiu-se a potência das estatinas de acordo com guidelines do INFARMED. Calculou-se a associação entre as estatinas e a progressão da DMI usando uma extensão do modelo de regressão de COX, ajustado à baseline para a idade, sexo, IMC, tabaco, diabetes e pressão arterial. A toma de estatinas foi corrigida pelo risco genético. Considerou-se a correlação entre olhos. RESULTADOS: A associação entre as estatinas e risco diminuído de progressão da DMI foi estatisticamente significativa (HR=0,509, 95% CI 0,302-0,860, p=0,012), ajustada à baseline para a idade, sexo, IMC, tabaco, diabetes e pressão arterial. Esta associação manteve-se para as estatinas de alta e média potência (HR=0,482, 95% CI 0,285-0,814, p=0,006), mas não para as de baixa potência (HR=1,321, 95% CI 0,159-10,995, p=0,797). A associação à diminuição do risco de progressão manteve-se significativa depois de ajustada ao risco genético para a DMI (HR=0,516, 95% CI 0,293-0,91, p=0,022). CONCLUSÃO: A toma de estatinas sugeriu uma protecção contra a progressão da DMI, mesmo considerando o risco genético para a doença, evidenciando o envolvimento lipídico na sua fisiopatologia. Estes resultados indicam que as estatinas podem ser benéficas na gestão da doença, mesmo ponderando o perfil genético da DMI, contribuindo para uma possível estratégia terapêutica.
Autores principais:Cachulo, Maria Luz
Outros Autores:Farinha, Cláudia; Coimbra, Rita; Barbosa Melo, Joana; Cunha-Vaz, José; Silva, Rufino; Barreto, Patrícia
Assunto:Artigos Originais
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
Idioma:português
Origem:Revista Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
Descrição
Resumo:INTRODUÇÃO: A degenerescência macular da idade (DMI) é uma doença multifactorial cuja fisiopatologia permanece inconclusiva. O metabolismo lipídico é um dos mecanismos identificados. Os drusen, característicos da doença, são ricos em lípidos. Adicionalmente, estão associados à doença genes da homeostase lipídica. As estatinas são fármacos estudados como alvo terapêutico, embora sem resultados conclusivos. O nosso objectivo é avaliar se as estatinas são protectoras da progressão da DMI, considerando o risco genético para a doença. MATERIAL E MÉTODOS: Seiscentos oitenta três participantes (1321 olhos): 112 progressores ao longo de 6,5 anos (168 olhos) e 561 não progresores (1153 olhos). Os progressores progrediram do nível 0, 1a ou 1b para os níveis 2,3 e 4 entre visitas do Coimbra Eye Study (Classificação de Roterdão). Foram apenas considerados os participantes que tomaram estatinas entre as visitas. O risco genético foi calculado com os 52 SNPs. Definiu-se a potência das estatinas de acordo com guidelines do INFARMED. Calculou-se a associação entre as estatinas e a progressão da DMI usando uma extensão do modelo de regressão de COX, ajustado à baseline para a idade, sexo, IMC, tabaco, diabetes e pressão arterial. A toma de estatinas foi corrigida pelo risco genético. Considerou-se a correlação entre olhos. RESULTADOS: A associação entre as estatinas e risco diminuído de progressão da DMI foi estatisticamente significativa (HR=0,509, 95% CI 0,302-0,860, p=0,012), ajustada à baseline para a idade, sexo, IMC, tabaco, diabetes e pressão arterial. Esta associação manteve-se para as estatinas de alta e média potência (HR=0,482, 95% CI 0,285-0,814, p=0,006), mas não para as de baixa potência (HR=1,321, 95% CI 0,159-10,995, p=0,797). A associação à diminuição do risco de progressão manteve-se significativa depois de ajustada ao risco genético para a DMI (HR=0,516, 95% CI 0,293-0,91, p=0,022). CONCLUSÃO: A toma de estatinas sugeriu uma protecção contra a progressão da DMI, mesmo considerando o risco genético para a doença, evidenciando o envolvimento lipídico na sua fisiopatologia. Estes resultados indicam que as estatinas podem ser benéficas na gestão da doença, mesmo ponderando o perfil genético da DMI, contribuindo para uma possível estratégia terapêutica.