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Eficácia e Segurança do Brolucizumab na Degenerescência Macular da Idade Neovascular
| Summary: | INTRODUÇÃO: O brolucizumab (Beovu®) é um anti-fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF), aprovado pela Agência Europeia do Medicamento em 2020 para o tratamento da degenerescência macular da idade neovascular (DMI neovascular) e em 2022 para o edema macular diabético. Nos ensaios clínicos randomizados HAWK e HARRIER, mostrou melhorias da acuidade visual comparáveis ao aflibercept, com potencial para maior durabilidade. Contudo, dados pós-comercialização levantaram preocupações quanto à sua segurança. Este estudo visa avaliar a segurança e eficácia do brolucizumab em ambiente clínico real para a DMI neovascular, analisando resultados funcionais e anatómicos, intervalos entre injeções e eventos adversos. MÉTODOS: Este estudo retrospectivo incluiu 42 olhos com DMI neovascular tratados com brolucizumab no Hospital de Braga (2022-2023), que tiveram avaliação clínica com tomografia de coerência ótica (OCT) antes e após, pelo menos, uma injeção de brolucizumab. Foram avaliados a melhor acuidade visual corrigida (MAVC), a espessura central da retina (CRT), o volume macular (MV), a presença de fluido intraretiniano (IRF), fluido subretiniano (SRF), descolamento seroso do epitélio pigmentar (sPED), intervalos de tratamento e eventos adversos. RESULTADOS: Este estudo incluiu 42 olhos de 38 doentes (71,1% do sexo feminino, idade média de 78±8 anos, 57,1% fáquicos). A maioria dos olhos (95,2%) tinha sido submetido a tratamento prévio com anti-VEGF. A MAVC não apresentou alterações significativas (de 0,66±0,54 para 0,61±0,46 logMAR, p=0,251), embora os 2 olhos naïve tenham apresentado ambos uma melhoria de 25 letras ETDRS. A CRT melhorou significativamente (de 335,6±94,7 μm para 301,2±92,1 μm, p=0,005) e o MV também reduziu (de 8,36±1,08 mm³ para 7,98±0,87 mm³, p=0,003). A proporção de olhos com IRF diminuiu de 42,9% para 23,8% (p=0,021), com SRF de 69% para 28,6% (p<0,001), e com sPED de 33,3% para 19% (p=0,031). O intervalo médio de tratamento aumentou de 6,08±2,47 para 8,00±2,71 semanas (p=0,004). Foi reportada inflamação intraocular em 7,14% dos olhos (n=3), sem casos de vasculite retiniana ou oclusão vascular. CONCLUSÃO: O brolucizumab demonstrou eficácia na manutenção da acuidade visual e na melhoria dos parâmetros anatómicos, permitindo intervalos de tratamento superiores e reduzindo o burden do tratamento. A incidência de inflamação intraocular deve ser considerada, pelo que os doentes deverão ser cuidadosamente selecionados e monitorizados. |
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| Main Authors: | Vaz Pereira, Marta |
| Other Authors: | Mendes da Silva, Ana; Silva, Álvaro; Silva, Rui; Calvão Santos, Gil; Gouveia, Petra; Sousa, Keissy |
| Subject: | Artigos Originais |
| Year: | 2026 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | article |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Sociedade Portuguesa de Oftalmologia |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Revista Sociedade Portuguesa de Oftalmologia |
| Summary: | INTRODUÇÃO: O brolucizumab (Beovu®) é um anti-fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF), aprovado pela Agência Europeia do Medicamento em 2020 para o tratamento da degenerescência macular da idade neovascular (DMI neovascular) e em 2022 para o edema macular diabético. Nos ensaios clínicos randomizados HAWK e HARRIER, mostrou melhorias da acuidade visual comparáveis ao aflibercept, com potencial para maior durabilidade. Contudo, dados pós-comercialização levantaram preocupações quanto à sua segurança. Este estudo visa avaliar a segurança e eficácia do brolucizumab em ambiente clínico real para a DMI neovascular, analisando resultados funcionais e anatómicos, intervalos entre injeções e eventos adversos. MÉTODOS: Este estudo retrospectivo incluiu 42 olhos com DMI neovascular tratados com brolucizumab no Hospital de Braga (2022-2023), que tiveram avaliação clínica com tomografia de coerência ótica (OCT) antes e após, pelo menos, uma injeção de brolucizumab. Foram avaliados a melhor acuidade visual corrigida (MAVC), a espessura central da retina (CRT), o volume macular (MV), a presença de fluido intraretiniano (IRF), fluido subretiniano (SRF), descolamento seroso do epitélio pigmentar (sPED), intervalos de tratamento e eventos adversos. RESULTADOS: Este estudo incluiu 42 olhos de 38 doentes (71,1% do sexo feminino, idade média de 78±8 anos, 57,1% fáquicos). A maioria dos olhos (95,2%) tinha sido submetido a tratamento prévio com anti-VEGF. A MAVC não apresentou alterações significativas (de 0,66±0,54 para 0,61±0,46 logMAR, p=0,251), embora os 2 olhos naïve tenham apresentado ambos uma melhoria de 25 letras ETDRS. A CRT melhorou significativamente (de 335,6±94,7 μm para 301,2±92,1 μm, p=0,005) e o MV também reduziu (de 8,36±1,08 mm³ para 7,98±0,87 mm³, p=0,003). A proporção de olhos com IRF diminuiu de 42,9% para 23,8% (p=0,021), com SRF de 69% para 28,6% (p<0,001), e com sPED de 33,3% para 19% (p=0,031). O intervalo médio de tratamento aumentou de 6,08±2,47 para 8,00±2,71 semanas (p=0,004). Foi reportada inflamação intraocular em 7,14% dos olhos (n=3), sem casos de vasculite retiniana ou oclusão vascular. CONCLUSÃO: O brolucizumab demonstrou eficácia na manutenção da acuidade visual e na melhoria dos parâmetros anatómicos, permitindo intervalos de tratamento superiores e reduzindo o burden do tratamento. A incidência de inflamação intraocular deve ser considerada, pelo que os doentes deverão ser cuidadosamente selecionados e monitorizados. |
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