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Variação do gasto energético de repouso e da composição corporal no primeiro mês após cirurgia bariátrica e metabólica

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Resumo:Enquadramento: A obesidade constitui um problema crescente de saúde pública, associado a doenças crónicas e maior mortalidade [1-4]. A cirurgia bariátrica e metabólica (CBM) é o tratamento mais eficaz da obesidade mórbida, embora implique alterações metabólicas [5-7]. A avaliação rigorosa do gasto energético em repouso (GER) é fundamental para a prescrição nutricional nos períodos pré e pós-operatório [8]. A calorimetria indireta (CI) é o método de referência para medição do GER, mas o seu uso clínico é limitado por custos e logística, sendo frequentemente substituída por métodos indiretos, como a impedância bioelétrica (BIA) [9-13]. Objetivo: Avaliar as alterações do GER e da composição corporal de doentes submetidos a CBM, no 1º mês pós-operatório (1M). Métodos: Estudo observacional prospetivo que incluiu adultos submetidos a CBM no CRI-O da ULS São João, entre março e junho de 2025. No pré-operatório imediato e no 1M, foi avaliado o GER por CI e por BIA e foi aferida a massa muscular esquelética (MME) e percentagem de massa gorda (MG) por BIA. Resultados: Foram incluídos 37 doentes (62,2 % mulheres; idade média 48±13 anos). Observou-se uma redução significativa do GER no 1M, tanto quando medido por CI (1891vs.1564 kcal/dia; p<0,001), como quando avaliado por BIA (1981 vs. 1802 kcal/dia; p<0,001), verificando-se uma correlação muito forte entre os dois métodos de avaliação, em ambos os momentos (Rs=0,931 e Rs=0,938; p<0,001). A MME diminuiu significativamente no 1M (31,4kgvs.29,1kg; p<0,001), ao contrário da MG que não apresentou diferenças significativas entre o 1M e o pré-operatório (p=0,03). Conclusão: Embora a CI permaneça o método de referência para avaliação do GER, a BIA demonstrou uma forte concordância com a mesma no período inicial de pós CBM.  A redução do GER foi proporcional à de MME, sugerindo que esta exerce maior influência no GER do que a MG que não sofre alterações significativas no 1M.
Autores principais:Santos Silva, Mariana
Outros Autores:Rachão, Bárbara; Ferreira, Catarina; Cardoso, Fábio; Lima da Costa, Eduardo; CRI-O, Equipa; Teixeira, Cristina
Assunto:Cirurgia Bariátrica e Metabólica Gasto Energético de Repouso Calorimetria Indireta Impedância Bioelétrica Composição Corporal
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:unknown
Instituição associada:Instituto Politécnico do Porto
Idioma:português
Origem:Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health
Descrição
Resumo:Enquadramento: A obesidade constitui um problema crescente de saúde pública, associado a doenças crónicas e maior mortalidade [1-4]. A cirurgia bariátrica e metabólica (CBM) é o tratamento mais eficaz da obesidade mórbida, embora implique alterações metabólicas [5-7]. A avaliação rigorosa do gasto energético em repouso (GER) é fundamental para a prescrição nutricional nos períodos pré e pós-operatório [8]. A calorimetria indireta (CI) é o método de referência para medição do GER, mas o seu uso clínico é limitado por custos e logística, sendo frequentemente substituída por métodos indiretos, como a impedância bioelétrica (BIA) [9-13]. Objetivo: Avaliar as alterações do GER e da composição corporal de doentes submetidos a CBM, no 1º mês pós-operatório (1M). Métodos: Estudo observacional prospetivo que incluiu adultos submetidos a CBM no CRI-O da ULS São João, entre março e junho de 2025. No pré-operatório imediato e no 1M, foi avaliado o GER por CI e por BIA e foi aferida a massa muscular esquelética (MME) e percentagem de massa gorda (MG) por BIA. Resultados: Foram incluídos 37 doentes (62,2 % mulheres; idade média 48±13 anos). Observou-se uma redução significativa do GER no 1M, tanto quando medido por CI (1891vs.1564 kcal/dia; p<0,001), como quando avaliado por BIA (1981 vs. 1802 kcal/dia; p<0,001), verificando-se uma correlação muito forte entre os dois métodos de avaliação, em ambos os momentos (Rs=0,931 e Rs=0,938; p<0,001). A MME diminuiu significativamente no 1M (31,4kgvs.29,1kg; p<0,001), ao contrário da MG que não apresentou diferenças significativas entre o 1M e o pré-operatório (p=0,03). Conclusão: Embora a CI permaneça o método de referência para avaliação do GER, a BIA demonstrou uma forte concordância com a mesma no período inicial de pós CBM.  A redução do GER foi proporcional à de MME, sugerindo que esta exerce maior influência no GER do que a MG que não sofre alterações significativas no 1M.