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Hiperbilirrubinemia direta como pista para o diagnóstico - a propósito de um caso clínico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Enquadramento: A produção de proteínas plasmáticas anormais e em concentrações que excedem os limites fisiológicos como acontece no Mieloma Múltiplo (MM) é uma importante fonte de interferência nos testes laboratoriais [1,2,3]. Estudos mais recentes demonstraram que as paraproteínas podem causar resultados falso-positivos para bilirrubina direta (BD) [4]. Descrição do caso clínico: Mulher de 65 anos de idade, com quadro clínico e analítico compatível com o diagnóstico de MM, que motivou encaminhamento para a nossa instituição. Objetivo: Sensibilizar os profissionais do laboratório para a ocorrência deste tipo de interferência analítica, associada à presença de uma Gamapatia Monoclonal, funcionando como “pista” para o diagnóstico destas patologias. Métodos: A determinação quantitativa da BD foi realizada nos auto-analisadores AU5800 da Beckman Coulter, que consiste num ensaio fotométrico em que a BD reage com um sal de diazónico estabilizado, em meio ácido para formar azobilirrubina, cuja absorbância a 570/660 nm é proporcional à concentração de BD na amostra [5]. Resultados: O hemograma apresenta anemia normocrómica e normocítica, com formação de rouleaux no esfregaço de sangue periférico, com proteínas totais de 13,0 g/dL, bilirrubina total (BT) de 0,40 mg/dL e BD de 1,56 mg/dL. Conclusões: A determinação quantitativa da BD dá-se em meio fortemente ácido (pH 1). Para evitar a precipitação das proteínas, o reagente contém um “agente estabilizador de proteínas”. Contudo, quando as concentrações proteicas são muito elevadas, esta capacidade de solubilização parece não ser suficiente e as paraproteínas precipitam, podendo dar origem a valores de BD negativos ou concentrações de BD superiores às concentrações de BT [1,3–5].  Num laboratório clínico existem múltiplas interferências que podem afetar a precisão analítica. Neste caso, a precipitação de proteínas após a adição do reagente provoca uma turvação que vai interferir nas leituras de absorvância realizadas pelo auto-analisador [5,6].
Autores principais:Cardoso, Lília
Outros Autores:Gonçalves , Nuno; Barreto , João Pedro; Martins , Gabriela; Mendes, Carlos
Assunto:bilirrubina direta gamapatias monoclonais mieloma múltiplo paraproteína
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:unknown
Instituição associada:Instituto Politécnico do Porto
Idioma:português
Origem:Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health
Descrição
Resumo:Enquadramento: A produção de proteínas plasmáticas anormais e em concentrações que excedem os limites fisiológicos como acontece no Mieloma Múltiplo (MM) é uma importante fonte de interferência nos testes laboratoriais [1,2,3]. Estudos mais recentes demonstraram que as paraproteínas podem causar resultados falso-positivos para bilirrubina direta (BD) [4]. Descrição do caso clínico: Mulher de 65 anos de idade, com quadro clínico e analítico compatível com o diagnóstico de MM, que motivou encaminhamento para a nossa instituição. Objetivo: Sensibilizar os profissionais do laboratório para a ocorrência deste tipo de interferência analítica, associada à presença de uma Gamapatia Monoclonal, funcionando como “pista” para o diagnóstico destas patologias. Métodos: A determinação quantitativa da BD foi realizada nos auto-analisadores AU5800 da Beckman Coulter, que consiste num ensaio fotométrico em que a BD reage com um sal de diazónico estabilizado, em meio ácido para formar azobilirrubina, cuja absorbância a 570/660 nm é proporcional à concentração de BD na amostra [5]. Resultados: O hemograma apresenta anemia normocrómica e normocítica, com formação de rouleaux no esfregaço de sangue periférico, com proteínas totais de 13,0 g/dL, bilirrubina total (BT) de 0,40 mg/dL e BD de 1,56 mg/dL. Conclusões: A determinação quantitativa da BD dá-se em meio fortemente ácido (pH 1). Para evitar a precipitação das proteínas, o reagente contém um “agente estabilizador de proteínas”. Contudo, quando as concentrações proteicas são muito elevadas, esta capacidade de solubilização parece não ser suficiente e as paraproteínas precipitam, podendo dar origem a valores de BD negativos ou concentrações de BD superiores às concentrações de BT [1,3–5].  Num laboratório clínico existem múltiplas interferências que podem afetar a precisão analítica. Neste caso, a precipitação de proteínas após a adição do reagente provoca uma turvação que vai interferir nas leituras de absorvância realizadas pelo auto-analisador [5,6].