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Intertextualidade e interdiscursividade: a relação da literatura com o discurso social a propósito da ideia de identidade cultural portuguesa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este artigo analisa a relação entre a intertextualidade, enquanto rede textual de pelo menos dois textos ou multiplicidade de textos e a interdiscursividade, enquanto discurso social composto por uma pluralidade de discursos numa sociedade, a propósito da ideia de identidade cultural portuguesa. A identidade é concebida como uma proposta mais do que uma substância, isto é, não como algo que se tem e a que se pode aceder mas como algo que se inventa e constrói. Por outras palavras, o conceito de identidade torna-se uma representação social que assume funções ideológicas e inspira estratégias sociais que dá conta do carácter transitório, das negociações de sentido e das transformações dos processos de identificação. Neste contexto, a literatura tem constituído um fundamento importante da memória coletiva e, possivelmente, da ideia de identidade ao refletir a «procura da perceção comum» e a «integração no grupo», uma busca que, por vezes, se tem exprimido de formas místicas e tem suscitado de modo radical expressões de carácter messiânico em favor do povo português e dos seus alegados destinos universais mas que, outras vezes, pretende demonstrar o peso catatónico que a identificação com figuras de puro estereótipo pode adquirir. A literatura reflete esta tensão e, seja qual for a tendência para que se incline, reflete também o forte elemento comunitário que é comum à leitura literária.
Autores principais:Sequeira, Rosa Maria
Assunto:Intertextualidade Interdiscursividade Identidade cultural Literatura portuguesa contemporânea
Ano:1999
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Aberta
Idioma:português
Origem:Repositório Aberto da Universidade Aberta
Descrição
Resumo:Este artigo analisa a relação entre a intertextualidade, enquanto rede textual de pelo menos dois textos ou multiplicidade de textos e a interdiscursividade, enquanto discurso social composto por uma pluralidade de discursos numa sociedade, a propósito da ideia de identidade cultural portuguesa. A identidade é concebida como uma proposta mais do que uma substância, isto é, não como algo que se tem e a que se pode aceder mas como algo que se inventa e constrói. Por outras palavras, o conceito de identidade torna-se uma representação social que assume funções ideológicas e inspira estratégias sociais que dá conta do carácter transitório, das negociações de sentido e das transformações dos processos de identificação. Neste contexto, a literatura tem constituído um fundamento importante da memória coletiva e, possivelmente, da ideia de identidade ao refletir a «procura da perceção comum» e a «integração no grupo», uma busca que, por vezes, se tem exprimido de formas místicas e tem suscitado de modo radical expressões de carácter messiânico em favor do povo português e dos seus alegados destinos universais mas que, outras vezes, pretende demonstrar o peso catatónico que a identificação com figuras de puro estereótipo pode adquirir. A literatura reflete esta tensão e, seja qual for a tendência para que se incline, reflete também o forte elemento comunitário que é comum à leitura literária.