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Um outro modo de pertencer: a acção moral dos sem-abrigo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:De forma generalizada, os sem-abrigo são representados e tratados pelos não-sem-abrigo como sujeitos amorais e anormativos, o que diminui de forma fundamental as suas possibilidades de vida. Esta expulsão dos sem-abrigo das esferas da moral e da normatividade dominante traduz-se num laço de tipo particular que liga estes sujeitos à colectividade com que partilham um espaço-tempo na exacta medida em que os desqualifica face a todos os outros sujeitos. Devido a isto, diversos sem-abrigo exploram possibilidades de constituição de uma forma de pertença à colectividade que não os menorize, o que, necessariamente, tem de se processar como um exercício de reintegração moral e normativa dos sujeitos. Contra as expectativas de que sejam amorais, diversos sem-abrigo repetidamente expressam um impulso moral de responsabilização pelo outro necessitado de ajuda, concretizado através de dádivas de si mesmo ao outro. É a imediaticidade da necessidade do outro que dá origem a estes actos, que dispensam quaisquer outras considerações. Mas, na sucessão de tais acções morais efectivadas como dom, estes sujeitos reivindicam e procuram gerar um outro tipo de laço com a colectividade, que não os inferiorize e lhes permita constituírem-se como sujeitos ao mesmo nível dos restantes.
Autores principais:Aldeia, João
Assunto:Dom Moral Sem-abrigo Gift Homeless Morality
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Aberta
Idioma:português
Origem:Repositório Aberto da Universidade Aberta
Descrição
Resumo:De forma generalizada, os sem-abrigo são representados e tratados pelos não-sem-abrigo como sujeitos amorais e anormativos, o que diminui de forma fundamental as suas possibilidades de vida. Esta expulsão dos sem-abrigo das esferas da moral e da normatividade dominante traduz-se num laço de tipo particular que liga estes sujeitos à colectividade com que partilham um espaço-tempo na exacta medida em que os desqualifica face a todos os outros sujeitos. Devido a isto, diversos sem-abrigo exploram possibilidades de constituição de uma forma de pertença à colectividade que não os menorize, o que, necessariamente, tem de se processar como um exercício de reintegração moral e normativa dos sujeitos. Contra as expectativas de que sejam amorais, diversos sem-abrigo repetidamente expressam um impulso moral de responsabilização pelo outro necessitado de ajuda, concretizado através de dádivas de si mesmo ao outro. É a imediaticidade da necessidade do outro que dá origem a estes actos, que dispensam quaisquer outras considerações. Mas, na sucessão de tais acções morais efectivadas como dom, estes sujeitos reivindicam e procuram gerar um outro tipo de laço com a colectividade, que não os inferiorize e lhes permita constituírem-se como sujeitos ao mesmo nível dos restantes.