Publicação
À margem do cânone: trânsitos apócrifos n'O evangelho segundo Jesus Cristo
| Resumo: | Este artigo examina trânsitos literários relacionados com tradições bíblico-apócrifas presentes no romance "O evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), um dos mais intertextuais de José Saramago, com um arcabouço referencial sofisticado, que excede em muito a narrativa bíblica canónica. Trata-se de analisar como Saramago recolhe personagens, episódios e detalhes narrativos sobretudo dos evangelhos da natividade e da infância, um diálogo ainda pouco estudado pela crítica saramaguiana. A análise mostra que o romance opera um duplo movimento de aproximação e distanciamento desses textos, revelando tanto a sua força cultural como alguns dos processos de receção que os tornaram parte do imaginário ocidental. Mostra-se ainda que Saramago atua como um autor apócrifo tardio, combinando fontes textuais, tradição iconográfica e objetos de veneração para criar a sua própria iconografia literária, marcada pela insistência no humano e por uma reescrita que desestabiliza leituras dogmáticas. |
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| Autores principais: | Grünhagen, Sara |
| Assunto: | José Saramago, 1922-2010 O evangelho segundo Jesus Cristo Trânsitos literários Evangelhos apócrifos |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Aberta |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Aberto da Universidade Aberta |
| Resumo: | Este artigo examina trânsitos literários relacionados com tradições bíblico-apócrifas presentes no romance "O evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), um dos mais intertextuais de José Saramago, com um arcabouço referencial sofisticado, que excede em muito a narrativa bíblica canónica. Trata-se de analisar como Saramago recolhe personagens, episódios e detalhes narrativos sobretudo dos evangelhos da natividade e da infância, um diálogo ainda pouco estudado pela crítica saramaguiana. A análise mostra que o romance opera um duplo movimento de aproximação e distanciamento desses textos, revelando tanto a sua força cultural como alguns dos processos de receção que os tornaram parte do imaginário ocidental. Mostra-se ainda que Saramago atua como um autor apócrifo tardio, combinando fontes textuais, tradição iconográfica e objetos de veneração para criar a sua própria iconografia literária, marcada pela insistência no humano e por uma reescrita que desestabiliza leituras dogmáticas. |
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