Publicação
Saúde mental em contexto migratório: um estudo na Região de Lisboa
| Resumo: | Resumo- No mundo global em que vivemos as migrações têm vindo a tornar-se um fenómeno cada vez mais frequente. Como tal, é importante dar especial atenção à saúde dos migrantes, nomeadamente, à sua saúde mental. O presente estudo debruça-se sobre a saúde mental em contexto migratório, abrangendo imigrantes que recorreram a serviços de saúde mental na região de Lisboa. Na parte referente ao enquadramento teórico são abordados conceitos de saúde e doença mental, e a psiquiatria numa perspectiva transcultural. É ainda desenvolvido o tema da aculturação, e alguns aspectos relativos à diversidade cultural, migrações e saúde. A investigação teve como principais objectivos identificar os problemas psíquicos predominantes em imigrantes que recorrem a serviços de saúde mental da região de Lisboa e compreender em que medida a imigração é factor desencadeante de psicopatologia e doença mental. Trata-se de um estudo de carácter exploratório e descritivo, tendo sido utilizada uma metodologia de natureza qualitativa. Foi seleccionada a entrevista semi-estruturada como instrumento de recolha de dados relativos à população em estudo que consistiu numa amostra intencional de 20 imigrantes que recorreram a serviços de saúde mental na região de Lisboa. Após ter sido feita a caracterização da amostra em estudo, procedeu-se à análise de conteúdo da informação recolhida, processo utilizado na análise dos dados. Ao longo da análise, houve, simultaneamente, recurso à literatura sobre o tema e a informação obtida por intermédio de informadores qualificados. Participaram 20 imigrantes cuja média de idades é de 35,4 anos, em que 60% são do sexo masculino e 40% do sexo feminino, sendo o diagnóstico médico predominante a psicose esquizofrénica (30%), seguindo-se a perturbação bipolar e a perturbação depressiva com a mesma percentagem de resultados (20%). As principais conclusões do estudo revelam que: Os motivos que levaram os entrevistados a procurar apoio na área da saúde mental foram perturbações inespecíficas (as mais evocadas foram as situações de doença e perturbação mental, mas também as alucinações auditivas, o “esgotamento”, o nervosismo e ansiedade) e perturbações específicas (como o alcoolismo, a depressão, o stress, a insónia e alguma sintomatologia física). Também foram referidos o pedido de ajuda e ajuste terapêutico; O encaminhamento para a consulta/hospital foi efectuado por familiares e profissionais de saúde, e também pelo próprio. Vizinhos, amigos ou a polícia também foram referidos; A doença actual é referida essencialmente através de sinais e sintomas psíquicos/comportamentais (alterações do pensamento e da memória, ideias de conteúdo persecutório e de suicídio, “doença na cabeça” e depressão, alterações do sistema nervoso, alterações comportamentais, stress e alcoolismo), sendo também referidos, embora de forma pouco específica, sinais e sintomas físicos; Quanto a antecedentes de patologia psíquica, anteriormente à imigração, foram referidos por nove dos entrevistados (apontando predominantemente, alterações comportamentais e problemas mentais). Posteriormente à imigração, as alterações psíquicas apresentadas foram referidas por treze dos inquiridos, como tendo inicio após uma situação marcante, potencialmente traumática, como é o caso de problemas familiares e laborais, de mudança de residência, do processo de legalização e de doença física grave; A maioria dos entrevistados apresenta também problemas físicos, para além dos psíquicos; Todos os inquiridos já recorreram aos serviços de saúde portugueses, tanto aos psiquiátricos como aos gerais (não-psiquiátricos); Quanto ao acesso à saúde, em Portugal, a maioria (65%) dos entrevistados referiram não sentir dificuldades. Contudo, alguns focaram dificuldades comunicacionais (25%) e burocráticas (15%); Todos os entrevistados, desde que imigraram, já vivenciaram experiências marcantes. Relativamente às positivas, focaram situações de libertação familiar, de ajuda humanitária e de melhor remuneração. Quanto às experiências negativas, referiram, sobretudo, aspectos familiares, profissionais, de doença e de discriminação; Os imigrantes entrevistados consideram os técnicos de saúde portugueses, com quem têm contactado, competentes, simpáticos e comunicativos. Contudo, por vezes, incompetentes e mal-educados. Quanto aos portugueses em geral, consideram-nos simpáticos, embora por vezes isolados, fechados, desconfiados, cobardes e alcoólicos; A integração social em Portugal, tem sido influenciada por facilidades/dificuldades que dizem respeito, não só ao próprio imigrante, mas também às condições em Portugal |
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| Autores principais: | Rosa, Cláudia Fernanda Soares Carvalho |
| Assunto: | Sociologia das migrações Sociologia da saúde Imigração Imigrantes Saúde mental Multiculturalismo Aculturação Psicologia intercultural Psiquiatria Distúrbios do comportamento Lisboa Mental health/illness Migration Cultural diversity Acculturation Multicultural healthcare |
| Ano: | 2007 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Aberta |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Aberto da Universidade Aberta |
| Resumo: | Resumo- No mundo global em que vivemos as migrações têm vindo a tornar-se um fenómeno cada vez mais frequente. Como tal, é importante dar especial atenção à saúde dos migrantes, nomeadamente, à sua saúde mental. O presente estudo debruça-se sobre a saúde mental em contexto migratório, abrangendo imigrantes que recorreram a serviços de saúde mental na região de Lisboa. Na parte referente ao enquadramento teórico são abordados conceitos de saúde e doença mental, e a psiquiatria numa perspectiva transcultural. É ainda desenvolvido o tema da aculturação, e alguns aspectos relativos à diversidade cultural, migrações e saúde. A investigação teve como principais objectivos identificar os problemas psíquicos predominantes em imigrantes que recorrem a serviços de saúde mental da região de Lisboa e compreender em que medida a imigração é factor desencadeante de psicopatologia e doença mental. Trata-se de um estudo de carácter exploratório e descritivo, tendo sido utilizada uma metodologia de natureza qualitativa. Foi seleccionada a entrevista semi-estruturada como instrumento de recolha de dados relativos à população em estudo que consistiu numa amostra intencional de 20 imigrantes que recorreram a serviços de saúde mental na região de Lisboa. Após ter sido feita a caracterização da amostra em estudo, procedeu-se à análise de conteúdo da informação recolhida, processo utilizado na análise dos dados. Ao longo da análise, houve, simultaneamente, recurso à literatura sobre o tema e a informação obtida por intermédio de informadores qualificados. Participaram 20 imigrantes cuja média de idades é de 35,4 anos, em que 60% são do sexo masculino e 40% do sexo feminino, sendo o diagnóstico médico predominante a psicose esquizofrénica (30%), seguindo-se a perturbação bipolar e a perturbação depressiva com a mesma percentagem de resultados (20%). As principais conclusões do estudo revelam que: Os motivos que levaram os entrevistados a procurar apoio na área da saúde mental foram perturbações inespecíficas (as mais evocadas foram as situações de doença e perturbação mental, mas também as alucinações auditivas, o “esgotamento”, o nervosismo e ansiedade) e perturbações específicas (como o alcoolismo, a depressão, o stress, a insónia e alguma sintomatologia física). Também foram referidos o pedido de ajuda e ajuste terapêutico; O encaminhamento para a consulta/hospital foi efectuado por familiares e profissionais de saúde, e também pelo próprio. Vizinhos, amigos ou a polícia também foram referidos; A doença actual é referida essencialmente através de sinais e sintomas psíquicos/comportamentais (alterações do pensamento e da memória, ideias de conteúdo persecutório e de suicídio, “doença na cabeça” e depressão, alterações do sistema nervoso, alterações comportamentais, stress e alcoolismo), sendo também referidos, embora de forma pouco específica, sinais e sintomas físicos; Quanto a antecedentes de patologia psíquica, anteriormente à imigração, foram referidos por nove dos entrevistados (apontando predominantemente, alterações comportamentais e problemas mentais). Posteriormente à imigração, as alterações psíquicas apresentadas foram referidas por treze dos inquiridos, como tendo inicio após uma situação marcante, potencialmente traumática, como é o caso de problemas familiares e laborais, de mudança de residência, do processo de legalização e de doença física grave; A maioria dos entrevistados apresenta também problemas físicos, para além dos psíquicos; Todos os inquiridos já recorreram aos serviços de saúde portugueses, tanto aos psiquiátricos como aos gerais (não-psiquiátricos); Quanto ao acesso à saúde, em Portugal, a maioria (65%) dos entrevistados referiram não sentir dificuldades. Contudo, alguns focaram dificuldades comunicacionais (25%) e burocráticas (15%); Todos os entrevistados, desde que imigraram, já vivenciaram experiências marcantes. Relativamente às positivas, focaram situações de libertação familiar, de ajuda humanitária e de melhor remuneração. Quanto às experiências negativas, referiram, sobretudo, aspectos familiares, profissionais, de doença e de discriminação; Os imigrantes entrevistados consideram os técnicos de saúde portugueses, com quem têm contactado, competentes, simpáticos e comunicativos. Contudo, por vezes, incompetentes e mal-educados. Quanto aos portugueses em geral, consideram-nos simpáticos, embora por vezes isolados, fechados, desconfiados, cobardes e alcoólicos; A integração social em Portugal, tem sido influenciada por facilidades/dificuldades que dizem respeito, não só ao próprio imigrante, mas também às condições em Portugal |
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