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Qualidade do ar interior: desafios e custos da monitorização

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Resumo:A qualidade do ar interior (QAI) influencia diretamente a saúde, o conforto e o desempenho dos ocupantes. Este trabalho aborda os custos e os desafios da monitorização da QAI, descrevendo fontes, poluentes principais (CO₂, CO, CH₂O, COVs, PMx, partículas biológicas e radão) e outros poluentes emergentes (por exemplo COSV, PFAS, QAC, fragrâncias/terpenos). Apresentam-se as tecnologias de medição por parâmetro e o enquadramento legislativo e normativo. Com base em estudos recentes, é feita uma análise crítica à utilização de sensores de baixo custo, ao seu desempenho e custos estimados. Em termos de custos, os sensores e dispositivos low-cost situam-se tipicamente entre algumas dezenas e poucas centenas de euros, enquanto que instrumentos de referência se posicionam nas dezenas de milhares de euros, acrescidos de calibração e manutenção. A análise dos estudos demonstra que, para PM₂,₅ e CO₂, diversos dispositivos low-cost alcançam concordância operacionalmente adequada quando existe calibração planeada, co-localização com instrumentos de referência e procedimentos básicos de garantia e controlo de qualidade (QA/QC) (registo de temperatura/humidade, uso de várias unidades do mesmo modelo). Para COVs/CH₂O, a incerteza é maior e requer metodologias reforçadas (amostragem seletiva e validação laboratorial). Observa-se também que o desempenho em laboratório tende a superar o de campo, refletindo a sensibilidade à temperatura e humidade, e que a periodicidade de calibração condiciona a estabilidade do sinal ao longo do tempo. Relativamente aos poluentes emergentes, privilegia-se a redução na origem (materiais/produtos de baixas emissões) e, quando justificado, a avaliação específica com métodos direcionados, evitando monitorizações generalistas de baixa utilidade. Conclui-se que soluções de baixo custo podem ser viáveis para vigilância contínua, deteção de picos e apoio a decisões simples de ventilação/mitigação se acompanhadas por calibração e QA/QC; a normalização de protocolos de teste e validação permanece uma prioridade.
Autores principais:Ferreira, Cláudia Sofia de Oliveira
Assunto:Qualidade do ar interior Sensores de baixo custo Calibração e validação Poluentes emergentes Métodos de referência
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:A qualidade do ar interior (QAI) influencia diretamente a saúde, o conforto e o desempenho dos ocupantes. Este trabalho aborda os custos e os desafios da monitorização da QAI, descrevendo fontes, poluentes principais (CO₂, CO, CH₂O, COVs, PMx, partículas biológicas e radão) e outros poluentes emergentes (por exemplo COSV, PFAS, QAC, fragrâncias/terpenos). Apresentam-se as tecnologias de medição por parâmetro e o enquadramento legislativo e normativo. Com base em estudos recentes, é feita uma análise crítica à utilização de sensores de baixo custo, ao seu desempenho e custos estimados. Em termos de custos, os sensores e dispositivos low-cost situam-se tipicamente entre algumas dezenas e poucas centenas de euros, enquanto que instrumentos de referência se posicionam nas dezenas de milhares de euros, acrescidos de calibração e manutenção. A análise dos estudos demonstra que, para PM₂,₅ e CO₂, diversos dispositivos low-cost alcançam concordância operacionalmente adequada quando existe calibração planeada, co-localização com instrumentos de referência e procedimentos básicos de garantia e controlo de qualidade (QA/QC) (registo de temperatura/humidade, uso de várias unidades do mesmo modelo). Para COVs/CH₂O, a incerteza é maior e requer metodologias reforçadas (amostragem seletiva e validação laboratorial). Observa-se também que o desempenho em laboratório tende a superar o de campo, refletindo a sensibilidade à temperatura e humidade, e que a periodicidade de calibração condiciona a estabilidade do sinal ao longo do tempo. Relativamente aos poluentes emergentes, privilegia-se a redução na origem (materiais/produtos de baixas emissões) e, quando justificado, a avaliação específica com métodos direcionados, evitando monitorizações generalistas de baixa utilidade. Conclui-se que soluções de baixo custo podem ser viáveis para vigilância contínua, deteção de picos e apoio a decisões simples de ventilação/mitigação se acompanhadas por calibração e QA/QC; a normalização de protocolos de teste e validação permanece uma prioridade.