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Narrativa social de alunos (des)encaminhados do ensino regular: uma investigação com alunos de uma turma de um CEF

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O fracasso escolar é, muitas vezes, atribuído, pela escola, exclusivamente à falta de mérito e dons naturais dos alunos, desvalorizando-se a importância das desigualdades sociais e culturais na análise desta problemática. Assim, o insucesso escolar é tido como incapacidade, por parte do aluno, de atingir os patamares definidos por uma escola assente num código elaborado e com o qual nem todas as crianças e jovens convivem no seio familiar. Traduzido em retenções ao longo do percurso escolar dos alunos, o insucesso escolar obtém contornos de exclusão social para a qual a escola, direta (por via de mecanismos de exclusão interna) e/ou indiretamente (consentindo os processos de exclusão), vai contribuindo. É tendo por base, entre outros, os referenciais das teorias da reprodução social e cultural e os conceitos e mecanismos de exclusão social e escolar, bem como o testemunho de jovens alunos, que, ao longo do seu percurso escolar, foram vivenciando experiências de insucesso e exclusão, que analisamos esses processos (mecanismos de exclusão escolar) num contexto específico (numa escola secundária do litoral centro), refletindo, também, sobre as relações de poder e as desigualdades sociais e escolares. Foi objetivo central desta investigação compreender os mecanismos de exclusão, partindo da problematização do insucesso escolar e refletindo sobre as dinâmicas da escola, bem como analisar e refletir sobre as perspetivas dos participantes (constituídos como co investigadores) face à escola, a fim de perceber como sentem e reagem aos problemas que vivenciam. Este projeto, desenvolvido entre outubro de 2019 e maio de 2020- numa aproximação inicial à metodologia de Investigação-Ação Participativa, pretendia tornar audível, na comunidade escolar, um grupo de 12 alunos de um Curso de Educação e Formação de Serviços de Restauração e Bar, de uma escola secundária da zona litoral centro. Devido ao encerramento das escolas enquanto medida de contenção da propagação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), foi necessário ajustar a investigação já em curso, direcionando-a para a Investigação Qualitativa. Os resultados principais prendem-se com a perceção formada da Escola enquanto Instituição falsamente inocente no que concerne à problemática da reprodução das desigualdades de partida no seu interior (percetíveis nesta investigação) e aos mecanismos de exclusão escolar que vão vitimizando, de forma cada vez mais precoce, os alunos oriundos de famílias desfavorecidas e, consequentemente, com percursos marcados pelo insucesso escolar (que se deve, em parte, à distancia da cultura destes alunos da cultura erudita que a escola reproduz mas não traduz). Reconhecemos, que neste estudo em concreto, é possível perceber a influência direta e indireta da escola nos mecanismos de exclusão: Indireta, porque os consente; direta, porque, de forma ativa, vai (des) encaminhando estes alunos para cursos alternativos (como é exemplo os CEF) que desembocam no exterior da escola e que, muitas vezes (como constatamos na investigação), em nada se relacionam com a vontade dos alunos. Terminamos constatando que os participantes (alunos de uma turma de um CEF) se sentem, realmente, excluídos do interior da escola, alegando que ser aluno de um CEF é estar A baixo da base da hierarquia escolar.
Autores principais:Vidal, João Gonçalo Cardoso
Assunto:Cursos de educação e formação Desigualdades socais e escolares Exclusão Relações de poder Participação
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:O fracasso escolar é, muitas vezes, atribuído, pela escola, exclusivamente à falta de mérito e dons naturais dos alunos, desvalorizando-se a importância das desigualdades sociais e culturais na análise desta problemática. Assim, o insucesso escolar é tido como incapacidade, por parte do aluno, de atingir os patamares definidos por uma escola assente num código elaborado e com o qual nem todas as crianças e jovens convivem no seio familiar. Traduzido em retenções ao longo do percurso escolar dos alunos, o insucesso escolar obtém contornos de exclusão social para a qual a escola, direta (por via de mecanismos de exclusão interna) e/ou indiretamente (consentindo os processos de exclusão), vai contribuindo. É tendo por base, entre outros, os referenciais das teorias da reprodução social e cultural e os conceitos e mecanismos de exclusão social e escolar, bem como o testemunho de jovens alunos, que, ao longo do seu percurso escolar, foram vivenciando experiências de insucesso e exclusão, que analisamos esses processos (mecanismos de exclusão escolar) num contexto específico (numa escola secundária do litoral centro), refletindo, também, sobre as relações de poder e as desigualdades sociais e escolares. Foi objetivo central desta investigação compreender os mecanismos de exclusão, partindo da problematização do insucesso escolar e refletindo sobre as dinâmicas da escola, bem como analisar e refletir sobre as perspetivas dos participantes (constituídos como co investigadores) face à escola, a fim de perceber como sentem e reagem aos problemas que vivenciam. Este projeto, desenvolvido entre outubro de 2019 e maio de 2020- numa aproximação inicial à metodologia de Investigação-Ação Participativa, pretendia tornar audível, na comunidade escolar, um grupo de 12 alunos de um Curso de Educação e Formação de Serviços de Restauração e Bar, de uma escola secundária da zona litoral centro. Devido ao encerramento das escolas enquanto medida de contenção da propagação do novo coronavírus (SARS-CoV-2), foi necessário ajustar a investigação já em curso, direcionando-a para a Investigação Qualitativa. Os resultados principais prendem-se com a perceção formada da Escola enquanto Instituição falsamente inocente no que concerne à problemática da reprodução das desigualdades de partida no seu interior (percetíveis nesta investigação) e aos mecanismos de exclusão escolar que vão vitimizando, de forma cada vez mais precoce, os alunos oriundos de famílias desfavorecidas e, consequentemente, com percursos marcados pelo insucesso escolar (que se deve, em parte, à distancia da cultura destes alunos da cultura erudita que a escola reproduz mas não traduz). Reconhecemos, que neste estudo em concreto, é possível perceber a influência direta e indireta da escola nos mecanismos de exclusão: Indireta, porque os consente; direta, porque, de forma ativa, vai (des) encaminhando estes alunos para cursos alternativos (como é exemplo os CEF) que desembocam no exterior da escola e que, muitas vezes (como constatamos na investigação), em nada se relacionam com a vontade dos alunos. Terminamos constatando que os participantes (alunos de uma turma de um CEF) se sentem, realmente, excluídos do interior da escola, alegando que ser aluno de um CEF é estar A baixo da base da hierarquia escolar.