Publicação
Foto-identificação de tartarugas marinhas
| Resumo: | A seleção de indivíduos dentro de uma população de determinada espécie é um processo crucial para estimar dados ecológicos, como densidade populacional, padrões comportamentais ou sobrevivência. Métodos de Captura-Marcação-Recaptura (CMR) consistem na marcação de indivíduos e têm sido utilizados para monitorizar espécies elusivas, como é o caso da megafauna marinha. As tartarugas-marinhas são répteis que possuem uma elevada longevidade e grande parte do seu ciclo de vida é efetuado no mar. Contudo, aquando do período de reprodução, as fêmeas habitualmente acabam por regressar às praias onde nasceram para depositarem as suas posturas, o que representa uma clara oportunidade para as marcar. Tradicionalmente, a marcação das fêmeas é efetuada com a aplicação de marcadores externos, como as etiquetas (plásticas ou de metal), os microchips PIT ou dispositivos de deteção remota. No entanto estes marcadores podem ser muito dispendiosos, provocar lesões nos tecidos dos animais, impedir o movimento natural e geralmente não satisfazem a necessidade de monitorizar os espécimes a longo prazo. Em contrapartida, a foto-identificação é um processo não intrusivo e menos invasivo, que consiste na identificação de indivíduos com base nos padrões e marcações naturais dos mesmos. É propósito desta dissertação elaborar uma síntese do estado-da-arte acerca desta temática, focando as vantagens e limitações da sua utilização. Utilizaram-se algumas ilustrações de perfis faciais de tartarugas-olivácea (Lepidochelys olivacea) e tartarugas-comum (Caretta caretta), bem como perfis dorsais da cabeça de indivíduos de tartaruga-verde (Chelonia mydas) de forma a comparar e distinguir os indivíduos, exemplificando o processo subjacente à metodologia. Estudou-se também a possibilidade de se utilizarem as manchas brancas presentes nas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) para fins de foto-identificação. Com a análise dos perfis faciais, foi possível observar que os indivíduos poderiam ser diferenciados pela variação das escamas pós-oculares e timpânicas, enquanto pela análise dos perfis dorsais da cabeça observaram-se diferenças nas escamas frontais e pré-frontais de cada indivíduo. Analisando as pontuações brancas no perfil dorsal da cabeça de um indivíduo de tartaruga-de-couro, tornou-se claro que as pontuações são distintas o suficiente para poderem ser utilizadas nestes estudos. A análise dos padrões e marcações deve ser complementada com recurso a programas de identificação fotográfica, de forma que este processo seja mais fidedigno e imparcial. A adoção de novas formas tecnológicas em estudos de ecologia e a modernização das práticas de campo pode aproximar as comunidades locais e permitir a aquisição de uma maior quantidade de informação ecológica, servindo para a fomentar e promover conservação das tartarugas marinhas. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Miguel Vanzeller Gonçalves |
| Assunto: | Foto-identificação Dermochelys coriacea Lepidochelys olivacea Caretta caretta Chelonia mydas Mancha pineal Algoritmos I³S Wild-ID HotSpotter |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A seleção de indivíduos dentro de uma população de determinada espécie é um processo crucial para estimar dados ecológicos, como densidade populacional, padrões comportamentais ou sobrevivência. Métodos de Captura-Marcação-Recaptura (CMR) consistem na marcação de indivíduos e têm sido utilizados para monitorizar espécies elusivas, como é o caso da megafauna marinha. As tartarugas-marinhas são répteis que possuem uma elevada longevidade e grande parte do seu ciclo de vida é efetuado no mar. Contudo, aquando do período de reprodução, as fêmeas habitualmente acabam por regressar às praias onde nasceram para depositarem as suas posturas, o que representa uma clara oportunidade para as marcar. Tradicionalmente, a marcação das fêmeas é efetuada com a aplicação de marcadores externos, como as etiquetas (plásticas ou de metal), os microchips PIT ou dispositivos de deteção remota. No entanto estes marcadores podem ser muito dispendiosos, provocar lesões nos tecidos dos animais, impedir o movimento natural e geralmente não satisfazem a necessidade de monitorizar os espécimes a longo prazo. Em contrapartida, a foto-identificação é um processo não intrusivo e menos invasivo, que consiste na identificação de indivíduos com base nos padrões e marcações naturais dos mesmos. É propósito desta dissertação elaborar uma síntese do estado-da-arte acerca desta temática, focando as vantagens e limitações da sua utilização. Utilizaram-se algumas ilustrações de perfis faciais de tartarugas-olivácea (Lepidochelys olivacea) e tartarugas-comum (Caretta caretta), bem como perfis dorsais da cabeça de indivíduos de tartaruga-verde (Chelonia mydas) de forma a comparar e distinguir os indivíduos, exemplificando o processo subjacente à metodologia. Estudou-se também a possibilidade de se utilizarem as manchas brancas presentes nas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) para fins de foto-identificação. Com a análise dos perfis faciais, foi possível observar que os indivíduos poderiam ser diferenciados pela variação das escamas pós-oculares e timpânicas, enquanto pela análise dos perfis dorsais da cabeça observaram-se diferenças nas escamas frontais e pré-frontais de cada indivíduo. Analisando as pontuações brancas no perfil dorsal da cabeça de um indivíduo de tartaruga-de-couro, tornou-se claro que as pontuações são distintas o suficiente para poderem ser utilizadas nestes estudos. A análise dos padrões e marcações deve ser complementada com recurso a programas de identificação fotográfica, de forma que este processo seja mais fidedigno e imparcial. A adoção de novas formas tecnológicas em estudos de ecologia e a modernização das práticas de campo pode aproximar as comunidades locais e permitir a aquisição de uma maior quantidade de informação ecológica, servindo para a fomentar e promover conservação das tartarugas marinhas. |
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