Publicação
Processamento de expressões faciais ameaçadoras em vítimas de violência doméstica
| Resumo: | Tem-se observado que estímulos ameaçadores com relevância evolutiva (e.g., cobras e faces de raiva) são atendidos de forma mais eficiente e mais rápida. O enviesamento da atenção para estes estímulos parece estar potenciado na população com quadros psicopatológicos, nomeadamente em indivíduos com sintomatologia ansiosa. Recentemente, tem-se estudado como vítimas de crimes interpessoais atendem a estes estímulos, dado a possível influência que poderão ter na etiologia e/ou manutenção de psicopatologia. Contudo, até ao momento, o caso particular das vítimas de violência doméstica tem sido negligenciado. Nesse sentido, neste estudo pretendeu-se observar tempos e exatidão de respostas em mulheres vítimas de violência (comparativamente com um grupo de controlo de não vítimas) a expressões faciais ameaçadoras (em contraste com expressões emocionais positivas), através de uma tarefa de pesquisa visual. Foram manipulados os estímulos alvo faciais utilizados (raiva, medo, alegria), apresentados entre faces emocionais neutras, e os tempos de apresentação destes (600 e 1200 ms), procurando verificar se também nesta população se observa uma deteção potenciada de faces de ameaça (raiva e medo) e se esse efeito se encontra potenciado quando as matrizes de imagens são apresentadas mais rapidamente, i.e., quando o processamento ocorre de modo mais automático. Os resultados revelaram que os dois grupos acertavam mais quando as faces eram de alegria e erravam mais quando as faces eram de ameaça, demorando também mais tempo a detetar estas. Observou-se ainda que as vítimas revelaram ser mais rápidas na tarefa, independentemente do tipo de face, comparativamente ao grupo de controlo. Os tempos de resposta para os tempos de exposição mais longos (1200 ms) são discutidos abordando a hipótese de vigilância-evitamento. Discute-se ainda a implicação que este mecanismo poderá ter no desenvolvimento e/ou manutenção de psicopatologia em vítimas de violência doméstica que terminaram a relação abusiva. |
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| Autores principais: | Pereira, Lina Maria Tábuas da Cunha |
| Assunto: | Psicologia forense Violência familiar Expressão facial Psicologia do comportamento Emoções |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | Tem-se observado que estímulos ameaçadores com relevância evolutiva (e.g., cobras e faces de raiva) são atendidos de forma mais eficiente e mais rápida. O enviesamento da atenção para estes estímulos parece estar potenciado na população com quadros psicopatológicos, nomeadamente em indivíduos com sintomatologia ansiosa. Recentemente, tem-se estudado como vítimas de crimes interpessoais atendem a estes estímulos, dado a possível influência que poderão ter na etiologia e/ou manutenção de psicopatologia. Contudo, até ao momento, o caso particular das vítimas de violência doméstica tem sido negligenciado. Nesse sentido, neste estudo pretendeu-se observar tempos e exatidão de respostas em mulheres vítimas de violência (comparativamente com um grupo de controlo de não vítimas) a expressões faciais ameaçadoras (em contraste com expressões emocionais positivas), através de uma tarefa de pesquisa visual. Foram manipulados os estímulos alvo faciais utilizados (raiva, medo, alegria), apresentados entre faces emocionais neutras, e os tempos de apresentação destes (600 e 1200 ms), procurando verificar se também nesta população se observa uma deteção potenciada de faces de ameaça (raiva e medo) e se esse efeito se encontra potenciado quando as matrizes de imagens são apresentadas mais rapidamente, i.e., quando o processamento ocorre de modo mais automático. Os resultados revelaram que os dois grupos acertavam mais quando as faces eram de alegria e erravam mais quando as faces eram de ameaça, demorando também mais tempo a detetar estas. Observou-se ainda que as vítimas revelaram ser mais rápidas na tarefa, independentemente do tipo de face, comparativamente ao grupo de controlo. Os tempos de resposta para os tempos de exposição mais longos (1200 ms) são discutidos abordando a hipótese de vigilância-evitamento. Discute-se ainda a implicação que este mecanismo poderá ter no desenvolvimento e/ou manutenção de psicopatologia em vítimas de violência doméstica que terminaram a relação abusiva. |
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