Publicação
Avaliação da biodiversidade e biomassa nas capturas e rejeições da arte xávega operada em Mira - Coimbra
| Resumo: | A pesca é parte integrante e indispensável da cultura portuguesa. Evidência disso mesmo é o consumo per capita de peixe em Portugal, que é um dos maiores do mundo (61,77% em 2007) mas que pode eventualmente levar à exploração excessiva dos recursos pesqueiros. Sabe-se que atualmente muitas das espécies comercialmente relevantes estão sobre-exploradas. E um dos grandes contribuidores para a preocupação insuficiente com a sustentabilidade dos recursos explorados é o pouco ou nenhum conhecimento do que é efetivamente capturado. O pescado não contabilizado e não reportado pelos dados oficiais das capturas inclui pesca ilegal, pesca recreativa, pesca de subsistência e frequentemente as rejeições efectuadas antes do desembarque em lota. Este trabalho tem como objectivo principal contribuir para o conhecimento da dinâmica da arte xávega e da biodiversidade e biomassa envolvidas nas rejeições de modo a obter evidência científica para apoiar decisões socioeconómicas e de gestão para uma maior sustentabilidade desta arte tradicional. Foi feita a caracterização dos desembarques em lota e a análise das rejeições de duas embarcações de arte-xávega a operar na praia de Mira-Coimbra. Estimou-se, entre Junho e Setembro de 2015, um total de desembarques de ca. 57 toneladas para uma embarcação e de ca. 40 toneladas para a outra. Do conjunto das 39 espécies capturadas, foram desembarcados em lota espécimes de 20 espécies e rejeitados espécimes de 31 espécies. As principais espécies alvo foram o carapau (Trachurus trachurus), o biqueirão (Engraulis encrasicolus) e a lula-vulgar (Loligo vulgaris) que representaram respectivamente 58-73%, 13-24% e 6-9% do pescado desembarcado. No conjunto das espécies rejeitadas encontram-se espécies-alvo como o biqueirão, o carapau e a sardinha (Sardine pilchardus), espécies de baixo valor comercial e raramente desembarcadas como o ruivo (Chelidonichthys lucernus), e a faneca (Trisopterus luscus) e outras espécies acessórias como o caranguejo-pilado (Polybius henslowii). A biomassa rejeitada de espécies acessórias e de espécies-alvo variou entre, respectivamente, um e 44% e cinco e 75% da captura total por lance. Tipicamente a percentagem de rejeição mantevese entre os 20 e os 40%, excepto num dia em que não houve quaisquer rejeições e em dois dias em que chegou a representar 70-80% da captura total. A composição específica do pescado rejeitado variou ao longo do período de estudo em relação com a variabilidade da comunidade biológica capturada mas também de acordo com variações nas causas das rejeições. São brevemente abordadas as causas e as consequências das rejeições. O facto de que muitas das espécies rejeitadas poderiam encontrar outros destinos alternativos, levanta ainda a necessidade de obter mais informação sobre a quantidade de pescado que é efectivamente retirado dos oceanos, incluindo rejeições, para melhor perceber quais os efeitos da pesca na sustentabilidade dos recursos. |
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| Autores principais: | Louro, Inês Santos Gil |
| Assunto: | Biologia marinha Pesca artesanal - Praia de Mira (Portugal) Pesca - Gestão de recursos Fauna marinha - Captura Biodiversidade marinha |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A pesca é parte integrante e indispensável da cultura portuguesa. Evidência disso mesmo é o consumo per capita de peixe em Portugal, que é um dos maiores do mundo (61,77% em 2007) mas que pode eventualmente levar à exploração excessiva dos recursos pesqueiros. Sabe-se que atualmente muitas das espécies comercialmente relevantes estão sobre-exploradas. E um dos grandes contribuidores para a preocupação insuficiente com a sustentabilidade dos recursos explorados é o pouco ou nenhum conhecimento do que é efetivamente capturado. O pescado não contabilizado e não reportado pelos dados oficiais das capturas inclui pesca ilegal, pesca recreativa, pesca de subsistência e frequentemente as rejeições efectuadas antes do desembarque em lota. Este trabalho tem como objectivo principal contribuir para o conhecimento da dinâmica da arte xávega e da biodiversidade e biomassa envolvidas nas rejeições de modo a obter evidência científica para apoiar decisões socioeconómicas e de gestão para uma maior sustentabilidade desta arte tradicional. Foi feita a caracterização dos desembarques em lota e a análise das rejeições de duas embarcações de arte-xávega a operar na praia de Mira-Coimbra. Estimou-se, entre Junho e Setembro de 2015, um total de desembarques de ca. 57 toneladas para uma embarcação e de ca. 40 toneladas para a outra. Do conjunto das 39 espécies capturadas, foram desembarcados em lota espécimes de 20 espécies e rejeitados espécimes de 31 espécies. As principais espécies alvo foram o carapau (Trachurus trachurus), o biqueirão (Engraulis encrasicolus) e a lula-vulgar (Loligo vulgaris) que representaram respectivamente 58-73%, 13-24% e 6-9% do pescado desembarcado. No conjunto das espécies rejeitadas encontram-se espécies-alvo como o biqueirão, o carapau e a sardinha (Sardine pilchardus), espécies de baixo valor comercial e raramente desembarcadas como o ruivo (Chelidonichthys lucernus), e a faneca (Trisopterus luscus) e outras espécies acessórias como o caranguejo-pilado (Polybius henslowii). A biomassa rejeitada de espécies acessórias e de espécies-alvo variou entre, respectivamente, um e 44% e cinco e 75% da captura total por lance. Tipicamente a percentagem de rejeição mantevese entre os 20 e os 40%, excepto num dia em que não houve quaisquer rejeições e em dois dias em que chegou a representar 70-80% da captura total. A composição específica do pescado rejeitado variou ao longo do período de estudo em relação com a variabilidade da comunidade biológica capturada mas também de acordo com variações nas causas das rejeições. São brevemente abordadas as causas e as consequências das rejeições. O facto de que muitas das espécies rejeitadas poderiam encontrar outros destinos alternativos, levanta ainda a necessidade de obter mais informação sobre a quantidade de pescado que é efectivamente retirado dos oceanos, incluindo rejeições, para melhor perceber quais os efeitos da pesca na sustentabilidade dos recursos. |
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