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Educação e património cultural: roteiros para o ensino em Estarreja
| Resumo: | Partindo do reconhecimento de que é muito deficiente a educação escolar para o património cultural e de que são diversas as ameaças da pós-modernidade à preservação da nossa herança material e espiritual, com o presente estudo perseguimos dois objectivos essenciais: reflectir sobre a evolução recente dos conceitos de património cultural e apresentar algumas propostas para uma educação patrimonial em contexto educativo, sob a forma de inventário, partindo da situação em que se encontra o património o Município de Estarreja. Apesar de existir um programa geral, contemplado, tanto na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), como nos programas da área de Estudo do Meio (1.º Ciclo), nas disciplinas de História e Geografia de Portugal (2.º Ciclo) e História (3.º Ciclo) – e estranhamente só nestas –, na verdade, não há um programa de educação patrimonial de incidência local ou regional. As escolas, enquanto espaços de transmissão (da herança científica e cultural) e de descoberta (de caminhos novos), deverão ser praças da cidadania e estar atentas, tanto à educação científica, como à educação para o património natural e cultural. Nunca poderão estabelecer um profícuo relacionamento com o meio em que se inserem se o olhar dos seus alunos e professores for ignorante fora do estrito espaço físico delimitado pelos seus muros. Cabe às escolas, às autarquias, às associações e colectividades, em conjunto, construir um programa de educação patrimonial local, no sentido de resgatar memórias, de afirmar (e reconstruir) identidades, de preservar gestos e saberes, relegados para o buraco negro do esquecimento pela inexorável força centrípeta de Cronos, pelo ímpeto autofágico das tecnologias da globalização, pela velocidade das mudanças, pela pressão autoritária do presente. Nessa medida, esta dissertação constitui um contributo para um inventário do património cultural de Estarreja, oferecendo igualmente sugestões de actividades que, também de forma lúdica, possam formar cidadãos conhecedores das suas raízes, conscientes dos desafios da preservação material e espiritual, para assim saberem opor, a um tempo cronológico, devorador e vazio, um tempo cairológico, um tempo de encontros, de amizades, de memórias partilhadas, um tempo de criação, um tempo que, como diz João Maria André, “permite a compreensão da historicidade como acontecimento da liberdade”. Como se poderá ver, as actividades sugeridas e os materiais produzidos visam essencialmente as faixas etárias dos alunos do Ensino Básico – expressão que, por razões de limitação dos caracteres do título desta dissertação, foi amputada –, mas não será difícil construir propostas inovadoras para todos os alunos. |
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| Autores principais: | Vieira, Carla Susana Nunes Ferreira |
| Assunto: | Educação cultural Actividades extra-escolares Património cultural - Estarreja (Aveiro, Portugal) Património histórico Identidade cultural Etnografia portuguesa |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | Partindo do reconhecimento de que é muito deficiente a educação escolar para o património cultural e de que são diversas as ameaças da pós-modernidade à preservação da nossa herança material e espiritual, com o presente estudo perseguimos dois objectivos essenciais: reflectir sobre a evolução recente dos conceitos de património cultural e apresentar algumas propostas para uma educação patrimonial em contexto educativo, sob a forma de inventário, partindo da situação em que se encontra o património o Município de Estarreja. Apesar de existir um programa geral, contemplado, tanto na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), como nos programas da área de Estudo do Meio (1.º Ciclo), nas disciplinas de História e Geografia de Portugal (2.º Ciclo) e História (3.º Ciclo) – e estranhamente só nestas –, na verdade, não há um programa de educação patrimonial de incidência local ou regional. As escolas, enquanto espaços de transmissão (da herança científica e cultural) e de descoberta (de caminhos novos), deverão ser praças da cidadania e estar atentas, tanto à educação científica, como à educação para o património natural e cultural. Nunca poderão estabelecer um profícuo relacionamento com o meio em que se inserem se o olhar dos seus alunos e professores for ignorante fora do estrito espaço físico delimitado pelos seus muros. Cabe às escolas, às autarquias, às associações e colectividades, em conjunto, construir um programa de educação patrimonial local, no sentido de resgatar memórias, de afirmar (e reconstruir) identidades, de preservar gestos e saberes, relegados para o buraco negro do esquecimento pela inexorável força centrípeta de Cronos, pelo ímpeto autofágico das tecnologias da globalização, pela velocidade das mudanças, pela pressão autoritária do presente. Nessa medida, esta dissertação constitui um contributo para um inventário do património cultural de Estarreja, oferecendo igualmente sugestões de actividades que, também de forma lúdica, possam formar cidadãos conhecedores das suas raízes, conscientes dos desafios da preservação material e espiritual, para assim saberem opor, a um tempo cronológico, devorador e vazio, um tempo cairológico, um tempo de encontros, de amizades, de memórias partilhadas, um tempo de criação, um tempo que, como diz João Maria André, “permite a compreensão da historicidade como acontecimento da liberdade”. Como se poderá ver, as actividades sugeridas e os materiais produzidos visam essencialmente as faixas etárias dos alunos do Ensino Básico – expressão que, por razões de limitação dos caracteres do título desta dissertação, foi amputada –, mas não será difícil construir propostas inovadoras para todos os alunos. |
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