Publicação
Guia de anfíbios e répteis do BioRia
| Resumo: | Os anfíbios e os répteis apresentam preferências e requisitos ecológicos que variam entre as várias espécies, algumas mais ativas e outras que vivem de modo mais reservado. Podem ser observados nos mais variados habitats, contudo, a atividade é tipicamente restrita a períodos de condições meteorológicas favoráveis. Dando continuidade à coleção de guias de campo do BioRia (rede de percursos pedestres e cicláveis do concelho de Estarreja), foi elaborado um guia que permite a identificação das espécies de anfíbios e de répteis que ali são encontradas, com informações sobre a ecologia e a distribuição de cada espécie. Adicionalmente, os dados recolhidos para este efeito foram utilizados para determinar as preferências ecológicas dos anfíbios nesta região e as condições que conduziram ao registo do maior número de anfíbios, na área do BioRia. Realizaram-se amostragens dos vários percursos do BioRia através de observação direta, ao longo de transectos diurnos e noturnos, sob condições meteorológicas variáveis, principalmente durante o outono e a primavera, mas também (pontualmente) durante o verão, entre outubro de 2020 e junho de 2022. Foi registada a espécie de cada animal observado, a coordenada do local, o tempo ocorrido desde o último período de pluviosidade e a temperatura. O número de répteis registados foi reduzido, pelo que não foi efetuada a análise dos dados recolhidos. Relativamente aos anfíbios verificou-se que quanto maior a temperatura (entre 11 °C e 17 °C) e quando o último período de chuva terminava entre 12 e 48 horas antes da amostragem, maior o número de indivíduos detetados. Os percursos com campos agrícolas e galerias ripícolas foram, simultaneamente, os locais de observação onde se registou o maior número de indivíduos e espécies. Segundo os resultados dos modelos AICc obtidos para os melhores indicadores e as condições mais propícias à deteção do maior número de anfíbios, estima-se que os percursos com galerias ripícolas sejam os locais de observação mais propícios, que a presença de Bufo spinosus seja o melhor previsor para um elevado número de registos, que as temperaturas se situem no intervalo entre 11.1 °C e 13 °C e que o último período de pluviosidade tenha ocorrido entre as últimas 12 a 48 horas. O agravamento das alterações climáticas, juntamente com as observações realizadas no campo em que a pressão exercida pelas espécies invasoras e outros fatores como a alteração do uso do solo, drenagem de zonas húmidas e substituição de arrozais por campos de milho podem representar obstáculos à continuidade das populações de anfíbios já em declínio, sendo necessária a implementação de medidas de conservação para garantir a preservação destas espécies na área do BioRia. |
|---|---|
| Autores principais: | Santos, Ivo Pereira dos |
| Assunto: | Anfíbios Répteis Diversidade BioRia |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | Os anfíbios e os répteis apresentam preferências e requisitos ecológicos que variam entre as várias espécies, algumas mais ativas e outras que vivem de modo mais reservado. Podem ser observados nos mais variados habitats, contudo, a atividade é tipicamente restrita a períodos de condições meteorológicas favoráveis. Dando continuidade à coleção de guias de campo do BioRia (rede de percursos pedestres e cicláveis do concelho de Estarreja), foi elaborado um guia que permite a identificação das espécies de anfíbios e de répteis que ali são encontradas, com informações sobre a ecologia e a distribuição de cada espécie. Adicionalmente, os dados recolhidos para este efeito foram utilizados para determinar as preferências ecológicas dos anfíbios nesta região e as condições que conduziram ao registo do maior número de anfíbios, na área do BioRia. Realizaram-se amostragens dos vários percursos do BioRia através de observação direta, ao longo de transectos diurnos e noturnos, sob condições meteorológicas variáveis, principalmente durante o outono e a primavera, mas também (pontualmente) durante o verão, entre outubro de 2020 e junho de 2022. Foi registada a espécie de cada animal observado, a coordenada do local, o tempo ocorrido desde o último período de pluviosidade e a temperatura. O número de répteis registados foi reduzido, pelo que não foi efetuada a análise dos dados recolhidos. Relativamente aos anfíbios verificou-se que quanto maior a temperatura (entre 11 °C e 17 °C) e quando o último período de chuva terminava entre 12 e 48 horas antes da amostragem, maior o número de indivíduos detetados. Os percursos com campos agrícolas e galerias ripícolas foram, simultaneamente, os locais de observação onde se registou o maior número de indivíduos e espécies. Segundo os resultados dos modelos AICc obtidos para os melhores indicadores e as condições mais propícias à deteção do maior número de anfíbios, estima-se que os percursos com galerias ripícolas sejam os locais de observação mais propícios, que a presença de Bufo spinosus seja o melhor previsor para um elevado número de registos, que as temperaturas se situem no intervalo entre 11.1 °C e 13 °C e que o último período de pluviosidade tenha ocorrido entre as últimas 12 a 48 horas. O agravamento das alterações climáticas, juntamente com as observações realizadas no campo em que a pressão exercida pelas espécies invasoras e outros fatores como a alteração do uso do solo, drenagem de zonas húmidas e substituição de arrozais por campos de milho podem representar obstáculos à continuidade das populações de anfíbios já em declínio, sendo necessária a implementação de medidas de conservação para garantir a preservação destas espécies na área do BioRia. |
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