Publicação
Desenvolvimento de formulações lipossomais de fármacos leishmanicidas
| Resumo: | A leishmaniose representa uma infecção endémica que ocorre, predominantemente em países das regiões tropicais e subtropicais. Actualmente, a leishmaniose é considerada endémica em 88 países e estima-se que 12 milhões de pessoas estejam infectadas. Mundialmente existem 2 milhões de novos casos por ano e 1/10 da população mundial está em risco de ser infectada. Além disso, a co-infecção com o vírus de imunodeficiência adquirida (HIV) é uma doença emergente em numerosas partes do mundo. A leishmaniose pode ser dividida, de acordo com as manifestações clínicas, em 3 grupos: cutânea, mucocutânea e visceral. A leishmaniose visceral é uma doença grave causada pelo crescimento de um protozoário do complexo Leishmania donovani ou Leishmania infantum em células do retículo endotelial. Um insecto (vector) é responsável pela transmição do parasita entre pessoas ou animais. Estes parasitas desenvolvem uma variedade de mecanismos adaptativos que permitem a sua sobrevivência não só no vector, mas também na corrente sanguínea do hospedeiro vertebrado, conseguindo multiplicar-se em condições hostis, no interior dos macrófagos. Os fármacos actualmente disponíveis não conjugam actividade com níveis de toxicidade e custos aceitáveis. Além disso, a emergência de resistência parasitária a fármacos antileishmaniais e a ausência de uma abordagem quimioterapêutica alternativa revelam uma necessidade em desenvolver novos fármacos ou novas estratégias para o tratamento desta doença. As dinitroanilinas têm propriedades anti-leishmaniais, ligando-se preferencialmente às tubulinas dos parasitas. A orizalina (ORZ) é uma dinitroanilina que demonstrou ter actividade contra a Leishmania infantum in vitro. Contudo, a baixa solubilidade e a baixa pressão de vapor deste fármaco têm dificultado a sua aplicação como um agente anti-parasitário in vivo. As potencialidades dos lipossomas como sistema transportador de fármacos, têm sido exploradas com êxito, proporcionando um aumento da eficácia terapêutica de diversos fármacos. Além disso, a captação preferencial das formulações lipossómicas pelos macrófagos abre importantes perspectivas para o tratamento de Leishmania com ORZ. O objectivo da presente dissertação consistiu no desenvolvimento, caracterização e optimização de formulações lipossomais contendo ORZ, a fim de estudar a estabilidade destes sistemas em soro fisiológico e em albumina sérica bovina (BSA) para futuro teste de actividade in vivo. |
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| Autores principais: | Fernandes, David Miguel Mota |
| Assunto: | Microbiologia molecular Leishmaniose Parasitologia Farmacologia Lipossomas |
| Ano: | 2005 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A leishmaniose representa uma infecção endémica que ocorre, predominantemente em países das regiões tropicais e subtropicais. Actualmente, a leishmaniose é considerada endémica em 88 países e estima-se que 12 milhões de pessoas estejam infectadas. Mundialmente existem 2 milhões de novos casos por ano e 1/10 da população mundial está em risco de ser infectada. Além disso, a co-infecção com o vírus de imunodeficiência adquirida (HIV) é uma doença emergente em numerosas partes do mundo. A leishmaniose pode ser dividida, de acordo com as manifestações clínicas, em 3 grupos: cutânea, mucocutânea e visceral. A leishmaniose visceral é uma doença grave causada pelo crescimento de um protozoário do complexo Leishmania donovani ou Leishmania infantum em células do retículo endotelial. Um insecto (vector) é responsável pela transmição do parasita entre pessoas ou animais. Estes parasitas desenvolvem uma variedade de mecanismos adaptativos que permitem a sua sobrevivência não só no vector, mas também na corrente sanguínea do hospedeiro vertebrado, conseguindo multiplicar-se em condições hostis, no interior dos macrófagos. Os fármacos actualmente disponíveis não conjugam actividade com níveis de toxicidade e custos aceitáveis. Além disso, a emergência de resistência parasitária a fármacos antileishmaniais e a ausência de uma abordagem quimioterapêutica alternativa revelam uma necessidade em desenvolver novos fármacos ou novas estratégias para o tratamento desta doença. As dinitroanilinas têm propriedades anti-leishmaniais, ligando-se preferencialmente às tubulinas dos parasitas. A orizalina (ORZ) é uma dinitroanilina que demonstrou ter actividade contra a Leishmania infantum in vitro. Contudo, a baixa solubilidade e a baixa pressão de vapor deste fármaco têm dificultado a sua aplicação como um agente anti-parasitário in vivo. As potencialidades dos lipossomas como sistema transportador de fármacos, têm sido exploradas com êxito, proporcionando um aumento da eficácia terapêutica de diversos fármacos. Além disso, a captação preferencial das formulações lipossómicas pelos macrófagos abre importantes perspectivas para o tratamento de Leishmania com ORZ. O objectivo da presente dissertação consistiu no desenvolvimento, caracterização e optimização de formulações lipossomais contendo ORZ, a fim de estudar a estabilidade destes sistemas em soro fisiológico e em albumina sérica bovina (BSA) para futuro teste de actividade in vivo. |
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