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Atos de fala em português e espanhol: estudo intercultural e interlinguístico

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Resumo:O presente estudo, que se insere nos campos da pragmática intercultural e da pragmática da interlíngua, tem como objetivo contrastar padrões de produção de quatro atos de fala – pedidos, pedidos de desculpa, recusas e expressões de agradecimento – por falantes nativos de português, falantes nativos de espanhol e falantes não nativos de português que têm o espanhol como língua nativa. Selecionaram-se estes atos de fala pela sua adequação ao estudo da cortesia, uma vez que constituem atos ameaçadores de face (Brown & Levinson, 1987). Para cada um dos atos de fala, procura-se examinar a seleção de estratégias do ato nuclear, a utilização de modificação interna e externa, e o uso de alertadores. Adicionalmente, contrastam-se aspetos da produção dos atos de fala entre falantes nativos de português e falantes não nativos de português cuja língua nativa é o espanhol europeu, de forma a detetar possíveis casos de transferência pragmática. Os dados foram recolhidos mediante um questionário para complementar o discurso, constituído por 20 situações, diferindo quanto às variáveis de distância social e poder relativo. No total, foram analisados 4000 enunciados, de três grupos de respondentes diferentes (80 falantes nativos de português, 80 falantes nativos de espanhol e 40 aprendentes espanhóis de português língua estrangeira). Os resultados revelam diferenças no uso de estratégias de cortesia. Enquanto os falantes de português tendem a mitigar a força ilocutória de forma mais constante e a adotar estratégias de cortesia negativa, os falantes de espanhol utilizam mais frequentemente mecanismos de cortesia positiva, promovendo proximidade e solidariedade. No caso dos pedidos e recusas – atos ameaçadores da face do ouvinte, – os falantes nativos de português preferem estratégias indiretas. Já os falantes nativos de espanhol, embora formulem pedidos indiretos na maioria dos seus enunciados, utilizam pedidos diretos com mais frequência do que os portugueses. Na produção de recusas, os falantes nativos de espanhol privilegiam estratégias diretas. Relativamente aos atos que ameaçam a face do falante – pedidos de desculpa e expressões de agradecimento, – ambos os grupos de falantes nativos recorrem predominantemente a estratégias diretas. Desde uma perspetiva interlinguística, observou-se que a realização dos atos de fala por parte dos aprendentes espanhóis é influenciada pela sua língua materna. Perante estes resultados, espera-se que este estudo contrastivo promova uma compreensão mais aprofundada das semelhanças e diferenças pragmáticas entre as duas línguas e contribua para o sucesso comunicativo entre falantes de português e de espanhol em contextos interculturais.
Autores principais:Oliveira, Beatriz Moreira de
Assunto:Atos de fala Cortesia Pragmática intercultural Pragmática da interlíngua
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:O presente estudo, que se insere nos campos da pragmática intercultural e da pragmática da interlíngua, tem como objetivo contrastar padrões de produção de quatro atos de fala – pedidos, pedidos de desculpa, recusas e expressões de agradecimento – por falantes nativos de português, falantes nativos de espanhol e falantes não nativos de português que têm o espanhol como língua nativa. Selecionaram-se estes atos de fala pela sua adequação ao estudo da cortesia, uma vez que constituem atos ameaçadores de face (Brown & Levinson, 1987). Para cada um dos atos de fala, procura-se examinar a seleção de estratégias do ato nuclear, a utilização de modificação interna e externa, e o uso de alertadores. Adicionalmente, contrastam-se aspetos da produção dos atos de fala entre falantes nativos de português e falantes não nativos de português cuja língua nativa é o espanhol europeu, de forma a detetar possíveis casos de transferência pragmática. Os dados foram recolhidos mediante um questionário para complementar o discurso, constituído por 20 situações, diferindo quanto às variáveis de distância social e poder relativo. No total, foram analisados 4000 enunciados, de três grupos de respondentes diferentes (80 falantes nativos de português, 80 falantes nativos de espanhol e 40 aprendentes espanhóis de português língua estrangeira). Os resultados revelam diferenças no uso de estratégias de cortesia. Enquanto os falantes de português tendem a mitigar a força ilocutória de forma mais constante e a adotar estratégias de cortesia negativa, os falantes de espanhol utilizam mais frequentemente mecanismos de cortesia positiva, promovendo proximidade e solidariedade. No caso dos pedidos e recusas – atos ameaçadores da face do ouvinte, – os falantes nativos de português preferem estratégias indiretas. Já os falantes nativos de espanhol, embora formulem pedidos indiretos na maioria dos seus enunciados, utilizam pedidos diretos com mais frequência do que os portugueses. Na produção de recusas, os falantes nativos de espanhol privilegiam estratégias diretas. Relativamente aos atos que ameaçam a face do falante – pedidos de desculpa e expressões de agradecimento, – ambos os grupos de falantes nativos recorrem predominantemente a estratégias diretas. Desde uma perspetiva interlinguística, observou-se que a realização dos atos de fala por parte dos aprendentes espanhóis é influenciada pela sua língua materna. Perante estes resultados, espera-se que este estudo contrastivo promova uma compreensão mais aprofundada das semelhanças e diferenças pragmáticas entre as duas línguas e contribua para o sucesso comunicativo entre falantes de português e de espanhol em contextos interculturais.