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Geologia estrutural do Parautóctone da região de Montalegre (N de Portugal)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A área de estudo localiza-se no extremo Norte de Portugal, na região de Montalegre, em Trás-os-Montes Ocidental. Do ponto de vista geológico situa-se nos terrenos parautóctones da Zona de Galiza-Trás-os-Montes (ZGTM), mais concretamente no Parautóctone Superior. Em linhas gerais, a região estudada está constituída por metassedimentos do Silúrico, metamorfizados e deformados durante a Orogenia Varisca, e por rochas graníticas que intruíram, na sua maioria, durante e após as fases finais da Orogenia. Ocorrem também numerosos filões de quartzo que nuns casos seguem a orientação da fraturação regional tardi-varisca (N-S a NNE-SSO) e noutros, com menor dimensão e sem representação cartográfica, aparecem intimamente ligados às estruturas dos metassedimentos hospedeiros. Estão ainda presentes pequenos corpos pegmatíticos e massas graníticas dispostos, geralmente, segundo as estruturas variscas (NO-SE) dominantes na região. Nas rochas metamórficas reconhecem-se três litótipos principais: metagrauvaques, quartzitos e metapelitos. Os metagrauvaques são dominantes mas os três tipos de rochas ocorrem em íntima associação espacial. O estudo destas rochas permitiu a identificação da atuação de 3 fases de deformação dúctil variscas (D1, D2 e D3) que deram origem a dobras, lineações e à formação de três gerações de xistosidades (S1, S2 e S3). As estruturas da primeira e da segunda fases (D1 e D2) são anteriores à instalação da maior parte dos corpos graníticos e encontram-se presentes em toda a área. Em contraste, as estruturas de terceira fase (D3), apresentam uma distribuição mais heterogénea. De acordo com os dados adquiridos, a D3 deve estar relacionada com uma importante zona de cisalhamento dúctil, transcorrente, com movimentação direita e direção NO-SE. Tendo em conta a intensidade e características das estruturas D3, é possível estabelecer nos metassedimentos da região de Montalegre dois setores ou domínios principais: (a) um setor milonítico, onde as estruturas D3 (dobras, xistosidade S3, lineação de estiramento) são tão penetrativas que obliteram os “fabrics” mais antigos e (b) um domínio setentrional, onde a D3 foi menos intensa e o “fabric” S2 está bem preservado, embora afetado pelas dobras da 3.ª fase. As observações de campo e o estudo petrográfico levado a cabo em amostras representativas da área permitem concluir que o metamorfismo regional varisco não deve ter ultrapassado o grau médio, parecendo ter evoluído num regime de pressão intermédia, com a formação de porfiroblastos de granada, que transitou, aquando a terceira fase de deformação, para um regime de menor pressão durante o qual teve lugar a blastese de andaluzite. Esta tese foi efetuada no âmbito de um estágio em ambiente empresarial, estabelecido através de um acordo entre a Universidade de Aveiro e uma empresa de prospeção e extração mineira. Deste modo, foi realizada uma série de trabalhos e ainda a participação ações de formação relacionadas com as necessidades da empresa, pelo que um dos capítulos desta dissertação é destinado à descrição destas atividades.
Autores principais:Martins, Pedro Paulo Dipe
Assunto:Trás-os-Montes ocidental Zona Galiza-Trás-os-Montes Geologia estrutural Zona de cisalhamento Metamorfismo
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:A área de estudo localiza-se no extremo Norte de Portugal, na região de Montalegre, em Trás-os-Montes Ocidental. Do ponto de vista geológico situa-se nos terrenos parautóctones da Zona de Galiza-Trás-os-Montes (ZGTM), mais concretamente no Parautóctone Superior. Em linhas gerais, a região estudada está constituída por metassedimentos do Silúrico, metamorfizados e deformados durante a Orogenia Varisca, e por rochas graníticas que intruíram, na sua maioria, durante e após as fases finais da Orogenia. Ocorrem também numerosos filões de quartzo que nuns casos seguem a orientação da fraturação regional tardi-varisca (N-S a NNE-SSO) e noutros, com menor dimensão e sem representação cartográfica, aparecem intimamente ligados às estruturas dos metassedimentos hospedeiros. Estão ainda presentes pequenos corpos pegmatíticos e massas graníticas dispostos, geralmente, segundo as estruturas variscas (NO-SE) dominantes na região. Nas rochas metamórficas reconhecem-se três litótipos principais: metagrauvaques, quartzitos e metapelitos. Os metagrauvaques são dominantes mas os três tipos de rochas ocorrem em íntima associação espacial. O estudo destas rochas permitiu a identificação da atuação de 3 fases de deformação dúctil variscas (D1, D2 e D3) que deram origem a dobras, lineações e à formação de três gerações de xistosidades (S1, S2 e S3). As estruturas da primeira e da segunda fases (D1 e D2) são anteriores à instalação da maior parte dos corpos graníticos e encontram-se presentes em toda a área. Em contraste, as estruturas de terceira fase (D3), apresentam uma distribuição mais heterogénea. De acordo com os dados adquiridos, a D3 deve estar relacionada com uma importante zona de cisalhamento dúctil, transcorrente, com movimentação direita e direção NO-SE. Tendo em conta a intensidade e características das estruturas D3, é possível estabelecer nos metassedimentos da região de Montalegre dois setores ou domínios principais: (a) um setor milonítico, onde as estruturas D3 (dobras, xistosidade S3, lineação de estiramento) são tão penetrativas que obliteram os “fabrics” mais antigos e (b) um domínio setentrional, onde a D3 foi menos intensa e o “fabric” S2 está bem preservado, embora afetado pelas dobras da 3.ª fase. As observações de campo e o estudo petrográfico levado a cabo em amostras representativas da área permitem concluir que o metamorfismo regional varisco não deve ter ultrapassado o grau médio, parecendo ter evoluído num regime de pressão intermédia, com a formação de porfiroblastos de granada, que transitou, aquando a terceira fase de deformação, para um regime de menor pressão durante o qual teve lugar a blastese de andaluzite. Esta tese foi efetuada no âmbito de um estágio em ambiente empresarial, estabelecido através de um acordo entre a Universidade de Aveiro e uma empresa de prospeção e extração mineira. Deste modo, foi realizada uma série de trabalhos e ainda a participação ações de formação relacionadas com as necessidades da empresa, pelo que um dos capítulos desta dissertação é destinado à descrição destas atividades.