Publicação

Genetic basis of congenital Erythrocytosis: search for new mutations and associated genes and update of online databases

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Eritrocitose Congénita (EC) designa um grupo de patologias que podem ser primárias ou secundárias, sendo classificadas com base nos níveis de eritropoietina (EPO). A EC primária, devida a alterações nos percursores eritroides, é causada por alterações no recetor da eritropoietina (EpoR) devido a mutações nos genes EPOR e SH2B3. O EpoR fica permanentemente ativado, o que leva à diminuição dos níveis de EPO. A EC secundária pode ser causada por alterações de componentes na via de sensibilização ao oxigénio, devido a mutações nos genes VHL, EGLN1 e EPAS1, ou devido a hemoglobinas de alta afinidade para o oxigénio em consequência de mutações nos genes HBA, HBB e BPGM. Mutações nestes genes promovem um aumento dos níveis de EPO. Apesar de já estarem descritas causas moleculares para a origem da EC, cerca de 70% dos doentes ainda permanecem sem uma causa genética identificada. Neste estudo foram analisadas 125 amostras de indivíduos com suspeita de EC, seguidos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra ou enviados de outros hospitais portugueses/internacionais. Os testes laboratoriais foram orientados com base na história clínica e familiar e nos níveis de EPO, e incluíram a sequenciação dos genes: EPOR, SH2B3, VHL, EGLN1, EPAS1, HBA, HBB, BPGM. Foram identificadas 5 mutações: 3 no gene VHL (c.74C>T, p.Pro25Leu; c.154G>T, p.Glu52*; c.241C>T, p.Pro81Ser), 1 no gene EGLN1 (c.1216G>C, p.Gly406Arg) e 1 no gene HBB (Hb San Diego [HBB: c.328G>A, p.Val110Met]). Mutações no gene VHL têm uma transmissão autossómica recessiva estando descritos casos esporádicos em que se encontra apenas uma mutação, também neste estudo todas as mutações encontradas estão em heterozigotia. O mecanismo subjacente nestes casos ainda permanece por elucidar. A mutação encontrada no gene EGLN1 não está descrita na literatura, segundo a análise in sílico é uma variante patogénica, pelo que deverá ser a causa da EC. No gene HBB a variante foi identificada num individuo de origem turca, sendo a primeira descrição desta variante na Turquia. Concluindo, neste estudo foi possível identificar a causa molecular da EC em 5/125 doentes estudados. Foram encontradas 4 mutações descritas e 1 nova mutação. No entanto, 120 doentes ainda permanecem sem diagnóstico molecular. Isto demonstra que mais estudos são necessários para entender esta doença. O uso da tecnologia de Next Generation Sequencing (NGS) pode ser uma ferramenta valiosa no estudo da EC, uma vez que pode identificar outros genes que possam estar envolvidos na EC.
Autores principais:Lopes, Andreia Sofia dos Santos
Assunto:Bioquímica clínica Policitemia Doenças genéticas Alterações genéticas Hemoglobina
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:inglês
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Eritrocitose Congénita (EC) designa um grupo de patologias que podem ser primárias ou secundárias, sendo classificadas com base nos níveis de eritropoietina (EPO). A EC primária, devida a alterações nos percursores eritroides, é causada por alterações no recetor da eritropoietina (EpoR) devido a mutações nos genes EPOR e SH2B3. O EpoR fica permanentemente ativado, o que leva à diminuição dos níveis de EPO. A EC secundária pode ser causada por alterações de componentes na via de sensibilização ao oxigénio, devido a mutações nos genes VHL, EGLN1 e EPAS1, ou devido a hemoglobinas de alta afinidade para o oxigénio em consequência de mutações nos genes HBA, HBB e BPGM. Mutações nestes genes promovem um aumento dos níveis de EPO. Apesar de já estarem descritas causas moleculares para a origem da EC, cerca de 70% dos doentes ainda permanecem sem uma causa genética identificada. Neste estudo foram analisadas 125 amostras de indivíduos com suspeita de EC, seguidos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra ou enviados de outros hospitais portugueses/internacionais. Os testes laboratoriais foram orientados com base na história clínica e familiar e nos níveis de EPO, e incluíram a sequenciação dos genes: EPOR, SH2B3, VHL, EGLN1, EPAS1, HBA, HBB, BPGM. Foram identificadas 5 mutações: 3 no gene VHL (c.74C>T, p.Pro25Leu; c.154G>T, p.Glu52*; c.241C>T, p.Pro81Ser), 1 no gene EGLN1 (c.1216G>C, p.Gly406Arg) e 1 no gene HBB (Hb San Diego [HBB: c.328G>A, p.Val110Met]). Mutações no gene VHL têm uma transmissão autossómica recessiva estando descritos casos esporádicos em que se encontra apenas uma mutação, também neste estudo todas as mutações encontradas estão em heterozigotia. O mecanismo subjacente nestes casos ainda permanece por elucidar. A mutação encontrada no gene EGLN1 não está descrita na literatura, segundo a análise in sílico é uma variante patogénica, pelo que deverá ser a causa da EC. No gene HBB a variante foi identificada num individuo de origem turca, sendo a primeira descrição desta variante na Turquia. Concluindo, neste estudo foi possível identificar a causa molecular da EC em 5/125 doentes estudados. Foram encontradas 4 mutações descritas e 1 nova mutação. No entanto, 120 doentes ainda permanecem sem diagnóstico molecular. Isto demonstra que mais estudos são necessários para entender esta doença. O uso da tecnologia de Next Generation Sequencing (NGS) pode ser uma ferramenta valiosa no estudo da EC, uma vez que pode identificar outros genes que possam estar envolvidos na EC.