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Diálogo entre utopias e realidades: o batuque caboverdiano em Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nas últimas três décadas, entre os imigrantes caboverdianos em Portugal, o batuque, juntamente com outras formas de expressão cultural, tem vindo a definir um importante terreno identitário e um papel de mediação com a sociedade de acolhimento. A prática performativa deste género que envolve a dança, o canto e a percussão, tem sido incrementada pelo aparecimento de novos grupos, pela criação de novos repertórios e contextos, e pela renovação das suas práticas. Do contexto rural da ilha de Santiago de Cabo Verde o batuque trouxe para Portugal, no final da década de 1980, algumas das suas conotações contextuais ligadas àquela realidade (as festas de casamento e batizado, por exemplo) e os conteúdos discursivos metafóricos, reivindicativos e utópicos associados à migração e ao universo feminino, entre outros. Contudo, o poder da palavra cantada do batuque, a expressão do corpo dançante e da percussão colectivamente construída, foram permitindo alargar não só a sua visibilidade, como negociar e transformar várias das suas outras dimensões dentro e fora das comunidades de cabo verdianos em Portugal. Este processo implicou, entre outros aspectos, uma ruptura na exclusividade feminina permitindo a participação activa de crianças e homens, uma nova perspectiva das temáticas das letras cantadas e uma flexibilização dos conteúdos musicais, enriquecidos com instrumentos e com novas formas de percussão. Nesta comunicação, partindo dos dados etnográficos de trabalho de pesquisa e da análise de letras e de estruturas musicais de batuque, proponho a exploração crítica de algumas das utopias e realidades da comunidade caboverdiana em Portugal.
Autores principais:Ribeiro, Jorge Castro
Assunto:Batuque Migração Identidade caboverdiana Portugal
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Nas últimas três décadas, entre os imigrantes caboverdianos em Portugal, o batuque, juntamente com outras formas de expressão cultural, tem vindo a definir um importante terreno identitário e um papel de mediação com a sociedade de acolhimento. A prática performativa deste género que envolve a dança, o canto e a percussão, tem sido incrementada pelo aparecimento de novos grupos, pela criação de novos repertórios e contextos, e pela renovação das suas práticas. Do contexto rural da ilha de Santiago de Cabo Verde o batuque trouxe para Portugal, no final da década de 1980, algumas das suas conotações contextuais ligadas àquela realidade (as festas de casamento e batizado, por exemplo) e os conteúdos discursivos metafóricos, reivindicativos e utópicos associados à migração e ao universo feminino, entre outros. Contudo, o poder da palavra cantada do batuque, a expressão do corpo dançante e da percussão colectivamente construída, foram permitindo alargar não só a sua visibilidade, como negociar e transformar várias das suas outras dimensões dentro e fora das comunidades de cabo verdianos em Portugal. Este processo implicou, entre outros aspectos, uma ruptura na exclusividade feminina permitindo a participação activa de crianças e homens, uma nova perspectiva das temáticas das letras cantadas e uma flexibilização dos conteúdos musicais, enriquecidos com instrumentos e com novas formas de percussão. Nesta comunicação, partindo dos dados etnográficos de trabalho de pesquisa e da análise de letras e de estruturas musicais de batuque, proponho a exploração crítica de algumas das utopias e realidades da comunidade caboverdiana em Portugal.