Publicação

A programação no ensino da matemática e o pensamento computacional: uma experiência com o 9º e 10º ano de escolaridade

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O Pensamento Computacional (PC) tem vindo a afirmar-se como uma competência essencial do século XXI, transversal a várias áreas do conhecimento e fundamental para a resolução de problemas complexos. A integração do PC nos currículos escolares, particularmente no ensino da matemática, constitui uma oportunidade para promover raciocínios estruturados, criativos e críticos, aproximando as práticas escolares das exigências da sociedade digital. O presente relatório descreve uma experiência de ensino desenvolvida no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada, centrada em compreender de que forma a utilização da programação no ensino da matemática contribui para o desenvolvimento do PC em alunos do 9º e 10º ano de escolaridade. O estudo adotou uma metodologia qualitativa, recorrendo à análise das produções dos alunos, notas de observação e respostas a questionários. A intervenção decorreu em duas turmas distintas, uma do 10º ano, com programação textual em Python, na abordagem ao estudo da função quadrática, e outra do 9º ano, com programação visual através do Lego Spike Prime, aplicada a conceitos de trigonometria. Os resultados evidenciam que a programação constituiu um contexto propício à mobilização de diferentes dimensões do PC em articulação com raciocínios matemáticos, destacando-se a algoritmia, a decomposição e, de forma progressiva, a depuração. Foram ainda identificadas dificuldades relacionadas com a transposição dos raciocínios matemáticos para o código e com o domínio das ferramentas tecnológicas, superadas através da experimentação, da colaboração entre pares e da mediação do professor. As perceções dos alunos relativamente à utilização da programação no ensino da matemática revelam uma atitude globalmente positiva, embora a ligação explícita entre as tarefas de programação e os conteúdos matemáticos trabalhados nem sempre tenha sido plenamente reconhecida. Conclui-se que a continuidade e o reforço explícito das conexões entre programação e matemática poderão potenciar o desenvolvimento consciente do PC em aula, constituindo um contributo relevante para práticas pedagógicas inovadoras no ensino da matemática.
Autores principais:Campanhe, Inês Briosa Cardoso Gomes
Assunto:Pensamento computacional Programação Ensino de matemática Python Lego spike prime
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:O Pensamento Computacional (PC) tem vindo a afirmar-se como uma competência essencial do século XXI, transversal a várias áreas do conhecimento e fundamental para a resolução de problemas complexos. A integração do PC nos currículos escolares, particularmente no ensino da matemática, constitui uma oportunidade para promover raciocínios estruturados, criativos e críticos, aproximando as práticas escolares das exigências da sociedade digital. O presente relatório descreve uma experiência de ensino desenvolvida no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada, centrada em compreender de que forma a utilização da programação no ensino da matemática contribui para o desenvolvimento do PC em alunos do 9º e 10º ano de escolaridade. O estudo adotou uma metodologia qualitativa, recorrendo à análise das produções dos alunos, notas de observação e respostas a questionários. A intervenção decorreu em duas turmas distintas, uma do 10º ano, com programação textual em Python, na abordagem ao estudo da função quadrática, e outra do 9º ano, com programação visual através do Lego Spike Prime, aplicada a conceitos de trigonometria. Os resultados evidenciam que a programação constituiu um contexto propício à mobilização de diferentes dimensões do PC em articulação com raciocínios matemáticos, destacando-se a algoritmia, a decomposição e, de forma progressiva, a depuração. Foram ainda identificadas dificuldades relacionadas com a transposição dos raciocínios matemáticos para o código e com o domínio das ferramentas tecnológicas, superadas através da experimentação, da colaboração entre pares e da mediação do professor. As perceções dos alunos relativamente à utilização da programação no ensino da matemática revelam uma atitude globalmente positiva, embora a ligação explícita entre as tarefas de programação e os conteúdos matemáticos trabalhados nem sempre tenha sido plenamente reconhecida. Conclui-se que a continuidade e o reforço explícito das conexões entre programação e matemática poderão potenciar o desenvolvimento consciente do PC em aula, constituindo um contributo relevante para práticas pedagógicas inovadoras no ensino da matemática.