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Os violeiros antigos em Portugal: Estudo sobre os principais instrumentos e seus intérpretes no início do século XX

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Entre 1903 e 1904, a revista A Arte Musical publicou um extenso artigo sobre lutherie denominado Os violeiros antigos nos quais são apresentados elementos biográficos dos mais reconhecidos construtores de instrumentos de corda friccionada – Amati, Stradivai, Guarneri, Gagliano, Guadagnini, Lupot, Chanot, Vuillaume, Klotz e Stainer, entre outros – e as particularidades do seu trabalho. São também mencionados construtores portugueses como Joaquim Galrão, António Sanhudo, José da Fonseca e Félix António Dinis. Este artigo elenca ainda exemplares desses construtores existentes em Portugal e os seus proprietários num total de cerca de uma centena de instrumentos, maioritariamente violinos e violoncelos mas incluindo também violas, uma viola-de-amor e um quarteto de cordas completo. É precisamente neste último aspecto que reside o principal interesse deste artigo já que permite estabelecer a relação entre instrumentos e intérpretes. Muitos instrumentos de luthiers italianos antigos são designados não apenas pelo seu autor e ano de construção mas também pela menção aos músicos mais famosos que os tocaram. Exemplos dessa prática são os violinos de Giuseppe Antonio Guarneri, outrora pertença de Giovanni Battista Viotti e Nicollò Paganini e os Stradivari de Joseph Joachim e Pablo de Sarasate. No caso dos violinistas nacionais, a associação entre instrumentista e instrumento é praticamente inexistente na historiografia musical portuguesa salvo algumas excepções. Dois dos mais notáveis são o violino e violoncelo de António Stradivari pertencentes a Carlos e José Relvas e ao Rei D. Luís, respectivamente. Os objectivos da presente pesquisa são investigar os instrumentos musicais mais relevantes em Portugal no início do século XX, estabelecendo relações entre esses instrumentos e os principais músicos de cordas do país e o seu papel no meio musical português da época. São ainda analisados aspectos como a origem dos instrumentos e suas características técnicas e sonoras. Para a construção da base de dados que será a base desta investigação, utilizam-se diversas fontes primárias e secundárias. Além do artigo da revista A Arte Musical, são também examinadas cartas trocadas entre músicos, bem como relatórios de instrumentos existentes em diversos acervos e museus nacionais. A pesquisa é complementada com estudos realizados por Calazans (2000), Trindade (2002), Tudela (2002), Tudela e Trindade (2010), Fernandes (2019) e Sá (2022). Desde logo, é perceptível a existência em Portugal de instrumentos de altíssima qualidade associados à elite musical e um vasto número de amadores. Alguns desses exemplos são os de Andrés Goñi, Francisco Benetó e Augusto Gershey que tinham violinos da família Gagliano e Nicolau Ribas e Bernardo Moreira de Sá tocaram violinos Guadagnini. Augusto Marques Pinto teve na sua posse instrumentos de Lupot, Gagliano e Vuillaume. Entre os músicos amadores contam-se diversos Amati, Montagnana, Vuillaume assim como um Guarneri del Gesu de Alfredo Bensaude. Espera-se, com essa pesquisa, contribuir para o conhecimento sobre a história da música em Portugal e para o reconhecimento da importância dos instrumentos musicais na formação da identidade cultural do país.
Autores principais:Hélder Sá
Assunto:Lutherie em Portugal Instrumentos musicais Violino Violoncelo História da Música Portuguesa
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Entre 1903 e 1904, a revista A Arte Musical publicou um extenso artigo sobre lutherie denominado Os violeiros antigos nos quais são apresentados elementos biográficos dos mais reconhecidos construtores de instrumentos de corda friccionada – Amati, Stradivai, Guarneri, Gagliano, Guadagnini, Lupot, Chanot, Vuillaume, Klotz e Stainer, entre outros – e as particularidades do seu trabalho. São também mencionados construtores portugueses como Joaquim Galrão, António Sanhudo, José da Fonseca e Félix António Dinis. Este artigo elenca ainda exemplares desses construtores existentes em Portugal e os seus proprietários num total de cerca de uma centena de instrumentos, maioritariamente violinos e violoncelos mas incluindo também violas, uma viola-de-amor e um quarteto de cordas completo. É precisamente neste último aspecto que reside o principal interesse deste artigo já que permite estabelecer a relação entre instrumentos e intérpretes. Muitos instrumentos de luthiers italianos antigos são designados não apenas pelo seu autor e ano de construção mas também pela menção aos músicos mais famosos que os tocaram. Exemplos dessa prática são os violinos de Giuseppe Antonio Guarneri, outrora pertença de Giovanni Battista Viotti e Nicollò Paganini e os Stradivari de Joseph Joachim e Pablo de Sarasate. No caso dos violinistas nacionais, a associação entre instrumentista e instrumento é praticamente inexistente na historiografia musical portuguesa salvo algumas excepções. Dois dos mais notáveis são o violino e violoncelo de António Stradivari pertencentes a Carlos e José Relvas e ao Rei D. Luís, respectivamente. Os objectivos da presente pesquisa são investigar os instrumentos musicais mais relevantes em Portugal no início do século XX, estabelecendo relações entre esses instrumentos e os principais músicos de cordas do país e o seu papel no meio musical português da época. São ainda analisados aspectos como a origem dos instrumentos e suas características técnicas e sonoras. Para a construção da base de dados que será a base desta investigação, utilizam-se diversas fontes primárias e secundárias. Além do artigo da revista A Arte Musical, são também examinadas cartas trocadas entre músicos, bem como relatórios de instrumentos existentes em diversos acervos e museus nacionais. A pesquisa é complementada com estudos realizados por Calazans (2000), Trindade (2002), Tudela (2002), Tudela e Trindade (2010), Fernandes (2019) e Sá (2022). Desde logo, é perceptível a existência em Portugal de instrumentos de altíssima qualidade associados à elite musical e um vasto número de amadores. Alguns desses exemplos são os de Andrés Goñi, Francisco Benetó e Augusto Gershey que tinham violinos da família Gagliano e Nicolau Ribas e Bernardo Moreira de Sá tocaram violinos Guadagnini. Augusto Marques Pinto teve na sua posse instrumentos de Lupot, Gagliano e Vuillaume. Entre os músicos amadores contam-se diversos Amati, Montagnana, Vuillaume assim como um Guarneri del Gesu de Alfredo Bensaude. Espera-se, com essa pesquisa, contribuir para o conhecimento sobre a história da música em Portugal e para o reconhecimento da importância dos instrumentos musicais na formação da identidade cultural do país.