Publicação
Perturbação obsessivo-compulsiva e sintomatologia depressiva: relação com a qualidade de vida
| Resumo: | A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) consiste numa manifestação específica das Perturbações de Ansiedade, definida por obsessões e/ou compulsões recorrentes que causam sofrimento ao doente e/ou seus familiares, prejudicando as rotinas diárias, o emprego, o desempenho social e físico e a qualidade de vida em geral. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica-a entre as dez maiores causas de doenças incapacitantes e que está frequentemente associada a um sofrimento marcante. Pode ser tão grave que a vida diária da pessoa é dominada pelos sintomas, passando a totalidade do tempo a ser invadida por pensamentos obsessivos e a sentir uma necessidade impulsiva de ritualizar. A literatura indica que doentes com POC que tenham diagnósticos psiquiátricos comórbidos apresentam pior Qualidade de Vida (QdV). Uma das perturbações mais associadas à POC é a Depressão, que, de acordo com alguns estudos, é igualmente preditora da baixa QdV. O objetivo deste estudo é avaliar a POC e a Sintomatologia depressiva em relação à QdV. Pretende-se conhecer o cluster da POC que está mais afetado em relação à QdV e à sintomatologia depressiva; e também a relação entre a severidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva com a QdV, bem como a sintomatologia depressiva. A amostra é constituída por 38 doentes do Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João, EPE, sendo que 17 são homens (44,7%) e 21 são mulheres (55,3%). Para avaliar a severidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva utilizou-se o Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale (Y-BOCS; Goodman et al.,1989; versão experimental de Macedo, Pocinho, Relvas & Azevedo, 1999).). Os clusters da POC foram avaliados com o Inventário Obsessivo-Compulsivo do Maudsley (MOCI; Hodgson & Rachman, 1977; versão portuguesa, traduzido e adaptado por Pocinho, Macedo, Azevedo e Relvas, 2011). A sintomatologia depressiva foi avaliada com o Inventário Depressivo de Beck (Beck et al.,1961; versão portuguesa por Vaz Serra e Pio Abreu, 1973). A QdV foi avaliada através do World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref; versão portuguesa por Vaz-Serra e colaboradores, 2006). Este estudo evidencia o impacto da POC e da sintomatologia depressiva na QdV destes doentes e compara-os quanto à QdV em 2 grupos: 1) doentes com POC e sintomatologia depressiva; 2) doentes com POC sem sintomatologia depressiva. Os principais resultados deste estudo são: 1) a POC compromete claramente uma baixa QdV; 2) a severidade obsessivo-compulsiva relaciona-se com a baixa QdV; 3) a presença de sintomatologia depressiva é outro preditor para a baixa QdV, aumentando a gravidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva, bem como a dúvida patológica associada à doença; e 4) quanto maior a pontuação da sintomatologia depressiva, maior a tendência a comportamentos compulsivos. A interpretação dos resultados é discutida à luz de literatura proeminente. |
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| Autores principais: | Luz, Adriana Quintal Vieira da |
| Assunto: | Psicopatologia Perturbações do comportamento Sintomatologia Depressão mental |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) consiste numa manifestação específica das Perturbações de Ansiedade, definida por obsessões e/ou compulsões recorrentes que causam sofrimento ao doente e/ou seus familiares, prejudicando as rotinas diárias, o emprego, o desempenho social e físico e a qualidade de vida em geral. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica-a entre as dez maiores causas de doenças incapacitantes e que está frequentemente associada a um sofrimento marcante. Pode ser tão grave que a vida diária da pessoa é dominada pelos sintomas, passando a totalidade do tempo a ser invadida por pensamentos obsessivos e a sentir uma necessidade impulsiva de ritualizar. A literatura indica que doentes com POC que tenham diagnósticos psiquiátricos comórbidos apresentam pior Qualidade de Vida (QdV). Uma das perturbações mais associadas à POC é a Depressão, que, de acordo com alguns estudos, é igualmente preditora da baixa QdV. O objetivo deste estudo é avaliar a POC e a Sintomatologia depressiva em relação à QdV. Pretende-se conhecer o cluster da POC que está mais afetado em relação à QdV e à sintomatologia depressiva; e também a relação entre a severidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva com a QdV, bem como a sintomatologia depressiva. A amostra é constituída por 38 doentes do Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João, EPE, sendo que 17 são homens (44,7%) e 21 são mulheres (55,3%). Para avaliar a severidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva utilizou-se o Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale (Y-BOCS; Goodman et al.,1989; versão experimental de Macedo, Pocinho, Relvas & Azevedo, 1999).). Os clusters da POC foram avaliados com o Inventário Obsessivo-Compulsivo do Maudsley (MOCI; Hodgson & Rachman, 1977; versão portuguesa, traduzido e adaptado por Pocinho, Macedo, Azevedo e Relvas, 2011). A sintomatologia depressiva foi avaliada com o Inventário Depressivo de Beck (Beck et al.,1961; versão portuguesa por Vaz Serra e Pio Abreu, 1973). A QdV foi avaliada através do World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref; versão portuguesa por Vaz-Serra e colaboradores, 2006). Este estudo evidencia o impacto da POC e da sintomatologia depressiva na QdV destes doentes e compara-os quanto à QdV em 2 grupos: 1) doentes com POC e sintomatologia depressiva; 2) doentes com POC sem sintomatologia depressiva. Os principais resultados deste estudo são: 1) a POC compromete claramente uma baixa QdV; 2) a severidade obsessivo-compulsiva relaciona-se com a baixa QdV; 3) a presença de sintomatologia depressiva é outro preditor para a baixa QdV, aumentando a gravidade da sintomatologia obsessivo-compulsiva, bem como a dúvida patológica associada à doença; e 4) quanto maior a pontuação da sintomatologia depressiva, maior a tendência a comportamentos compulsivos. A interpretação dos resultados é discutida à luz de literatura proeminente. |
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