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Análise de pesticidas organofosforados em toxicologia forense

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Resumo:Os pesticidas são substâncias destinadas a prevenir, destruir ou controlar pragas. No entanto, estes produtos são também responsáveis por intoxicações em seres humanos. Em Portugal, mais de metade das intoxicações voluntárias com pesticidas envolvem inseticidas organofosforados (IOFs). Neste trabalho, pretendeu-se desenvolver e validar um conjunto de metodologias para a determinação analítica de dez IOFs, nomeadamente, clorfenvinfos, clorpirifos, diazinão, dimetoato, fentião, fosalona, malatião, paratião, pirimifos-metilo e quinalfos, em amostras de sangue total e de conteúdo gástrico, tendo em vista a introdução das mesmas na rotina pericial do Serviço de Toxicologia Forense da Delegação do Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. (STF-N). Foram testados métodos de extração de IOFs com Extração em Fase Sólida (SPE) em amostras de sangue com colunas Oasis® HLB e Sep-Pak® C18 e com separação e deteção por GC-ECD e GC-MS. O método de extração com colunas Sep-Pak® C18 foi selecionado, uma vez que no final do processo de extração e análise foram gerados sinais cinco vezes superiores aos obtidos após extração com as outras colunas de SPE, e mostrou ser seletivo para isolamento dos analitos e do padrão interno (etião) em amostras de sangue postmortem. Foram preparadas curvas de calibração entre 50 e 5000 ng/mL, utilizando modelos de regressão linear ponderada. Devido à sensibilidade mais baixa do detetor, não foi possível definir uma gama de trabalho para o fentião por GC-ECD, enquanto para o pirimifos-metilo esta foi estabelecida entre 500 e 5000 ng/mL. O limite de quantificação foi 50 ng/mL para todos os analitos, à exceção do pirimifos-metilo por GC-ECD (500 ng/mL). A eficiência de extração média situou-se entre os 72 e os 102%. Após testes com Extração Líquido-Líquido (LLE) e/ou SPE, o procedimento adotado para rastreio/confirmação qualitativa de IOFs em amostras de conteúdo gástrico, consistiu num passo de LLE com éter dietílico, evaporação do solvente e retoma do extrato em acetonitrilo, seguido de SPE com colunas Sep-Pak® C18 e da análise por GC-MS ou por GC-ECD. Obtiveram-se eficiências de extração médias entre 40 e 50% e limites de deteção de 10 μg/mL para todos os IOFs, exceto para o fentião por GC-ECD. Os métodos desenvolvidos foram considerados robustos e adequados ao propósito, tendo sido já adotados na rotina do laboratório do STF-N.
Autores principais:Valente, Nuno Ilídio Pereira
Assunto:Química analítica Insecticidas Toxicologia
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Os pesticidas são substâncias destinadas a prevenir, destruir ou controlar pragas. No entanto, estes produtos são também responsáveis por intoxicações em seres humanos. Em Portugal, mais de metade das intoxicações voluntárias com pesticidas envolvem inseticidas organofosforados (IOFs). Neste trabalho, pretendeu-se desenvolver e validar um conjunto de metodologias para a determinação analítica de dez IOFs, nomeadamente, clorfenvinfos, clorpirifos, diazinão, dimetoato, fentião, fosalona, malatião, paratião, pirimifos-metilo e quinalfos, em amostras de sangue total e de conteúdo gástrico, tendo em vista a introdução das mesmas na rotina pericial do Serviço de Toxicologia Forense da Delegação do Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. (STF-N). Foram testados métodos de extração de IOFs com Extração em Fase Sólida (SPE) em amostras de sangue com colunas Oasis® HLB e Sep-Pak® C18 e com separação e deteção por GC-ECD e GC-MS. O método de extração com colunas Sep-Pak® C18 foi selecionado, uma vez que no final do processo de extração e análise foram gerados sinais cinco vezes superiores aos obtidos após extração com as outras colunas de SPE, e mostrou ser seletivo para isolamento dos analitos e do padrão interno (etião) em amostras de sangue postmortem. Foram preparadas curvas de calibração entre 50 e 5000 ng/mL, utilizando modelos de regressão linear ponderada. Devido à sensibilidade mais baixa do detetor, não foi possível definir uma gama de trabalho para o fentião por GC-ECD, enquanto para o pirimifos-metilo esta foi estabelecida entre 500 e 5000 ng/mL. O limite de quantificação foi 50 ng/mL para todos os analitos, à exceção do pirimifos-metilo por GC-ECD (500 ng/mL). A eficiência de extração média situou-se entre os 72 e os 102%. Após testes com Extração Líquido-Líquido (LLE) e/ou SPE, o procedimento adotado para rastreio/confirmação qualitativa de IOFs em amostras de conteúdo gástrico, consistiu num passo de LLE com éter dietílico, evaporação do solvente e retoma do extrato em acetonitrilo, seguido de SPE com colunas Sep-Pak® C18 e da análise por GC-MS ou por GC-ECD. Obtiveram-se eficiências de extração médias entre 40 e 50% e limites de deteção de 10 μg/mL para todos os IOFs, exceto para o fentião por GC-ECD. Os métodos desenvolvidos foram considerados robustos e adequados ao propósito, tendo sido já adotados na rotina do laboratório do STF-N.