Publicação

Efeito da IPL na oxidação de proteínas da pele e associação ao cancro

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A Luz Intensa Pulsátil (IPL) tem tido muita aplicação na estética e dermatologia. Apesar de conhecidos alguns efeitos secundários do uso deste tipo de radiação, pouco se sabe sobre os seus efeitos a nível molecular na pele. Com o objetivo de melhor compreender a influência da IPL no proteoma da pele e no desenvolvimento de lesões cutâneas pré-neoplásicas foi utilizado um modelo animal de dois estadios de cancro de pele, de modo a identificar as proteínas mais suscetíveis à oxidação, e as vias moleculares associadas. Assim, para este estudo foram utilizados murganhos fêmeas (n=28) da estirpe ICR (CD-1), tendo sido constituídos 5 grupos experimentais distintos. O grupo DMBA, sujeito ao agente iniciador 7,12-dimetilbenzantranceno, sem mais nenhum tratamento; o grupo IPL, submetido à irradiação com IPL; o grupo DMBA+TPA, submetido ao tratamento com o composto promotor de carcinogénese acetato de tetradecanoilforbol, após a iniciação com DMBA; o grupo DMBA+IPL submetido à irradiação com IPL após a iniciação com DMBA; por último, o grupo Controlo que foi somente exposto a acetona (veículo). No final do protocolo verificou-se que a IPL promoveu um aumento do teor sérico de interleucina (IL-6) e proteína C reativa (CRP), mais exacerbado nos animais tratados com DMBA+TPA. Paralelamente à indução de uma resposta inflamatória, ao nível da pele verificou-se uma adaptação metabólica para um perfil mais glicolítico em resposta aos tratamentos testados. Concomitantemente, verificou-se um aumento do teor de proteínas oxidadas em resposta à exposição a IPL, mais exacerbado quando combinado com o tratamento com DMBA. Entre as proteínas mais suscetíveis à oxidação identificou-se por MS/MS várias isoformas de queratina e de actina, sugerindo que os processos biológicos organização do citoesqueleto e apoptose poderão intervir na adaptação da pele à exposição à IPL. Em suma, a aplicação de IPL parece promover inflamação, alteração do metabolismo da pele e aumento da suscetibilidade das proteínas à oxidação embora sem consequências morfológicas significativas. Estas alterações são mais significativas quando a IPL é irradiada na pele com lesões neoplásicas. Estudos futuros serão importantes para melhor compreender o impacto a longo prazo das alterações bioquímicas observadas na pele e das vias de sinalização envolvidas.
Autores principais:Ferreira, Liliana Sofia Baptista
Assunto:Bioquímica clínica Cancro da pele Proteínas - Oxidação Proteómica
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:A Luz Intensa Pulsátil (IPL) tem tido muita aplicação na estética e dermatologia. Apesar de conhecidos alguns efeitos secundários do uso deste tipo de radiação, pouco se sabe sobre os seus efeitos a nível molecular na pele. Com o objetivo de melhor compreender a influência da IPL no proteoma da pele e no desenvolvimento de lesões cutâneas pré-neoplásicas foi utilizado um modelo animal de dois estadios de cancro de pele, de modo a identificar as proteínas mais suscetíveis à oxidação, e as vias moleculares associadas. Assim, para este estudo foram utilizados murganhos fêmeas (n=28) da estirpe ICR (CD-1), tendo sido constituídos 5 grupos experimentais distintos. O grupo DMBA, sujeito ao agente iniciador 7,12-dimetilbenzantranceno, sem mais nenhum tratamento; o grupo IPL, submetido à irradiação com IPL; o grupo DMBA+TPA, submetido ao tratamento com o composto promotor de carcinogénese acetato de tetradecanoilforbol, após a iniciação com DMBA; o grupo DMBA+IPL submetido à irradiação com IPL após a iniciação com DMBA; por último, o grupo Controlo que foi somente exposto a acetona (veículo). No final do protocolo verificou-se que a IPL promoveu um aumento do teor sérico de interleucina (IL-6) e proteína C reativa (CRP), mais exacerbado nos animais tratados com DMBA+TPA. Paralelamente à indução de uma resposta inflamatória, ao nível da pele verificou-se uma adaptação metabólica para um perfil mais glicolítico em resposta aos tratamentos testados. Concomitantemente, verificou-se um aumento do teor de proteínas oxidadas em resposta à exposição a IPL, mais exacerbado quando combinado com o tratamento com DMBA. Entre as proteínas mais suscetíveis à oxidação identificou-se por MS/MS várias isoformas de queratina e de actina, sugerindo que os processos biológicos organização do citoesqueleto e apoptose poderão intervir na adaptação da pele à exposição à IPL. Em suma, a aplicação de IPL parece promover inflamação, alteração do metabolismo da pele e aumento da suscetibilidade das proteínas à oxidação embora sem consequências morfológicas significativas. Estas alterações são mais significativas quando a IPL é irradiada na pele com lesões neoplásicas. Estudos futuros serão importantes para melhor compreender o impacto a longo prazo das alterações bioquímicas observadas na pele e das vias de sinalização envolvidas.