Publicação
Impacto da obesidade no sistema cardiovascular: papel regulador da atividade física
| Resumo: | A prevenção e tratamento da obesidade constituem um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Uma das estratégias que tem sido indicada para modular a obesidade é a prática de exercício físico, dado que reduz a gordura corporal e tem impacto benéfico sobre o sistema cardiovascular. No entanto, os mecanismos moleculares subjacentes permanecem pouco conhecidos. Assim o presente trabalho teve como principal objetivo avaliar o papel do exercício físico na obesidade e no risco de doenças cardiovasculares associadas a esta condição pela análise integrada de hormonas envolvidas na regulação do apetite e mediadores inflamatórios. Nesse sentido, utilizou-se um modelo animal de ratos ZSF1 magros e obesos, em que um grupo de animais obesos foi submetido a um protocolo de exercício físico em tapete rolante durante 4 semanas, 1h/dia a uma velocidade de 15m/min. Os resultados não evidenciaram alterações significativas do peso corporal e da massa do músculo gastrocnemius e do coração induzidas pelo exercício físico nos animais obesos. O exercício físico também não modulou significativamente os níveis plasmáticos de colesterol total nem de triacilglicerídeos, apesar de ter contrariado a diminuição dos níveis da lípase HSL observada em animais obesos. Os níveis das hormonas envolvidas na regulação do apetite, adiponectina, leptina e grelina também não foram modulados pelo exercício físico em obesos. O efeito benéfico do exercício físico foi evidenciado sobretudo pela modulação dos níveis da citocina pró-inflamatória IL-6, em níveis significativamente mais elevados em animais obesos sedentários, e da miocina irisina, detetada em níveis significativamente mais baixos nestes animais. Esta miocina parece modular a atividade do tecido adiposo e do músculo cardíaco, tendo-lhe sido atribuído um papel cardioprotetor. Os resultados sugerem que exercício físico pode constituir uma abordagem terapêutica para a obesidade e doenças cardiovasculares associadas atendendo ao seu papel anti-inflamatório e cardioprotetor. |
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| Autores principais: | Cabral, Vanessa Mariana Melo |
| Assunto: | Obesidade Doenças cardiovasculares Exercício físico |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A prevenção e tratamento da obesidade constituem um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Uma das estratégias que tem sido indicada para modular a obesidade é a prática de exercício físico, dado que reduz a gordura corporal e tem impacto benéfico sobre o sistema cardiovascular. No entanto, os mecanismos moleculares subjacentes permanecem pouco conhecidos. Assim o presente trabalho teve como principal objetivo avaliar o papel do exercício físico na obesidade e no risco de doenças cardiovasculares associadas a esta condição pela análise integrada de hormonas envolvidas na regulação do apetite e mediadores inflamatórios. Nesse sentido, utilizou-se um modelo animal de ratos ZSF1 magros e obesos, em que um grupo de animais obesos foi submetido a um protocolo de exercício físico em tapete rolante durante 4 semanas, 1h/dia a uma velocidade de 15m/min. Os resultados não evidenciaram alterações significativas do peso corporal e da massa do músculo gastrocnemius e do coração induzidas pelo exercício físico nos animais obesos. O exercício físico também não modulou significativamente os níveis plasmáticos de colesterol total nem de triacilglicerídeos, apesar de ter contrariado a diminuição dos níveis da lípase HSL observada em animais obesos. Os níveis das hormonas envolvidas na regulação do apetite, adiponectina, leptina e grelina também não foram modulados pelo exercício físico em obesos. O efeito benéfico do exercício físico foi evidenciado sobretudo pela modulação dos níveis da citocina pró-inflamatória IL-6, em níveis significativamente mais elevados em animais obesos sedentários, e da miocina irisina, detetada em níveis significativamente mais baixos nestes animais. Esta miocina parece modular a atividade do tecido adiposo e do músculo cardíaco, tendo-lhe sido atribuído um papel cardioprotetor. Os resultados sugerem que exercício físico pode constituir uma abordagem terapêutica para a obesidade e doenças cardiovasculares associadas atendendo ao seu papel anti-inflamatório e cardioprotetor. |
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