Publicação
Definição, edição Urtext e performance da obra A noiva do condutor (Arnold Glückmann e Noel Rosa)
| Resumo: | Este projeto tem por objetivo problematizar a noção de “obra musical” no contexto da música popular urbana brasileira, a partir de uma abordagem transdisciplinar que envolve estudos da performance, etnomusicologia e o popular music studies. Tem como foco principal a obra A Noiva do Condutor composta em 1935 pelo regente e orquestrador Arnold Glückmann e pelo sambista Noel Rosa. Escrita originalmente como um esquete para um programa radiofônico, a obra estreou apenas em 1985 na gravação realizada em LP (Long Play) com a participação de importantes atores brasileiros como Marília Pêra e Grande Othelo. A partir daí, essa obra foi apresentada e reconstruída em diversas ocasiões e formatos, que resultaram em novas orquestrações, versões de enredo e releituras. A tese está fundamentada em três grandes polos de reflexão. O primeiro procura problematizar a noção de obra musical, embasado nos autores Goehr (1992) Middleton (1985, 1990, 1993, 2000, 2001), Ulhôa (2000), Cook (1985, 1990, 1993, 2001), Moore (2002, 2003), De Nora (2001) e Hennion (2003). Ao contrário da visão romântica de que a obra estaria essencialmente expressa em um manuscrito no qual o compositor indica todas as suas intenções, tais autores concebem a noção de obra no contexto da música popular como um script, um roteiro em aberto com diversas camadas de mediadores (intérpretes, arranjadores, copistas e gravadoras) contribuindo para a sua construção. O segundo polo tem como tema a questão do canto na música popular brasileira: a procura de um paradigma de um “canto nacional” foi uma constante em diversos períodos históricos, particularmente no período áureo da radiofonia no Brasil (1930- 1950), a fusão entre elementos da música de tradição de concerto e a música popular urbana foi um elemento recorrente na busca de uma ansiada “identidade nacional”. Assim, a obra A noiva do condutor pode ser compreendida como um exemplo desse processo. Finalmente, o terceiro polo é constituído de três componentes práticas relacionadas à “performance musical”: a elaboração de uma edição inédita da obra A noiva do condutor baseada nos manuscritos originais que estavam desaparecidos até setembro de 2022, a realização de partitura inédita dessa obra com a inclusão de transcrição fonética embasada no AFI (Alfabeto Fonético Internacional) (2002), com respectiva tradução livre do texto para o Inglês e Espanhol e performance dessa obra como parte do espetáculo O sonho de Edgard – A criação da rádio brasileira (Adriano Pinheiro) estreado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 13 de setembro de 2023. |
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| Autores principais: | Pinheiro, Adriano de Brito |
| Assunto: | A noiva do condutor Musicologia histórica Etnomusicologia Estudos de música popular Performance |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | Este projeto tem por objetivo problematizar a noção de “obra musical” no contexto da música popular urbana brasileira, a partir de uma abordagem transdisciplinar que envolve estudos da performance, etnomusicologia e o popular music studies. Tem como foco principal a obra A Noiva do Condutor composta em 1935 pelo regente e orquestrador Arnold Glückmann e pelo sambista Noel Rosa. Escrita originalmente como um esquete para um programa radiofônico, a obra estreou apenas em 1985 na gravação realizada em LP (Long Play) com a participação de importantes atores brasileiros como Marília Pêra e Grande Othelo. A partir daí, essa obra foi apresentada e reconstruída em diversas ocasiões e formatos, que resultaram em novas orquestrações, versões de enredo e releituras. A tese está fundamentada em três grandes polos de reflexão. O primeiro procura problematizar a noção de obra musical, embasado nos autores Goehr (1992) Middleton (1985, 1990, 1993, 2000, 2001), Ulhôa (2000), Cook (1985, 1990, 1993, 2001), Moore (2002, 2003), De Nora (2001) e Hennion (2003). Ao contrário da visão romântica de que a obra estaria essencialmente expressa em um manuscrito no qual o compositor indica todas as suas intenções, tais autores concebem a noção de obra no contexto da música popular como um script, um roteiro em aberto com diversas camadas de mediadores (intérpretes, arranjadores, copistas e gravadoras) contribuindo para a sua construção. O segundo polo tem como tema a questão do canto na música popular brasileira: a procura de um paradigma de um “canto nacional” foi uma constante em diversos períodos históricos, particularmente no período áureo da radiofonia no Brasil (1930- 1950), a fusão entre elementos da música de tradição de concerto e a música popular urbana foi um elemento recorrente na busca de uma ansiada “identidade nacional”. Assim, a obra A noiva do condutor pode ser compreendida como um exemplo desse processo. Finalmente, o terceiro polo é constituído de três componentes práticas relacionadas à “performance musical”: a elaboração de uma edição inédita da obra A noiva do condutor baseada nos manuscritos originais que estavam desaparecidos até setembro de 2022, a realização de partitura inédita dessa obra com a inclusão de transcrição fonética embasada no AFI (Alfabeto Fonético Internacional) (2002), com respectiva tradução livre do texto para o Inglês e Espanhol e performance dessa obra como parte do espetáculo O sonho de Edgard – A criação da rádio brasileira (Adriano Pinheiro) estreado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 13 de setembro de 2023. |
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