Publicação
Effect of different environmental conditions on the incorporation of trace elements by larval shells of Mytilus galloprovincialis
| Resumo: | A dispersão de organismos marinhos durante a sua fase larvar é determinante para a conectividade entre populações e o estabelecimento da complexa biogeografia das espécies marinhas. A determinação dos padrões de dispersão tem sido relevante para a conservação de espécies, a gestão de stocks de pesca e mesmo para a compreensão de processos ecológicos como a extinção e a recolonização de populações. As estruturas carbonatadas de organismos marinhos representam arquivos de informação ambiental. Através da análise geoquímica de estruturas como os otólitos de peixe e os estatólitos e conchas de invertebrados é possível descobrir as condições físico-químicas ambientais sob as quais se desenvolveram estes organismos e reconstruir padrões de dispersão e locais de origem de indivíduos. No entanto, a incorporação dos elementos químicos por estas estruturas é altamente regulado por um conjunto de fatores físico-químicos ambientais e biológicos que deverão ser ponderados para uma correta utilização de assinaturas geoquímicas como meio de identificação geográfica. Com o intuito de investigar como a composição química de conchas larvares do mexilhão Mytilus galloprovincialis é influenciada por algumas condições ambientais e temporais, indivíduos desta espécie foram submetidos a diferentes temperaturas, salinidades e concentrações de elementos. Pretendia-se verificar como difere a incorporação de elementos com os diferentes parâmetros de cada fator ambiental e se a mesma é influenciada pela idade do indivíduo. Com esse objetivo foram cultivadas larvas de M. galloprovincialis por um período de 6 e 14 dias e criados tratamentos combinados de temperatura (12, 17, 20 e 25°C) e de salinidade (26, 32 and 37). Foram quantificadas as concentrações dos elementos Mg, Mn, Ba, Sr, Cu e Zn pelo rácio de Ca através de análise de ICP-MS (inductively coupled plasma mass spectometry). Paralelamente um outro conjunto de indivíduos larvares foi submetido a concentrações de Cu e Zn durante aproximadamente 3 dias. Não foi encontrada variabilidade significativa nas assinaturas geoquímicas entre as larvas com 6 dias e 14 dias de idade, sugerindo uma composição química estável, para este período, que não foi afetada pelo desenvolvimento larvar. Numa outra abordagem, foi detetada a máxima incorporação destes elementos a uma temperatura de 17°C e a diferentes combinações de temperatura e salinidade, realçando uma interacção entre estes fatores. Estes resultados realçam a possível influência da temperatura sob a disponibilidade de cada elemento. Outro aspeto a ter em conta é o facto de a 17°C serem encontradas as condições ótimas para o desenvolvimento larvar, e por isso também da secreção da concha carbonatada do mexilhão, existindo uma maior incorporação dos elementos do ambiente. A incorporação de Cu, no entanto, não mostrou ser significativamente afetada pela temperatura nem pela salinidade. Relativamente ao Zn estes efeitos foram apenas significativos quando não combinados. Para além disso, e numa terceira abordagem, a disponibilidade destes últimos na água, não se mostrou determinante para a incorporação dos mesmos nas conchas, sugerindo-se um controlo da inclusão por parte de fatores fisiológicos do próprio organismo. Os resultados obtidos permitem compreender mais detalhadamente a relação que alguns fatores ambientais exercem sob a produção de assinaturas químicas em conchas larvares desta espécie de mexilhão e poderão contribuir para uma melhor interpretação de padrões de conectividade de populações no meio marinho. |
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| Autores principais: | Carvalho, Andreia Cristina Ferreira de |
| Assunto: | Biologia marinha Organismos marinhos - Larvas Conchas marinhas Mexilhões Ecossistemas marinhos Água do mar - Temperatura - Salinidade |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | A dispersão de organismos marinhos durante a sua fase larvar é determinante para a conectividade entre populações e o estabelecimento da complexa biogeografia das espécies marinhas. A determinação dos padrões de dispersão tem sido relevante para a conservação de espécies, a gestão de stocks de pesca e mesmo para a compreensão de processos ecológicos como a extinção e a recolonização de populações. As estruturas carbonatadas de organismos marinhos representam arquivos de informação ambiental. Através da análise geoquímica de estruturas como os otólitos de peixe e os estatólitos e conchas de invertebrados é possível descobrir as condições físico-químicas ambientais sob as quais se desenvolveram estes organismos e reconstruir padrões de dispersão e locais de origem de indivíduos. No entanto, a incorporação dos elementos químicos por estas estruturas é altamente regulado por um conjunto de fatores físico-químicos ambientais e biológicos que deverão ser ponderados para uma correta utilização de assinaturas geoquímicas como meio de identificação geográfica. Com o intuito de investigar como a composição química de conchas larvares do mexilhão Mytilus galloprovincialis é influenciada por algumas condições ambientais e temporais, indivíduos desta espécie foram submetidos a diferentes temperaturas, salinidades e concentrações de elementos. Pretendia-se verificar como difere a incorporação de elementos com os diferentes parâmetros de cada fator ambiental e se a mesma é influenciada pela idade do indivíduo. Com esse objetivo foram cultivadas larvas de M. galloprovincialis por um período de 6 e 14 dias e criados tratamentos combinados de temperatura (12, 17, 20 e 25°C) e de salinidade (26, 32 and 37). Foram quantificadas as concentrações dos elementos Mg, Mn, Ba, Sr, Cu e Zn pelo rácio de Ca através de análise de ICP-MS (inductively coupled plasma mass spectometry). Paralelamente um outro conjunto de indivíduos larvares foi submetido a concentrações de Cu e Zn durante aproximadamente 3 dias. Não foi encontrada variabilidade significativa nas assinaturas geoquímicas entre as larvas com 6 dias e 14 dias de idade, sugerindo uma composição química estável, para este período, que não foi afetada pelo desenvolvimento larvar. Numa outra abordagem, foi detetada a máxima incorporação destes elementos a uma temperatura de 17°C e a diferentes combinações de temperatura e salinidade, realçando uma interacção entre estes fatores. Estes resultados realçam a possível influência da temperatura sob a disponibilidade de cada elemento. Outro aspeto a ter em conta é o facto de a 17°C serem encontradas as condições ótimas para o desenvolvimento larvar, e por isso também da secreção da concha carbonatada do mexilhão, existindo uma maior incorporação dos elementos do ambiente. A incorporação de Cu, no entanto, não mostrou ser significativamente afetada pela temperatura nem pela salinidade. Relativamente ao Zn estes efeitos foram apenas significativos quando não combinados. Para além disso, e numa terceira abordagem, a disponibilidade destes últimos na água, não se mostrou determinante para a incorporação dos mesmos nas conchas, sugerindo-se um controlo da inclusão por parte de fatores fisiológicos do próprio organismo. Os resultados obtidos permitem compreender mais detalhadamente a relação que alguns fatores ambientais exercem sob a produção de assinaturas químicas em conchas larvares desta espécie de mexilhão e poderão contribuir para uma melhor interpretação de padrões de conectividade de populações no meio marinho. |
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