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Variabilidade do transporte meridional de energia associada ao Enso e ao Modo anular do hemisfério norte

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Resumo:Neste trabalho procedeu-se ao cálculo do integral vertical do transporte meridi-onal de energia na atmosfera, utilizando dados das reanálises ERA-Interim do European Centre for Medium Range Weather Forecasts (ECMWF), para o perí-odo compreendido entre janeiro de 1979 e dezembro de 2012. Uma vez que as reanálises ERA-Interim não conservam a massa da atmosfera, propõe-se uma correção para o transporte meridional, integrado zonalmente e verticalmente. A correção foi aplicada individualmente aos transportes de calor sensível, calor latente e de energia potencial. Os resultados mostram a importância da aplica-ção do método de correção aqui proposto, para a obtenção de melhores estima-tivas do transporte meridional de energia na atmosfera, bem como para a dimi-nuição dos fluxos de energia através do equador. Os valores do transporte e dos fluxos através do equador obtidos neste trabalho, são comparáveis aos de ou-tros trabalhos, que aplicaram métodos de correção diferentes. Obteve-se ainda a decomposição estatística do transporte das várias formas de energia (sem correção ao fluxo de massa) nas circulações transiente, estacionária e meridio-nal média. Com os dados do transporte meridional de energia corrigido, calcularam-se os compósitos do transporte de energia para eventos de El Niño e para eventos de La Ninã. Os resultados mostram que grande parte da variabilidade do transporte de energia devida a estes eventos está associada a variações de intensidade da célula de Hadley, sendo o transporte maior durante períodos de El Niño e em dezembro-janeiro-fevereiro (DJF). Procedeu-se também ao cálculo das correla-ções cruzadas entre as anomalias do transporte de energia e os índices tempo-rais do modo anular do Hemisfério Norte aos 1000 hPa (Oscilação Ártica (AO)) e aos 50 hPa (associado a variações da intensidade do vórtice polar estratosfé-rico). Os resultados sugerem que o deslocamento para latitudes mais elevadas dos sistemas de tempo, acompanhando alterações de amplitude e/ou fase das ondas planetárias em resposta a variações da intensidade do vórtice polar, po-derá funcionar como um dos mecanismos para o estabelecimento da fase posi-tiva da AO. Este resultado contraria a ideia prevalecente na literatura de que é a variabilidade da AO que modula as trajetórias dos sistemas de tempo. O índice da AO será apenas a manifestação estatística dos processos que determinam a variabilidade da circulação na baixa troposfera. Por fim, para validar os resulta-dos das correlações anteriores, calcularam-se os compósitos das anomalias di-árias do transporte de vapor de água, para períodos em que se observa uma intensificação rápida da AO, tendo-se chegado às mesmas conclusões que na análise das correlações cruzadas.
Autores principais:Silva, Rui Pedro Bastos Simões da
Assunto:Meteorologia Física da atmosfera Circulação atmosférica - Energia
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Neste trabalho procedeu-se ao cálculo do integral vertical do transporte meridi-onal de energia na atmosfera, utilizando dados das reanálises ERA-Interim do European Centre for Medium Range Weather Forecasts (ECMWF), para o perí-odo compreendido entre janeiro de 1979 e dezembro de 2012. Uma vez que as reanálises ERA-Interim não conservam a massa da atmosfera, propõe-se uma correção para o transporte meridional, integrado zonalmente e verticalmente. A correção foi aplicada individualmente aos transportes de calor sensível, calor latente e de energia potencial. Os resultados mostram a importância da aplica-ção do método de correção aqui proposto, para a obtenção de melhores estima-tivas do transporte meridional de energia na atmosfera, bem como para a dimi-nuição dos fluxos de energia através do equador. Os valores do transporte e dos fluxos através do equador obtidos neste trabalho, são comparáveis aos de ou-tros trabalhos, que aplicaram métodos de correção diferentes. Obteve-se ainda a decomposição estatística do transporte das várias formas de energia (sem correção ao fluxo de massa) nas circulações transiente, estacionária e meridio-nal média. Com os dados do transporte meridional de energia corrigido, calcularam-se os compósitos do transporte de energia para eventos de El Niño e para eventos de La Ninã. Os resultados mostram que grande parte da variabilidade do transporte de energia devida a estes eventos está associada a variações de intensidade da célula de Hadley, sendo o transporte maior durante períodos de El Niño e em dezembro-janeiro-fevereiro (DJF). Procedeu-se também ao cálculo das correla-ções cruzadas entre as anomalias do transporte de energia e os índices tempo-rais do modo anular do Hemisfério Norte aos 1000 hPa (Oscilação Ártica (AO)) e aos 50 hPa (associado a variações da intensidade do vórtice polar estratosfé-rico). Os resultados sugerem que o deslocamento para latitudes mais elevadas dos sistemas de tempo, acompanhando alterações de amplitude e/ou fase das ondas planetárias em resposta a variações da intensidade do vórtice polar, po-derá funcionar como um dos mecanismos para o estabelecimento da fase posi-tiva da AO. Este resultado contraria a ideia prevalecente na literatura de que é a variabilidade da AO que modula as trajetórias dos sistemas de tempo. O índice da AO será apenas a manifestação estatística dos processos que determinam a variabilidade da circulação na baixa troposfera. Por fim, para validar os resulta-dos das correlações anteriores, calcularam-se os compósitos das anomalias di-árias do transporte de vapor de água, para períodos em que se observa uma intensificação rápida da AO, tendo-se chegado às mesmas conclusões que na análise das correlações cruzadas.