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O burnout entre estudantes: um caso de estudo sobre a Universidade de Aveiro

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O burnout é um problema de saúde pública crescente, com particular incidência nos estudantes universitários. O burnout académico manifesta-se pela sensação de exaustão cognitiva e emocional resultante das exigências do ensino superior e pode ter graves repercussões na saúde física e mental dos alunos. Associa-se também a baixo desempenho cognitivo, menor aproveitamento académico, abandono escolar e até sintomas depressivos nos discentes, podendo afetar o exercício das suas futuras profissões ou levar ao fracasso na conclusão do seu ciclo de estudos e a entrada no mercado de trabalho. A síndrome é potenciada por fatores como a falta de apoio financeiro, as más relações entre os alunos e os docentes, a excessiva competitividade académica e os conflitos entre colegas, e a não participação em atividades extracurriculares. No presente trabalho, realizam-se dois estudos: o primeiro avalia o burnout académico e a toma de medicação como consequências das exigências universitárias; o segundo analisa as estratégias de coping a que os alunos recorrem perante situações complexas, de stress ou de exaustão emocional, bem como a sua motivação em relação aos estudos. Foi usada uma metodologia quantitativa, através da aplicação de dois questionários a duas amostras de estudantes da Universidade de Aveiro, tendose obtido, respetivamente, 207 e 300 respostas válidas. Das variáveis para as quais se encontraram relações estatisticamente significativas com o burnout, destacam-se: a média aritmética (do curso); a situação profissional; a participação em atividades extracurriculares; a prática e frequência de exercício físico; a escolha e expetativas em relação ao curso; a incerteza sentida em relação ao futuro profissional; a avaliação da relação com os colegas, da competência dos professores e das condições materiais da instituição de ensino; a capacidade para suportar a pressão do respetivo ciclo de estudos; a classificação do seu próprio desempenho académico; a tendência para desistir do curso e/ou estudos; um diagnóstico recente de depressão; e a toma de medicação (em particular, antidepressiva, ansiolítica, multivitamínica e/ou hipnótica). Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nos níveis de burnout em alunos que recorrem a estratégias como coping ativo, planear, reinterpretação positiva, autoculpabilização, aceitação, negação, autodistração, desinvestimento comportamental, abuso de substâncias (medicamentos/álcool) e humor. No que respeita à relação entre a síndrome e a motivação, os estudantes com níveis mais elevados de burnout apresentaram pontuações inferiores nas metas orientadas para aprendizagem (i.e., menor motivação intrínseca) e nas metas orientadas para o rendimento. Os alunos com pontuações mais elevadas nas metas orientadas para o evitamento da pressão social apresentam maiores níveis de burnout.
Autores principais:Salgado, Daniela Sofia da Silva
Assunto:Burnout Burnout académico Ensino superior Universidade de Aveiro Estratégias de coping Stress Motivação
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:O burnout é um problema de saúde pública crescente, com particular incidência nos estudantes universitários. O burnout académico manifesta-se pela sensação de exaustão cognitiva e emocional resultante das exigências do ensino superior e pode ter graves repercussões na saúde física e mental dos alunos. Associa-se também a baixo desempenho cognitivo, menor aproveitamento académico, abandono escolar e até sintomas depressivos nos discentes, podendo afetar o exercício das suas futuras profissões ou levar ao fracasso na conclusão do seu ciclo de estudos e a entrada no mercado de trabalho. A síndrome é potenciada por fatores como a falta de apoio financeiro, as más relações entre os alunos e os docentes, a excessiva competitividade académica e os conflitos entre colegas, e a não participação em atividades extracurriculares. No presente trabalho, realizam-se dois estudos: o primeiro avalia o burnout académico e a toma de medicação como consequências das exigências universitárias; o segundo analisa as estratégias de coping a que os alunos recorrem perante situações complexas, de stress ou de exaustão emocional, bem como a sua motivação em relação aos estudos. Foi usada uma metodologia quantitativa, através da aplicação de dois questionários a duas amostras de estudantes da Universidade de Aveiro, tendose obtido, respetivamente, 207 e 300 respostas válidas. Das variáveis para as quais se encontraram relações estatisticamente significativas com o burnout, destacam-se: a média aritmética (do curso); a situação profissional; a participação em atividades extracurriculares; a prática e frequência de exercício físico; a escolha e expetativas em relação ao curso; a incerteza sentida em relação ao futuro profissional; a avaliação da relação com os colegas, da competência dos professores e das condições materiais da instituição de ensino; a capacidade para suportar a pressão do respetivo ciclo de estudos; a classificação do seu próprio desempenho académico; a tendência para desistir do curso e/ou estudos; um diagnóstico recente de depressão; e a toma de medicação (em particular, antidepressiva, ansiolítica, multivitamínica e/ou hipnótica). Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nos níveis de burnout em alunos que recorrem a estratégias como coping ativo, planear, reinterpretação positiva, autoculpabilização, aceitação, negação, autodistração, desinvestimento comportamental, abuso de substâncias (medicamentos/álcool) e humor. No que respeita à relação entre a síndrome e a motivação, os estudantes com níveis mais elevados de burnout apresentaram pontuações inferiores nas metas orientadas para aprendizagem (i.e., menor motivação intrínseca) e nas metas orientadas para o rendimento. Os alunos com pontuações mais elevadas nas metas orientadas para o evitamento da pressão social apresentam maiores níveis de burnout.