Publicação
Caracterização das comunidades de bactérias da seiva xilémica e rizosfera das variedades de oliveira Cobrançosa e Galega Vulgar
| Resumo: | O cultivo da oliveira (Olea europaea L.) reveste-se de importância cultural, ecológica e económica nos países do Mediterrâneo. Em Portugal, a contribuição da olivicultura para a economia e a tendência de crescimento da procura e do valor comercial da azeitona e do azeite, tem conduzido a alterações no tipo de cultivo. A este tipo de agricultura, está associada a irrigação artificial e a utilização de agroquímicos, práticas suscetíveis de afetar negativamente a qualidade dos solos e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Adicionalmente, as variedades introduzidas em Portugal, mais produtivas e adaptadas ao cultivo intensivo, tornam crítica a prevenção de riscos fitossanitários e proteção das variedades autóctones. O microbioma das plantas tem vindo a ser reconhecido como um fator fundamental na produtividade e na sua condição fisiológica. Assim, a manipulação do microbioma, emerge como uma promissora ferramenta biológica, cuja aplicação generalizada carece ainda de conhecimento científico aprofundado. Este estudo visa contribuir para o conhecimento do microbioma de variedades autóctones de oliveira, como base para estratégias futuras de promoção da sustentabilidade, resiliência e produtividade do olival. Procedeu-se à caraterização da estrutura e composição das comunidades bacterianas associadas às variedades autóctones Galega Vulgar e Cobrançosa, com particular enfoque em dois compartimentos: um mais associado ao recrutamento da microbiota (rizosfera) e outro menos explorado, mas potencialmente associado à dispersão da microbiota pela planta (seiva xilémica). A amostragem realizou-se numa exploração olivícola em Oliveira do Hospital. Para a análise microbiológica recorreu-se a sequenciação avançada do gene ribossomal 16S RNA. Os resultados apontam para diferenças significativas entre as comunidades bacterianas encontradas na seiva xilémica e na rizosfera, sendo este último compartimento caraterizado por maior riqueza e diversidade. A análise da estrutura taxonómica ao nível da família, sugere que quer a rizosfera, quer a seiva xilémica, representam micro-habitats colonizados por bactérias com potencial para promoção do crescimento da planta. As famílias mais representadas foram Bradyrhizobiaceaa, Solirubrobacteraceae e Nocardioidaceae na rizosfera e Moraxellaceae, Sphingomonadaceae e Oxalobacteraceae na seiva xilémica. Foi também detetada maior diversidade bacteriana na variedade Galega Vulgar, comparativamente à estimada para a variedade Cobrançosa. Estas diferenças na microbiota, podem ter implicações em termos de suscetibilidade/resistência de diferentes variedades, a fatores de stresse biótico e abiótico, que merece ser explorada em estudos futuros. |
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| Autores principais: | Marques, Mónica Sofia Gonçalves |
| Assunto: | Endófitos Microbiota Microbioma Olea europaea L. Olivicultura Rizobactérias |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | O cultivo da oliveira (Olea europaea L.) reveste-se de importância cultural, ecológica e económica nos países do Mediterrâneo. Em Portugal, a contribuição da olivicultura para a economia e a tendência de crescimento da procura e do valor comercial da azeitona e do azeite, tem conduzido a alterações no tipo de cultivo. A este tipo de agricultura, está associada a irrigação artificial e a utilização de agroquímicos, práticas suscetíveis de afetar negativamente a qualidade dos solos e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Adicionalmente, as variedades introduzidas em Portugal, mais produtivas e adaptadas ao cultivo intensivo, tornam crítica a prevenção de riscos fitossanitários e proteção das variedades autóctones. O microbioma das plantas tem vindo a ser reconhecido como um fator fundamental na produtividade e na sua condição fisiológica. Assim, a manipulação do microbioma, emerge como uma promissora ferramenta biológica, cuja aplicação generalizada carece ainda de conhecimento científico aprofundado. Este estudo visa contribuir para o conhecimento do microbioma de variedades autóctones de oliveira, como base para estratégias futuras de promoção da sustentabilidade, resiliência e produtividade do olival. Procedeu-se à caraterização da estrutura e composição das comunidades bacterianas associadas às variedades autóctones Galega Vulgar e Cobrançosa, com particular enfoque em dois compartimentos: um mais associado ao recrutamento da microbiota (rizosfera) e outro menos explorado, mas potencialmente associado à dispersão da microbiota pela planta (seiva xilémica). A amostragem realizou-se numa exploração olivícola em Oliveira do Hospital. Para a análise microbiológica recorreu-se a sequenciação avançada do gene ribossomal 16S RNA. Os resultados apontam para diferenças significativas entre as comunidades bacterianas encontradas na seiva xilémica e na rizosfera, sendo este último compartimento caraterizado por maior riqueza e diversidade. A análise da estrutura taxonómica ao nível da família, sugere que quer a rizosfera, quer a seiva xilémica, representam micro-habitats colonizados por bactérias com potencial para promoção do crescimento da planta. As famílias mais representadas foram Bradyrhizobiaceaa, Solirubrobacteraceae e Nocardioidaceae na rizosfera e Moraxellaceae, Sphingomonadaceae e Oxalobacteraceae na seiva xilémica. Foi também detetada maior diversidade bacteriana na variedade Galega Vulgar, comparativamente à estimada para a variedade Cobrançosa. Estas diferenças na microbiota, podem ter implicações em termos de suscetibilidade/resistência de diferentes variedades, a fatores de stresse biótico e abiótico, que merece ser explorada em estudos futuros. |
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