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Os desafios da reforma curricular e a formação de professores de ciências da natureza do 1º ciclo do ensino básico: a prática pedagógica como indicador de mudanças necessárias

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A investigação que deu origem à dissertação apresentada tomou como base a relevância da Reforma Curricular já iniciada, mas também dificuldades previsíveis na sua implementação. A pesquisa teórica realizada sugere dificuldades de implementação nos Estágios da Formação Inicial, ao nível do 1º Ciclo do Ensino Básico, de uma Prática Pedagógica de Ciências da Natureza congruente com os Princípios Orientadores da Reforma Curricular. À ideia decorrente é que a prática pedagógica realmente desenvolvida pelos professores estagiários nas escolas não está globalmente de acordo com o Quadro preconizado. Estará o perfil de Práticas Pedagógicas, desenvolvidas pelos Estagiários, relacionado com alguns aspectos, como sejam a preparação anterior do Estagiário na área das Ciências, as suas experiências durante o curso de formação de Professores, as suas representações sobre o ensino e a aprendizagem, a influência de um modelo de Professor do ensino primário que lhe é transmitido no Estágio Pedagógico ou que possui e não modificou durante o Curso de formação? Para prosseguir a investigação foram definidos os seguintes objectivos gerais: 1 - Descrever a Prática Pedagógica de Ciências da Natureza de professores estagiários da Formação Inicial do 1º Ciclo do Ensino Básico, nomeadamente estabelecer perfis de Prática Pedagógica. 2 - Analisar discrepâncias entre a realização dessa Prática Pedagógica e o Quadro preconizado. 3 - Interpretar as discrepâncias encontradas entre o modelo proposto e os perfis descritos. 4 - Propor alterações relativas a aspectos da Formação Inicial de Professores para o 1º Ciclo do Ensino Básico, conducentes a melhorias no Ensino das Ciências. A investigação desenvolveu-se ao longo de mais de dois anos. A estratégia metodológica delineada consistiu num ESTUDO DE CASOS, de natureza exploratória, envolvendo 4 estagiários da Formação Inicial de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico. Os participantes foram seleccionados através de um questionário. envolvendo 4 estagiários da Formação Inicial de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico. Os participantes foram seleccionados através de um questionário. Construiu-se um instrumento de análise das práticas pedagógicas, com base nos Princípios Orientadores indicados no Programa da Nova Reforma Curricular portuguesa, relativos à aprendizagem, e igualmente identificados em outros Projectos de Reformas Curriculares e na literatura: Activa, significativa, Diversificada e Criativa, Globalizante e Integradora, Socializadora. O instrumento de análise foi validado por um painel de juízes. Foram recolhidas evidências das práticas pedagógicas através da observação directa e videogravação de aulas. Na sequência da análise das práticas pedagógicas, foram conduzidas entrevistas individuais com a intenção de encontrar factores interpretativos do desempenho dos professores estagiários. Os resultados a que conduziu o desenvolvimento da investigação, dada a natureza do estudo, são apenas generalizáveis sob o ponto de vista analítico. É possível, contudo, avançar conclusões que consideramos serem de interesse, como pontos de partida para estudos de incidência mais geral. Na verdade, a análise de congruências para os quatro casos estudados permitiu identificar três potenciais perfis, correspondentes a três formas distintas de realizar a Prática Pedagógica de Ciências: Ciência Interpretativa, Ciência Ilustrada e Ciência Descritiva, em que, respectivamente, é colocada a ênfase na importância atribuída à interpretação dos assuntos pelos alunos através do recurso ao diálogo, é valorizada a demonstração experimental e os recursos ilustrativos explorando o efeito surpresa dos materiais, ou sobressai a exposição sequencial de informações através de definições. Tais perfis parecem estar intimamente relacionados com o maior percurso académico na área das Ciências, com o gosto pelas Ciências adquirido durante o Estágio Pedagógico ou com dificuldades sentidas ao nível das Ciências e não ultrapassadas durante o Curso de Formação. Pudemos reunir, ainda, conclusões da investigação extensíveis aos quatro CASOS estudados, genericamente: - As Práticas Pedagógicas desenvolvidas pelos estagiários ainda estão longe de estarem próximas do Quadro Teórico de Referência tomado. - Existem muitas deficiências de carácter científico: foram detectados muitos erros e concepções alternativas nos estagiários em relação aos conceitos abordados. - Todos declaram uma desadequação do Curso de Formação de Professores às necessidades da prática pedagógica, referindo uma formação muito teórica, grande discrepância entre o aprendido e aquilo que vão ensinar às crianças e quase ausência de disciplinas no âmbito das Ciências. Referem melhor preparação, ou seja, mais adequada para a prática pedagógica, no âmbito de outras áreas curriculares. - Parece ocorrer uma representação muito comum a todos, de professor do Ensino Primário, que interpretamos como correspondente a um modelo de índole muito tradicional, conferindo muita importância ao respeito e silêncio impostos pela autoridade, dando primazia ao discurso informativo do professor sobre a actividade dos alunos. O Estágio surge como uma situação especial "em que se trabalha para a nota" mas cujo modelo de Práticas nem sequer se vai, ou é possível, manter. Todos concordam que os Professores do Ensino Primário seguem esse modelo expositivo, de repetição. Admitem que mais cedo ou mais tarde, com facilidade virão a adaptar-se ao modelo de Professor do Ensino Primário apontado, como se fosse inevitável, fatalmente, com a prática e a experiência. Parecem reconhecer-lhe eficácia! - Parecem entender os Programas como um rol de conteúdos e objectivos, e a pouco tempo da generalização mostram desconhecer os textos dos programas da nova Reforma. Manifesta-se ausência de preparação para a versatilidade dos Programas e para os Princípios Orientadores (PO) que eles preconizam. Com base nos resultados obtidos, apontam-se propostas de alterações ao nível da Formação de Professores de Ciências do 1º Ciclo do Ensino Básico, que pensamos poderem contribuir para uma modificação da situação evidenciada, resumidamente quanto à necessidade de reestruturar os curriculum de formação científica e didáctica dos cursos de formação inicial de professores, numa perspectiva mais crítica e actual, e simultaneamente dar atenção à formação de formadores.
Autores principais:Paixão, Maria de Fátima Carmona Simões da
Assunto:Currículos Ensino básico 1º ciclo Formação de professores Estudo de caso Inovação pedagógica Prática pedagógica Formação inicial de professores Ensino das ciências Professores de ciências Estilos pedagógicos
Ano:1993
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:A investigação que deu origem à dissertação apresentada tomou como base a relevância da Reforma Curricular já iniciada, mas também dificuldades previsíveis na sua implementação. A pesquisa teórica realizada sugere dificuldades de implementação nos Estágios da Formação Inicial, ao nível do 1º Ciclo do Ensino Básico, de uma Prática Pedagógica de Ciências da Natureza congruente com os Princípios Orientadores da Reforma Curricular. À ideia decorrente é que a prática pedagógica realmente desenvolvida pelos professores estagiários nas escolas não está globalmente de acordo com o Quadro preconizado. Estará o perfil de Práticas Pedagógicas, desenvolvidas pelos Estagiários, relacionado com alguns aspectos, como sejam a preparação anterior do Estagiário na área das Ciências, as suas experiências durante o curso de formação de Professores, as suas representações sobre o ensino e a aprendizagem, a influência de um modelo de Professor do ensino primário que lhe é transmitido no Estágio Pedagógico ou que possui e não modificou durante o Curso de formação? Para prosseguir a investigação foram definidos os seguintes objectivos gerais: 1 - Descrever a Prática Pedagógica de Ciências da Natureza de professores estagiários da Formação Inicial do 1º Ciclo do Ensino Básico, nomeadamente estabelecer perfis de Prática Pedagógica. 2 - Analisar discrepâncias entre a realização dessa Prática Pedagógica e o Quadro preconizado. 3 - Interpretar as discrepâncias encontradas entre o modelo proposto e os perfis descritos. 4 - Propor alterações relativas a aspectos da Formação Inicial de Professores para o 1º Ciclo do Ensino Básico, conducentes a melhorias no Ensino das Ciências. A investigação desenvolveu-se ao longo de mais de dois anos. A estratégia metodológica delineada consistiu num ESTUDO DE CASOS, de natureza exploratória, envolvendo 4 estagiários da Formação Inicial de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico. Os participantes foram seleccionados através de um questionário. envolvendo 4 estagiários da Formação Inicial de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico. Os participantes foram seleccionados através de um questionário. Construiu-se um instrumento de análise das práticas pedagógicas, com base nos Princípios Orientadores indicados no Programa da Nova Reforma Curricular portuguesa, relativos à aprendizagem, e igualmente identificados em outros Projectos de Reformas Curriculares e na literatura: Activa, significativa, Diversificada e Criativa, Globalizante e Integradora, Socializadora. O instrumento de análise foi validado por um painel de juízes. Foram recolhidas evidências das práticas pedagógicas através da observação directa e videogravação de aulas. Na sequência da análise das práticas pedagógicas, foram conduzidas entrevistas individuais com a intenção de encontrar factores interpretativos do desempenho dos professores estagiários. Os resultados a que conduziu o desenvolvimento da investigação, dada a natureza do estudo, são apenas generalizáveis sob o ponto de vista analítico. É possível, contudo, avançar conclusões que consideramos serem de interesse, como pontos de partida para estudos de incidência mais geral. Na verdade, a análise de congruências para os quatro casos estudados permitiu identificar três potenciais perfis, correspondentes a três formas distintas de realizar a Prática Pedagógica de Ciências: Ciência Interpretativa, Ciência Ilustrada e Ciência Descritiva, em que, respectivamente, é colocada a ênfase na importância atribuída à interpretação dos assuntos pelos alunos através do recurso ao diálogo, é valorizada a demonstração experimental e os recursos ilustrativos explorando o efeito surpresa dos materiais, ou sobressai a exposição sequencial de informações através de definições. Tais perfis parecem estar intimamente relacionados com o maior percurso académico na área das Ciências, com o gosto pelas Ciências adquirido durante o Estágio Pedagógico ou com dificuldades sentidas ao nível das Ciências e não ultrapassadas durante o Curso de Formação. Pudemos reunir, ainda, conclusões da investigação extensíveis aos quatro CASOS estudados, genericamente: - As Práticas Pedagógicas desenvolvidas pelos estagiários ainda estão longe de estarem próximas do Quadro Teórico de Referência tomado. - Existem muitas deficiências de carácter científico: foram detectados muitos erros e concepções alternativas nos estagiários em relação aos conceitos abordados. - Todos declaram uma desadequação do Curso de Formação de Professores às necessidades da prática pedagógica, referindo uma formação muito teórica, grande discrepância entre o aprendido e aquilo que vão ensinar às crianças e quase ausência de disciplinas no âmbito das Ciências. Referem melhor preparação, ou seja, mais adequada para a prática pedagógica, no âmbito de outras áreas curriculares. - Parece ocorrer uma representação muito comum a todos, de professor do Ensino Primário, que interpretamos como correspondente a um modelo de índole muito tradicional, conferindo muita importância ao respeito e silêncio impostos pela autoridade, dando primazia ao discurso informativo do professor sobre a actividade dos alunos. O Estágio surge como uma situação especial "em que se trabalha para a nota" mas cujo modelo de Práticas nem sequer se vai, ou é possível, manter. Todos concordam que os Professores do Ensino Primário seguem esse modelo expositivo, de repetição. Admitem que mais cedo ou mais tarde, com facilidade virão a adaptar-se ao modelo de Professor do Ensino Primário apontado, como se fosse inevitável, fatalmente, com a prática e a experiência. Parecem reconhecer-lhe eficácia! - Parecem entender os Programas como um rol de conteúdos e objectivos, e a pouco tempo da generalização mostram desconhecer os textos dos programas da nova Reforma. Manifesta-se ausência de preparação para a versatilidade dos Programas e para os Princípios Orientadores (PO) que eles preconizam. Com base nos resultados obtidos, apontam-se propostas de alterações ao nível da Formação de Professores de Ciências do 1º Ciclo do Ensino Básico, que pensamos poderem contribuir para uma modificação da situação evidenciada, resumidamente quanto à necessidade de reestruturar os curriculum de formação científica e didáctica dos cursos de formação inicial de professores, numa perspectiva mais crítica e actual, e simultaneamente dar atenção à formação de formadores.