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Plataforma de informação de desempenho para a mobilidade ciclável

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em Portugal, o setor dos transportes é um dos principais responsáveis pelas elevadas emissões de gases com efeito de estufa. O aumento do tráfego nas cidades tem levado a problemas de congestionamento, com consequências negativas no meio ambiente e na qualidade de vida das populações. Em cidades onde se verifica que o uso da bicicleta começa a ter uma expressão acentuada como meio de transporte pendular ou em ocupação recreativa, o planeamento e gestão da rede ciclável necessita ainda de dados sobre a sua real utilização. Apesar da teoria e das boas práticas de outras cidades darem informação acerca da criação de boas soluções de infraestruturas viárias, nem sempre existe uma resposta adequada da parte do planeamento e gestão municipal para os utilizadores de bicicleta em meio urbano, particularmente por falta de informação existente relativa aos percursos que estes escolhem e às necessidades que reivindicam. Dessa forma, surge a necessidade de interação entre as Câmaras Municipais e os utilizadores de bicicleta, de maneira a compreender as suas necessidades e poder realizar um planeamento da rede ciclável tendo por base os dados fornecidos pelos utilizadores. Assim, esta dissertação de mestrado tem como principal objetivo a integração de equipamentos de monitorização experimental de uma bicicleta e do respetivo utilizador, no que diz respeito à escolha do melhor percurso na cidade, considerando como fatores primordiais o tempo associado à realização dos percursos, o dispêndio de energia e o número de ultrapassagens que o ciclista sofre durante a sua realização. Os locais de interesse para aplicação deste sistema são as cidades de Aveiro e Porto, cidades amplamente distintas no que concerne a este meio de transporte. Por um lado, temos Aveiro, que é a sub-região de Portugal com mais utilizadores de bicicleta, apresentando uma taxa de utilização de 3,9%, cerca de oito vezes superior à média nacional que fica nos 0,5%. Por outro lado, a cidade do Porto tem um valor muito baixo, cerca de 0,6%. Durante as 13,4 horas de monitorização, verificou-se que na cidade de Aveiro os modos positivos de BSP representaram 71% do tempo total associado à realização dos percursos e para o Porto 74,5%, pelo que indica que é requerido ao ciclista esforço físico em cerca de ¾ do tempo. No que se refere ao batimento cardíaco, verificou-se que o aumento deste, durante a realização dos percursos, é 40,2% inferior para a cidade de Aveiro face ao Porto, o que indica que a utilização de bicicleta em Aveiro é do ponto de vista físico menos exigente, uma vez que o ciclista na cidade do Porto obtém um valor de batimento cardíaco no final da viagem cerca de 2,1 vezes superior ao seu batimento cardíaco inicial, enquanto que em Aveiro, o valor final obtido é apenas 1,3 vezes superior ao valor inicial. No que respeita ao consumo de energia, verificou-se que os percursos em Aveiro apresentaram um valor médio de 116,2 Wh e no Porto de 199,2 Wh, sendo este último cerca de 72% superior ao obtido para os percursos em Aveiro. Por último, realizou-se uma análise de conflitos entre ciclistas e automobilistas, verificando-se que o ciclista na cidade de Aveiro era ultrapassado em média cerca de 104 vezes por percurso e no Porto aproximadamente 239 vezes.
Autores principais:Cruz, Ricardo Jorge Martins Tavares da
Assunto:Mobilidade urbana Monitorização em estrada Bicicleta SIG Rede ciclável
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Em Portugal, o setor dos transportes é um dos principais responsáveis pelas elevadas emissões de gases com efeito de estufa. O aumento do tráfego nas cidades tem levado a problemas de congestionamento, com consequências negativas no meio ambiente e na qualidade de vida das populações. Em cidades onde se verifica que o uso da bicicleta começa a ter uma expressão acentuada como meio de transporte pendular ou em ocupação recreativa, o planeamento e gestão da rede ciclável necessita ainda de dados sobre a sua real utilização. Apesar da teoria e das boas práticas de outras cidades darem informação acerca da criação de boas soluções de infraestruturas viárias, nem sempre existe uma resposta adequada da parte do planeamento e gestão municipal para os utilizadores de bicicleta em meio urbano, particularmente por falta de informação existente relativa aos percursos que estes escolhem e às necessidades que reivindicam. Dessa forma, surge a necessidade de interação entre as Câmaras Municipais e os utilizadores de bicicleta, de maneira a compreender as suas necessidades e poder realizar um planeamento da rede ciclável tendo por base os dados fornecidos pelos utilizadores. Assim, esta dissertação de mestrado tem como principal objetivo a integração de equipamentos de monitorização experimental de uma bicicleta e do respetivo utilizador, no que diz respeito à escolha do melhor percurso na cidade, considerando como fatores primordiais o tempo associado à realização dos percursos, o dispêndio de energia e o número de ultrapassagens que o ciclista sofre durante a sua realização. Os locais de interesse para aplicação deste sistema são as cidades de Aveiro e Porto, cidades amplamente distintas no que concerne a este meio de transporte. Por um lado, temos Aveiro, que é a sub-região de Portugal com mais utilizadores de bicicleta, apresentando uma taxa de utilização de 3,9%, cerca de oito vezes superior à média nacional que fica nos 0,5%. Por outro lado, a cidade do Porto tem um valor muito baixo, cerca de 0,6%. Durante as 13,4 horas de monitorização, verificou-se que na cidade de Aveiro os modos positivos de BSP representaram 71% do tempo total associado à realização dos percursos e para o Porto 74,5%, pelo que indica que é requerido ao ciclista esforço físico em cerca de ¾ do tempo. No que se refere ao batimento cardíaco, verificou-se que o aumento deste, durante a realização dos percursos, é 40,2% inferior para a cidade de Aveiro face ao Porto, o que indica que a utilização de bicicleta em Aveiro é do ponto de vista físico menos exigente, uma vez que o ciclista na cidade do Porto obtém um valor de batimento cardíaco no final da viagem cerca de 2,1 vezes superior ao seu batimento cardíaco inicial, enquanto que em Aveiro, o valor final obtido é apenas 1,3 vezes superior ao valor inicial. No que respeita ao consumo de energia, verificou-se que os percursos em Aveiro apresentaram um valor médio de 116,2 Wh e no Porto de 199,2 Wh, sendo este último cerca de 72% superior ao obtido para os percursos em Aveiro. Por último, realizou-se uma análise de conflitos entre ciclistas e automobilistas, verificando-se que o ciclista na cidade de Aveiro era ultrapassado em média cerca de 104 vezes por percurso e no Porto aproximadamente 239 vezes.