Publicação

Hydrostatic pressure on cadmium toxicity in Palaemon varians

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Recentemente têm sido identificados alguns perigos relativamente ao ambiente no mar profundo, como atividades de mineração marinha, e que exigem uma melhor compreensão sobre as características únicas destes ecossistemas. A alta pressão hidrostática (HHP) é uma das condições abióticas mais importantes para a vida neste ambiente; no entanto os seus efeitos nos processos e estruturas dos organismos são pouco compreendidos. Enquanto a realização de testes com organismos do fundo do mar é muito desafiadora e cara, avaliar os efeitos da HHP utilizando espécies de águas rasas parece ser a melhor abordagem. O camarão Palaemon varians é uma espécie com estreita relação filogenética com algumas espécies-chave do mar profundo. No presente estudo, P. varians foi exposto a uma gama de diferentes HHP (10, 20, 30 e 40 MPa) e a duas temperaturas diferentes (4 ºC e 20 ºC), e diversos marcadores bioquímicos (as actividades de AChE, GST e CAT e os níveis de LPO) foram medidos a fim de avaliar a utilização desta espécie como modelo para estudos a desenvolver em laboratório. Todos os animais expostos a HHP acima de 20 MPa morreram durante a exposição. Embora nenhuma interação nos marcadores bioquímicos medidos tenha sido encontrada entre HHP e temperatura, os animais expostos a 20 MPa e 4 ° C também morreram durante a exposição. Os níveis de LPO e a atividade da GST aumentaram a temperaturas baixas, e por isso a utilização desta espécie a essas temperaturas requer uma investigação mais aprofundada. Devido à ausência de resposta de todos os biomarcadores medidos, esta espécie parece ser adequado para ensaios laboratoriais com pressões de 10 MPa. A pressões de 20 MPa, foram observadas algumas alteração nos níveis de LPO e AChE após 8 horas de recuperação da exposição sendo por isso necessário aprofundar o estudo destes efeitos. Além disso, a mortalidade registada a temperaturas baixas faz com que o uso desta espécie em tais pressões seja limitada. Na segunda parte deste trabalho, a fim de avaliar o efeito da pressão sobre a sensibilidade desta espécie para a exposição a cádmio, P. varians foi exposto a várias concentrações de cádmio durante 96 h, juntamente com diferentes regimes de pressão: pressão atmosférica; simultaneamente, durante 8 horas, com uma pressão de 20 MPa; e pré-expostos a 20 MPa durante 8 h. Os valores de LC50 calculados foram semelhantes para os diferentes regimes de pressão, o que indica que a esta pressão não são observados efeitos sobre a toxicidade do cádmio para P. varians. Embora esta seja uma avaliação importante dos efeitos tóxicos do cádmio a pressões elevadas, são necessários estudos adicionais sobre outras espécies e outros produtos químicos que também são propensos a aparecer no fundo do mar.
Autores principais:Domingues, Gonçalo Alexandre Jacinto
Assunto:Ecologia Poluição da água - Oceano Ecossistemas marinhos - Águas profundas Cádmio - Toxicidade Pressão hidrostática Indicadores biológicos Palaemon varians
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Recentemente têm sido identificados alguns perigos relativamente ao ambiente no mar profundo, como atividades de mineração marinha, e que exigem uma melhor compreensão sobre as características únicas destes ecossistemas. A alta pressão hidrostática (HHP) é uma das condições abióticas mais importantes para a vida neste ambiente; no entanto os seus efeitos nos processos e estruturas dos organismos são pouco compreendidos. Enquanto a realização de testes com organismos do fundo do mar é muito desafiadora e cara, avaliar os efeitos da HHP utilizando espécies de águas rasas parece ser a melhor abordagem. O camarão Palaemon varians é uma espécie com estreita relação filogenética com algumas espécies-chave do mar profundo. No presente estudo, P. varians foi exposto a uma gama de diferentes HHP (10, 20, 30 e 40 MPa) e a duas temperaturas diferentes (4 ºC e 20 ºC), e diversos marcadores bioquímicos (as actividades de AChE, GST e CAT e os níveis de LPO) foram medidos a fim de avaliar a utilização desta espécie como modelo para estudos a desenvolver em laboratório. Todos os animais expostos a HHP acima de 20 MPa morreram durante a exposição. Embora nenhuma interação nos marcadores bioquímicos medidos tenha sido encontrada entre HHP e temperatura, os animais expostos a 20 MPa e 4 ° C também morreram durante a exposição. Os níveis de LPO e a atividade da GST aumentaram a temperaturas baixas, e por isso a utilização desta espécie a essas temperaturas requer uma investigação mais aprofundada. Devido à ausência de resposta de todos os biomarcadores medidos, esta espécie parece ser adequado para ensaios laboratoriais com pressões de 10 MPa. A pressões de 20 MPa, foram observadas algumas alteração nos níveis de LPO e AChE após 8 horas de recuperação da exposição sendo por isso necessário aprofundar o estudo destes efeitos. Além disso, a mortalidade registada a temperaturas baixas faz com que o uso desta espécie em tais pressões seja limitada. Na segunda parte deste trabalho, a fim de avaliar o efeito da pressão sobre a sensibilidade desta espécie para a exposição a cádmio, P. varians foi exposto a várias concentrações de cádmio durante 96 h, juntamente com diferentes regimes de pressão: pressão atmosférica; simultaneamente, durante 8 horas, com uma pressão de 20 MPa; e pré-expostos a 20 MPa durante 8 h. Os valores de LC50 calculados foram semelhantes para os diferentes regimes de pressão, o que indica que a esta pressão não são observados efeitos sobre a toxicidade do cádmio para P. varians. Embora esta seja uma avaliação importante dos efeitos tóxicos do cádmio a pressões elevadas, são necessários estudos adicionais sobre outras espécies e outros produtos químicos que também são propensos a aparecer no fundo do mar.