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Saúde e distress psicológico em pessoas com 80 e mais anos residentes na comunidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: O grupo de pessoas com 80 e mais anos é o segmento populacional que mais cresce anualmente e espera-se que até 2050 constitua 3,4% do total da população mundial (UN, 2002). Com o avançar da idade, perdas relacionadas com o processo de envelhecimento traduzem-se numa pior saúde física e funcional, mas são precisamente as pessoas mais velhas, com 80 e mais anos, que avaliam a sua saúde como mais positiva, especialmente quando se compararam com outras pessoas. Este paradoxo constitui uma das grandes contradições da literatura que foca as especificidades do grupo dos muito velhos e sugere a influência de outros factores na mediação entre saúde objectiva e subjectiva. Objectivo: Este estudo pretende descrever e comparar o estado socioeconómico e indicadores de saúde em três grupos etários (65-68, 70-79 e 80+ anos) e analisar a dinâmica da relação entre as três componentes da saúde consideradas – objectiva (saúde física e funcional), subjectiva (auto-percepção de saúde) e mental (distress psicológico) na idade avançada. Metodologia: Recorreu-se a uma amostra de 991 pessoas residentes na comunidade, 698 mulheres (70.4%), com idades compreendidas entre os 65 anos e os 101 anos (média de 74.1 anos, SD 6.5). Na recolha de dados utilizou-se o General Health Questionnaire (GHQ-12; Goldberg and Blackwell, 1970) e o Questionário sobre Saúde e Estilos de Vida (Paúl et al., 1999 - adaptado). Foi também recolhida informação sociodemográfica. Resultados: Análises comparativas entre os grupos etários demonstraram diferenças significativas na saúde subjectiva, objectiva e mental dos indivíduos. O grupo das pessoas muito idosas (n= 207) revelou pior saúde objectiva, com mais pessoas a apresentar incapacidade (AVD e AIVD) e pior capacidade de visão, e uma melhor auto-percepção de saúde (quando se comparam a outras pessoas). A prevalência de distress psicológico na amostra total foi de 26.8%, verificando-se um aumento significativo com a idade. Nos modelos de regressão logística a interacção entre o distress psicológico e a saúde subjectiva mostrou ser estatisticamente significativa. As pessoas sem distress psicológico, apesar das dificuldades funcionais e da condição física, percebem a sua saúde como melhor. Conclusões: A heterogeneidade do grupo das “pessoas idosas” e o perfil daquelas com 80 e mais anos devem ser reconhecidos, nomeadamente em estudos gerontológicos, no desenho de políticas e no desenvolvimento de intervenções clínicas. Independentemente da saúde física, existem outros factores que influenciam a forma como as pessoas idosas e muito idosas auto-avaliam a sua saúde, nomeadamente a saúde mental, pelo que devem ser desenvolvidas estratégias que visem a promoção do bem-estar psicológico a par da promoção da saúde física.
Autores principais:Araújo, Lia João Pinho
Assunto:Gerontologia Pessoas idosas Cuidados de saúde
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Introdução: O grupo de pessoas com 80 e mais anos é o segmento populacional que mais cresce anualmente e espera-se que até 2050 constitua 3,4% do total da população mundial (UN, 2002). Com o avançar da idade, perdas relacionadas com o processo de envelhecimento traduzem-se numa pior saúde física e funcional, mas são precisamente as pessoas mais velhas, com 80 e mais anos, que avaliam a sua saúde como mais positiva, especialmente quando se compararam com outras pessoas. Este paradoxo constitui uma das grandes contradições da literatura que foca as especificidades do grupo dos muito velhos e sugere a influência de outros factores na mediação entre saúde objectiva e subjectiva. Objectivo: Este estudo pretende descrever e comparar o estado socioeconómico e indicadores de saúde em três grupos etários (65-68, 70-79 e 80+ anos) e analisar a dinâmica da relação entre as três componentes da saúde consideradas – objectiva (saúde física e funcional), subjectiva (auto-percepção de saúde) e mental (distress psicológico) na idade avançada. Metodologia: Recorreu-se a uma amostra de 991 pessoas residentes na comunidade, 698 mulheres (70.4%), com idades compreendidas entre os 65 anos e os 101 anos (média de 74.1 anos, SD 6.5). Na recolha de dados utilizou-se o General Health Questionnaire (GHQ-12; Goldberg and Blackwell, 1970) e o Questionário sobre Saúde e Estilos de Vida (Paúl et al., 1999 - adaptado). Foi também recolhida informação sociodemográfica. Resultados: Análises comparativas entre os grupos etários demonstraram diferenças significativas na saúde subjectiva, objectiva e mental dos indivíduos. O grupo das pessoas muito idosas (n= 207) revelou pior saúde objectiva, com mais pessoas a apresentar incapacidade (AVD e AIVD) e pior capacidade de visão, e uma melhor auto-percepção de saúde (quando se comparam a outras pessoas). A prevalência de distress psicológico na amostra total foi de 26.8%, verificando-se um aumento significativo com a idade. Nos modelos de regressão logística a interacção entre o distress psicológico e a saúde subjectiva mostrou ser estatisticamente significativa. As pessoas sem distress psicológico, apesar das dificuldades funcionais e da condição física, percebem a sua saúde como melhor. Conclusões: A heterogeneidade do grupo das “pessoas idosas” e o perfil daquelas com 80 e mais anos devem ser reconhecidos, nomeadamente em estudos gerontológicos, no desenho de políticas e no desenvolvimento de intervenções clínicas. Independentemente da saúde física, existem outros factores que influenciam a forma como as pessoas idosas e muito idosas auto-avaliam a sua saúde, nomeadamente a saúde mental, pelo que devem ser desenvolvidas estratégias que visem a promoção do bem-estar psicológico a par da promoção da saúde física.