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Importância da mutação JAK2 V617F nas doenças mieloproliferativas clássicas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os Síndromes Mieloproliferativos (SMP) são um grupo de doenças heterogéneas nas quais se verifica uma produção excessiva de células sanguíneas pelos precursores hematopoieticos. A Policitémia Vera (PV), a Trobocittémia Essencial (TE), a Mielofibrose Idiopática (MF) e a Leucemia Mielóide Crónica (LMC) são conseideradas SMP clássicas que apresentam características clínicas e biológicas comuns. Ao contrário da LMC, cuja etiologia está relacionada com a proteína constitutivamente activa BCR-ABL, o mecanismo molecular da PV, TE e MF permaneceu por muito tempo desconhecido. O grande número de estudos respeitantes ás SMP resultou em 2005 na descrição de uma mutação pontual no exão 14 do gene Janus Kinase 2 (JAK2), denominada JAK2 V617F, recorrente em pacientes com SMP clássicas BCR-ABL negativos. Esta mutação leva à activação constitutiva da proteína JAK2. Estudos recentes revelam que a mutação JAK2 V617F está presente em 83-95% de doentes com PV, 50 a 70% de doentes com TE e em cerca de 50% de doentes com MF. Os objectivos deste estudo consistem em determinar a frequência da mutação JAK2 V617F numa população de doentes dos HUC-EPE com diagnóstico de PV, TE e MF, comparar a frequência obtida com a literatura, avaliando deste modo a eficácia da metodologia usada e demonstrar que esta mutação é estatísticamente significativa nos SMP clássicos Ph-. O estudo incidiu sobre um grupo de 475 doentes aos quais foi solicitada a análise da mutação JAK2 V617F no periodo decorrente de Junho de 2006 e Maio de 2010. A metodologia usada consistiu na extracção de ADN genómico, seguida de uma reacção de PCR utilizando primers que permitiram a amplificação dos alelos normal e mutado, e sua subsequente identificação através de uma electroforese com posterior coloração utilizando nitrato de prata. Posterior análise dos resultados determinou uma frequência da mutação JAK2 V617F de 74%, 66% e 42% em pacientes com PV, TE e MF respectivamente. Utilizando o teste Qui-Quadrado de Pearson foi possivel demonstrar que: existe uma associação entre a mutação e o sexo feminino nos doentes com PV; relacionando a mutação com a doença verificou-se que a heterozigotia tem uma forte associação com a TE enquanto que a homozigotia tem associação com a PV. Por fim estabeleceu-se uma forte associação desta mutação com as SMP Ph-, ou seja, para α= 0,05 foi obtido P<0,001. Para provar estatísticamente a eficácia da metodologia usada efectuou-se o teste Qui-Quadrado de Aderência no qual X2(observado)= 4,69, inferior ao X2 (crítco)= 5,99. Este resultado é extremamente relevante pois determina que não existe necessidade de implementar outra técnica, que seria bastante mais dispendiosa, e no presente não seria vantajosa. Futuramente quando a terapía passar pelo uso de proteínas inibidoras de JAK2, será necessário efectuar um estudo semelhante para averiguar se a metologia qualitativa usada é suficiente para fazer a monitorização terapêutica.
Autores principais:Silva, Andreia Gabriela Carvalho Coelho da
Assunto:Biologia molecular Células estaminaias hematopoiéticas Células estaminais: Doenças
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Os Síndromes Mieloproliferativos (SMP) são um grupo de doenças heterogéneas nas quais se verifica uma produção excessiva de células sanguíneas pelos precursores hematopoieticos. A Policitémia Vera (PV), a Trobocittémia Essencial (TE), a Mielofibrose Idiopática (MF) e a Leucemia Mielóide Crónica (LMC) são conseideradas SMP clássicas que apresentam características clínicas e biológicas comuns. Ao contrário da LMC, cuja etiologia está relacionada com a proteína constitutivamente activa BCR-ABL, o mecanismo molecular da PV, TE e MF permaneceu por muito tempo desconhecido. O grande número de estudos respeitantes ás SMP resultou em 2005 na descrição de uma mutação pontual no exão 14 do gene Janus Kinase 2 (JAK2), denominada JAK2 V617F, recorrente em pacientes com SMP clássicas BCR-ABL negativos. Esta mutação leva à activação constitutiva da proteína JAK2. Estudos recentes revelam que a mutação JAK2 V617F está presente em 83-95% de doentes com PV, 50 a 70% de doentes com TE e em cerca de 50% de doentes com MF. Os objectivos deste estudo consistem em determinar a frequência da mutação JAK2 V617F numa população de doentes dos HUC-EPE com diagnóstico de PV, TE e MF, comparar a frequência obtida com a literatura, avaliando deste modo a eficácia da metodologia usada e demonstrar que esta mutação é estatísticamente significativa nos SMP clássicos Ph-. O estudo incidiu sobre um grupo de 475 doentes aos quais foi solicitada a análise da mutação JAK2 V617F no periodo decorrente de Junho de 2006 e Maio de 2010. A metodologia usada consistiu na extracção de ADN genómico, seguida de uma reacção de PCR utilizando primers que permitiram a amplificação dos alelos normal e mutado, e sua subsequente identificação através de uma electroforese com posterior coloração utilizando nitrato de prata. Posterior análise dos resultados determinou uma frequência da mutação JAK2 V617F de 74%, 66% e 42% em pacientes com PV, TE e MF respectivamente. Utilizando o teste Qui-Quadrado de Pearson foi possivel demonstrar que: existe uma associação entre a mutação e o sexo feminino nos doentes com PV; relacionando a mutação com a doença verificou-se que a heterozigotia tem uma forte associação com a TE enquanto que a homozigotia tem associação com a PV. Por fim estabeleceu-se uma forte associação desta mutação com as SMP Ph-, ou seja, para α= 0,05 foi obtido P<0,001. Para provar estatísticamente a eficácia da metodologia usada efectuou-se o teste Qui-Quadrado de Aderência no qual X2(observado)= 4,69, inferior ao X2 (crítco)= 5,99. Este resultado é extremamente relevante pois determina que não existe necessidade de implementar outra técnica, que seria bastante mais dispendiosa, e no presente não seria vantajosa. Futuramente quando a terapía passar pelo uso de proteínas inibidoras de JAK2, será necessário efectuar um estudo semelhante para averiguar se a metologia qualitativa usada é suficiente para fazer a monitorização terapêutica.