Publicação
A um copo do (des)controlo: relação entre o consumo de álcool e a impulsividade em estudantes universitários
| Resumo: | O consumo de álcool per capita em Portugal é um dos mais elevados da Europa. Para além disso, existe evidência de que os estudantes universitários constituem uma subpopulação em que o consumo de álcool é muito frequente, sendo associado a festas, à mudança de residência e à impulsividade, sendo esta última considerada uma variável preditora do consumo excessivo e problemático de álcool. Deste modo, considera-se importante perceber quais os motivos que levam os estudantes a beber álcool, e quais os fatores que potenciam esse consumo. O presente trabalho teve como objetivos principais caracterizar uma amostra de estudantes de licenciatura relativamente aos níveis de risco dos consumos de álcool e como estes se alteram ao longo da licenciatura e em função das pessoas com quem o estudante habita, verificar se a impulsividade está relacionada com os consumos de álcool, e estudar quais os motivos que mais levam os jovens a beber. Recorreu-se a uma metodologia quantitativa, transversal e correlacional. A amostra foi constituída por 450 estudantes de licenciatura, recrutados a nível nacional, 119 do sexo masculino e 331 do sexo feminino, em que a faixa etária dos 18 aos 20 anos foi a que mais prevaleceu. Os estudantes acederam a um formulário online através do link que foi divulgado, onde responderam a um Questionário Sociodemográfico, ao Alcool Use Disorders Identification Test (AUDIT, que permite avaliar o nível de risco dos consumos de álcool), e à Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11), sendo a sua participação inteiramente anónima. Os resultados obtidos revelaram que a maioria da amostra consome álcool em níveis de risco, sendo que os estudantes do sexo masculino apresentaram níveis de risco do consumo de álcool mais elevados, como também mais episódios de binge drinking, que as estudantes do sexo feminino. Quando realizada a comparação entre os níveis de risco dos consumos de álcool em função das pessoas com quem o estudante deslocado vive, não se observaram diferenças significativas. Também se concluiu que o efeito global do ano de frequência de licenciatura não foi significativo nos consumos de álcool, apesar de testes post-hoc mostrarem diferenças significativas entre o 1º e o 3º ano e entre o 2º e o 3º ano, refletindo uma diminuição nos consumos durante o 3º ano. Contudo, os consumos de álcool voltam a aumentar no 4º ano. Já ao nível da impulsividade, a subescala Impulsividade Motora do BIS-11 revelou-se o principal preditor do nível de risco dos consumos de álcool. Relativamente aos motivos que levam os estudantes a consumir álcool, a maioria revela beber para Facilitar a Interação Social. No entanto, o preditor com maior influência no nível de risco dos consumos foi a “Busca de Sensações”. Apesar do contributo relevante dado pelo presente estudo para a compreensão do consumo de álcool em estudantes universitários de licenciatura, considera-se pertinente replicar estes resultados com uma amostra mais alargada e incluir outras variáveis, como o ajustamento emocional, para uma análise mais abrangente dos níveis de consumo atuais, de quais os motivos que levam os estudantes a beber e o impacto desses consumos, com o objetivo de melhor ajustar as ações de educação e prevenção dos consumos de álcool junto desta população. |
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| Autores principais: | Catarino, Mónica Alexandra Ginja |
| Assunto: | Consumo de álcool Impulsividade Estudantes universitários |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | O consumo de álcool per capita em Portugal é um dos mais elevados da Europa. Para além disso, existe evidência de que os estudantes universitários constituem uma subpopulação em que o consumo de álcool é muito frequente, sendo associado a festas, à mudança de residência e à impulsividade, sendo esta última considerada uma variável preditora do consumo excessivo e problemático de álcool. Deste modo, considera-se importante perceber quais os motivos que levam os estudantes a beber álcool, e quais os fatores que potenciam esse consumo. O presente trabalho teve como objetivos principais caracterizar uma amostra de estudantes de licenciatura relativamente aos níveis de risco dos consumos de álcool e como estes se alteram ao longo da licenciatura e em função das pessoas com quem o estudante habita, verificar se a impulsividade está relacionada com os consumos de álcool, e estudar quais os motivos que mais levam os jovens a beber. Recorreu-se a uma metodologia quantitativa, transversal e correlacional. A amostra foi constituída por 450 estudantes de licenciatura, recrutados a nível nacional, 119 do sexo masculino e 331 do sexo feminino, em que a faixa etária dos 18 aos 20 anos foi a que mais prevaleceu. Os estudantes acederam a um formulário online através do link que foi divulgado, onde responderam a um Questionário Sociodemográfico, ao Alcool Use Disorders Identification Test (AUDIT, que permite avaliar o nível de risco dos consumos de álcool), e à Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11), sendo a sua participação inteiramente anónima. Os resultados obtidos revelaram que a maioria da amostra consome álcool em níveis de risco, sendo que os estudantes do sexo masculino apresentaram níveis de risco do consumo de álcool mais elevados, como também mais episódios de binge drinking, que as estudantes do sexo feminino. Quando realizada a comparação entre os níveis de risco dos consumos de álcool em função das pessoas com quem o estudante deslocado vive, não se observaram diferenças significativas. Também se concluiu que o efeito global do ano de frequência de licenciatura não foi significativo nos consumos de álcool, apesar de testes post-hoc mostrarem diferenças significativas entre o 1º e o 3º ano e entre o 2º e o 3º ano, refletindo uma diminuição nos consumos durante o 3º ano. Contudo, os consumos de álcool voltam a aumentar no 4º ano. Já ao nível da impulsividade, a subescala Impulsividade Motora do BIS-11 revelou-se o principal preditor do nível de risco dos consumos de álcool. Relativamente aos motivos que levam os estudantes a consumir álcool, a maioria revela beber para Facilitar a Interação Social. No entanto, o preditor com maior influência no nível de risco dos consumos foi a “Busca de Sensações”. Apesar do contributo relevante dado pelo presente estudo para a compreensão do consumo de álcool em estudantes universitários de licenciatura, considera-se pertinente replicar estes resultados com uma amostra mais alargada e incluir outras variáveis, como o ajustamento emocional, para uma análise mais abrangente dos níveis de consumo atuais, de quais os motivos que levam os estudantes a beber e o impacto desses consumos, com o objetivo de melhor ajustar as ações de educação e prevenção dos consumos de álcool junto desta população. |
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