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The (ho)use of memory: Kazuo Ishiguro's novels of remembrance

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A obra do autor britânico Kazuo Ishiguro é perpassada de imagens e reflexos da memória. Os narradores ishigurianos, relatando quase sempre na primeira pessoa, descrevem personagens e narram as suas vidas e os seus caminhos recorrendo à sua memória ou às imagens que a memória filtrou e armazenou. A memória é então um mecanismo de construção de histórias dotado de pouca fiabilidade, uma vez que ela retém apenas aquilo que pretende e não tudo aquilo que cada personagem experiencia e experimenta. A memória é selectiva, filtradora e “desonesta”, se bem que possa ser fiel e fidedigna, mas quem poderá avaliar e certificar a sua fiabilidade? Na literatura ishiguriana, em especial em determinadas obras do seu recente mas profícuo percurso, a memória tem um papel central e permite a (re)criação de cenários, de cheiros, de sabores, de cores e de pessoas de épocas passadas. É interessante notar que Ishiguro privilegia o período pós-II Guerra Mundial, provavelmente por ter sido esse o tempo em que nasceu, cresceu e viveu, ainda que apenas por cinco anos, num país particularmente afectado pelos estilhaços e destruição da guerra. É este país, o Japão, que utiliza em várias das suas obras, mas que afirma ser fruto de imaginação e do seu conhecimento do cinema japonês, dado que as imagens descritas são tão realistas e fidedignas. A memória funciona como um mecanismo ou uma estratégia literária, um fio condutor que transporta o narrador e o leitor numa viagem labiríntica na obra The Unconsoled, ou numa viagem de descoberta da verdade em Never Let Me Go, ou ainda numa viagem de tentativa de compreensão de vários eventos em A Pale View of the Hills.
Autores principais:Silva, Anabela Ramos Soares da
Assunto:Estudos ingleses Memória: Literatura
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:inglês
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:A obra do autor britânico Kazuo Ishiguro é perpassada de imagens e reflexos da memória. Os narradores ishigurianos, relatando quase sempre na primeira pessoa, descrevem personagens e narram as suas vidas e os seus caminhos recorrendo à sua memória ou às imagens que a memória filtrou e armazenou. A memória é então um mecanismo de construção de histórias dotado de pouca fiabilidade, uma vez que ela retém apenas aquilo que pretende e não tudo aquilo que cada personagem experiencia e experimenta. A memória é selectiva, filtradora e “desonesta”, se bem que possa ser fiel e fidedigna, mas quem poderá avaliar e certificar a sua fiabilidade? Na literatura ishiguriana, em especial em determinadas obras do seu recente mas profícuo percurso, a memória tem um papel central e permite a (re)criação de cenários, de cheiros, de sabores, de cores e de pessoas de épocas passadas. É interessante notar que Ishiguro privilegia o período pós-II Guerra Mundial, provavelmente por ter sido esse o tempo em que nasceu, cresceu e viveu, ainda que apenas por cinco anos, num país particularmente afectado pelos estilhaços e destruição da guerra. É este país, o Japão, que utiliza em várias das suas obras, mas que afirma ser fruto de imaginação e do seu conhecimento do cinema japonês, dado que as imagens descritas são tão realistas e fidedignas. A memória funciona como um mecanismo ou uma estratégia literária, um fio condutor que transporta o narrador e o leitor numa viagem labiríntica na obra The Unconsoled, ou numa viagem de descoberta da verdade em Never Let Me Go, ou ainda numa viagem de tentativa de compreensão de vários eventos em A Pale View of the Hills.